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2 de jun. de 2009

Dez motivos para matricular seu filho em um curso de férias

1. No Espaço Zero (Rua Goiás, 167, Pacaembu, 3661-8658), crianças de 5 a 12 anos descobrem como é fabricado o vidro e fazem suas próprias bolinhas de gude. A oficina dura uma hora e custa 20 reais. Quartas e sextas, até 10 de fevereiro.

2. Quer ajuda na hora de dar um trato nas plantas? A C&C Casa e Construção (Shopping Lar Center, 4004-1444) preparou uma oficina de jardinagem grátis para maiores de 4 anos. No dia 18, a turma terá dicas de preservação do meio ambiente e sobre como plantar mudas de flores, verduras e vegetais diversos.

3. O Espaço Arte Atelier (Rua Jorge Alves Ferreira, 252, Morumbi, 3742-2299) ensina desenho, pintura, história da arte e escultura para meninos e meninas entre 5 e 12 anos. Quatro aulas saem por 115 reais (material incluso).

4. Nos dias 18 e 19, a escola Passatempo (Rua João Álvares Soares, 1314, Campo Belo, 5042-2720) mostra à criançada de 5 a 14 anos como personalizar camisetas, bermudas, tênis e bonés. A brincadeira dura uma hora e meia (18 reais).

5. A Federação Paulista de Golfe (Rua Deputado João Bravo Caldeira, 273, Jardim Ceci, 5587-5844) oferece, às terças e às quintas, um curso para futuros jogadores de 7 a 13 anos. É de graça, e o aluno não precisa se preocupar com o material. Bolas, luvas e tacos são emprestados pela federação.

6. Em salas coloridas e cheias de obstáculos, crianças de até 4 anos são estimuladas a desenvolver os movimentos e a coordenação. O encontro de duas horas na Steps Baby Lounge (Rua Professor Vahia de Abreu, 285, Vila Olímpia, 3846-8795) custa 75 reais. Até o dia 28.

7. Andar com pernas de pau, equilibrar-se sobre uma bola e fazer acrobacias são algumas das técnicas que os pequenos aprendem entre 23 de janeiro e 23 de fevereiro no Picadeiro Circo Escola (Avenida Cidade Jardim, 1105, Itaim, 3078-0944). Podem participar da brincadeira, que custa 180 reais, crianças de 5 a 12 anos.
8. A partir do dia 26, a Escola Wilma Kövesi de Cozinha (Rua Cristiano Viana, 224, Pinheiros, 3082-9151) reúne mestres-cucas mirins em quatro aulas sob o tema Crianças e Panelas (240 reais).

9. No Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, 5080-3000), adolescentes a partir de 12 anos criam histórias em quadrinhos e mangás. O curso dura doze horas e sai por 5 reais. Dias 21, 22, 28 e 29.

10. A garotada de 5 a 12 anos pode radicalizar na academia Bem Me Quer Sports (Rua Ministro Jesuíno Cardoso, 52, Vila Olímpia, 3044-1108). Entre as opções, noções de mergulho e surfe. Os pais pagam 70 reais e os baixinhos vão a quatro aulas de 45 minutos cada uma.

Quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

1 de jun. de 2009

Pé na estrada

TURISMO

O quente das praias ou o sossego das montanhas? Um hotel de luxo ou recantos superexclusivos onde os proprietários cuidam de cada detalhe? A partir de uma seleção do Guia Quatro Rodas Brasil 2006, Veja São Paulo visitou vinte novas pousadas (inauguradas desde 2004) que ficam a até 316 quilômetros da capital. São opções para namorar, curtir com a família ou divertir-se com a turma de amigos

MAIRIPORÃ

50 km

Unique Garden

Este é para quem gosta de um paparico. Spa de luxo dos mesmos donos do modernoso Hotel Unique, no Jardim Paulista, o Unique Garden oferece uma série interminável de tratamentos de relaxamento e beleza. Dos 25 chalés, dez foram projetados pelo arquiteto Ruy Ohtake. Quase tudo o que ali se consome ali é produzido – são estufas de frutas e verduras, hortas orgânicas, laboratórios de cremes e óleos essenciais (sim, até isso é exclusivo). O chef do restaurante, o francês Michel Darqué, que já serviu à realeza de Mônaco, faz literalmente o hóspede se sentir um rei.

Para quem: casais e viajantes solitários (eles aceitam, por exemplo, convalescentes de pequenas cirurgias e plásticas).

O que oferece: lareira em todas as suítes, spa com vinte opções de massagem e tratamentos de beleza que podem ser realizados em qualquer lugar do hotel (120 a 320 reais), aulas de hidroginástica, pilates e ioga, campo de golfe com nove buracos, dois helipontos, dois restaurantes, spa para cães, águas (naturais e aromatizadas) e sucos à vontade.

Fique esperto: como o terreno é gigante (300 000 metros quadrados) e acidentado, talvez você não tenha ânimo para longas caminhadas. Nesse caso, chame um dos carrinhos elétricos à disposição.

Atrativos da cidade: o hotel é concebido para o hóspede não sair de lá para nada. É a melhor opção mesmo.

Diária: entre 855 e 1818 reais o casal, com café-da-manhã e almoço.

Pacotes de fim de ano: de 3 500 a 5 100 reais o casal (30 de dezembro a 1º de janeiro), com café-da-manhã, almoço, jantar e late check-out às 19 horas no domingo.

Unique Garden. Estrada Laramara, 3 500 (acesso pelo quilômetro 53 da Rodovia Fernão Dias), Mairiporã, SP, (11) 4486-8700. www.uniquegarden.com.br. Inaugurado em março de 2005.


ILHABELA
224 km

Refúgio das Pedras

Em vez de implodir as pedras que tomam todo o terreno e construir uma pousada convencional, o proprietário e arquiteto José Fernando Pinheiro decidiu incorporá-las à decoração. As pedras entram pelas paredes da maioria dos sete quartos e desenham caminhos no jardim. O resultado é aconchegante e muito natural.

Para quem: casais (não aceita crianças).

O que oferece: piscina, sala de ginástica e café-da-manhã com pães e biscoitos preparados pela proprietária, a quituteira Maria do Carmo Pinheiro.

Fique esperto: a pousada está a 3,5 quilômetros da praia para banho mais próxima, a badalada Curral.

Atrativos da cidade: restaurantes, lojas e bares, além de 39 praias. A pousada fica no lado sul da ilha, perto do farol da Ponta da Sela.

Diária: entre 250 e 350 reais o casal, com café-da-manhã.

Pacotes de fim de ano: de 4 500 a 7 000 reais o casal (26 de dezembro a 2 de janeiro), com café-da-manhã e ceia de réveillon.

Refúgio das Pedras. Avenida Governador Mario Covas Jr., 11495, Ponta da Sela, Ilhabela, SP (12) 3894-1756. www.refugiodaspedras.com.br. Inaugurada em outubro de 2003 e ampliada em novembro de 2004.


ILHABELA

227 km

Armação dos Ventos

Dos mesmos donos da escola de iatismo BL3, a confortável pousada é freqüentada basicamente por amantes da vela. Possui suítes duplas e triplas, além de casas com dois quartos, banheiro, sala e cozinha, que podem ser alugadas por mês e acomodam até cinco pessoas.

Para quem: famílias e turmas.

O que oferece: serviço de praia (cadeiras e guarda-sóis), piscina com vista para o mar, restaurante e bar.

Fique esperto: como é uma praia de velejadores, a Armação costuma ter dezenas de barcos ancorados próximos à areia, o que pode incomodar os banhistas.

Atrativos da cidade: restaurantes, lojas e bares, além de 39 praias.

Diária: entre 120 e 180 reais o casal, com café-da-manhã. O aluguel mensal do chalé sai por 1 600 reais.

Pacotes de fim de ano: de 2 380 a 2 730 reais o casal (sete diárias, com início entre 26 e 28 de dezembro), café-da-manhã incluído.

Armação dos Ventos. Avenida Perimetral Norte, 4260, Armação, Ilhabela, SP, (12) 3896-3439. www.bl3.com.br. Inaugurada em março de 2004.


ILHABELA
216 km

Splendor

As sete amplas e confortáveis suítes estão voltadas para uma cachoeira particular que desemboca em uma piscina natural. Puro charme no meio da Mata Atlântica.

Para quem: casais.

O que oferece: piscina, bar e restaurante. Nos quartos, travesseiros e edredons de plumas de ganso, roupas de cama de algodão egípcio e cosméticos L'Occitane. As suítes superluxo têm banheira de hidromassagem ou lareira.

Fique esperto: localizada na região central da ilha, a Splendor está a 3 quilômetros da Engenho D'Água, a praia mais próxima para banho. Atenção: repelente na bagagem.

Atrativos da cidade: restaurantes, lojas e bares, além de 39 praias.

Diária: entre 168 e 290 reais o casal, com café-da-manhã.

Pacotes de fim de ano: de 1188 a 1628 reais o casal (22 a 25 de dezembro), com café-da-manhã. De 2835 a 3885 reais o casal (26 de dezembro a 2 de janeiro), com café-da-manhã.

Splendor. Avenida Coronel José Vicente Faria Lima, 2107, Reino, Ilhabela, SP, (12) 3896-3346. www.pousadasplendor.com.br. Inaugurada em outubro de 2004.


JUQUEÍ
156 km

Beach Hotel

Trata-se de um daqueles hotéis classicões: corredores compridos, quartos padronizados e serviço simpático, mas um tanto impessoal se comparado ao das pousadinhas. A grande vantagem é que fica à beira-mar e tem um belo gramado com playground e piscina.

Para quem: famílias.

O que oferece: serviço de praia completo (garçom, cadeiras e guarda-sóis), piscinas para crianças e adultos, playground, quadra de vôlei e TV a cabo nos quartos. Alguns apartamentos são dúplex e comportam até seis pessoas.

Fique esperto: as varandas dos quartos localizadas no 1º andar não são tão privativas.

Atrativos da cidade: na maré baixa, um passeio bacana é atravessar o Rio Juquehy, que margeia o hotel, e caminhar até a ponta da praia, recheada de pedras.

Diária: de 310 (seg. a qui.) a 890 reais (pacote de sex. a dom.) o casal, com café-da-manhã.

Pacotes de fim de ano: 500 reais a diária para o casal (18 a 25 de dezembro), com café-da-manhã e jantar. O pacote de Ano-Novo (sete diárias) custa 6 550 reais para o casal, com café-da-manhã e jantar.

Beach Hotel. Avenida Mãe Bernarda, 25, Juqueí, São Sebastião, SP, (12) 3891-1500. www.beachhotel.com.br. Inaugurado em novembro de 2004.


JUQUEÍ
156 km

Alcatrazes

Reinaugurada em 2004 depois de oito meses de reforma, a Alcatrazes é uma típica pousada pé na areia. Aconchegante, tem apenas treze quartos e está quase toda voltada para o mar.

Para quem: casais (só aceita crianças acima de 12 anos).

O que oferece: sala de leitura, piscina aquecida, spa com hidromassagem, sauna, esteira, bicicleta, bar, restaurante, serviço de praia (garçom, cadeiras e guarda-sóis) e seguro contra chuva – caso chova cinco horas seguidas (entre 9 e 17 horas), o hóspede ganha uma diária entre os meses de maio e agosto, exceto feriados.

Fique esperto: três das suítes (as de números 1 e 2 e o anexo) estão voltadas para a área do estacionamento. Apesar de a diária ser mais barata, não vale a economia.

Atrativos da cidade: a pedida é experimentar a culinária dos restaurantes Gulero e Bistrô, a seis quadras da pousada. No caso do contemporâneo Gulero, uma refeição (sem bebida) sai em média a 60 reais por pessoa.

Diária: entre 245 e 480 reais o casal, com café-da-manhã.

Pacotes de fim de ano:
de 4390 a 8680 reais o casal (26 de dezembro a 2 de janeiro), com café-da-manhã e ceia de réveillon.

Alcatrazes. Avenida Mãe Bernarda, 937, Juqueí, São Sebastião, SP, (12) 3863-1135. www.pousadaalcatrazes. com.br. Inaugurada em janeiro de 2004.


CUNHA
250 km

Barra do Bié

É o lugar perfeito para quem quer se desconectar do mundo: o celular não pega e os quatro quartos, com decoração rústica e aconchegante, não têm televisão nem telefone. Para passar o tempo, há trilhas, cachoeiras e um riacho particular no fundo do terreno da pousada.

Para quem: casais.

O que oferece: piscina, restaurante (só jantar), apartamentos com lareira e banheira.

Fique esperto: a Bié fica em um terreno isolado. A cidade mais próxima, Cunha, está a 21 quilômetros dali, sendo 5,8 de estrada de terra.

Atrativos da cidade: cachoeiras (a mais próxima da pousada fica a 5 quilômetros), trilhas na Mata Atlântica e lojas de artesanato.

Diária: 220 reais o casal, com café-da-manhã, e 280 reais, com café-da-manhã e jantar.

Pacotes de fim de ano: tanto no Natal como no Ano-Novo, os pacotes de três dias (sexta, sábado e domingo), com café-da-manhã, jantar na sexta, ceia no sábado e uma garrafa de champanhe, saem por 660 reais o casal.

Barra do Bié. Estrada da Barra, acesso pelo quilômetro 58,8 da SP-171 para Parati, Cunha, SP, (12) 3111-1477. www.pousadabarradobie. com.br. Inaugurada em maio de 2005.


BOIÇUCANGA
168 km

Di Mari

O charme dessa pousadinha de apenas nove quartos (todos com vista para o mar) é a caprichada decoração, com peças de artesanato, janelas pintadas e detalhes coloridos em arandelas e lustres. Além das suítes para até três pessoas, possui um chalé de dois quartos, cozinha e banheiro que comporta seis camas.

Para quem: casais e famílias.

O que oferece: piscina com hidromassagem e serviço de praia completo (garçom, cadeiras e guarda-sóis). Os utensílios da cozinha ficam à disposição dos hóspedes.

Fique esperto: mesmo com o mar calmo e sem ondas, a praia de Boiçucanga, de tombo, merece cuidados.

Atrativos da cidade: existem três cachoeiras bacanas no sertão de Boiçucanga. Para chegar à mais acessível delas, prepare-se para vinte minutos de trilha leve.

Diária: entre 150 e 160 reais o casal, com café-da-manhã. No chalé para até seis pessoas a diária é de 400 reais.

Pacotes de fim de ano: 2 331 reais o casal (26 de dezembro a 2 de janeiro), com café-da-manhã e coquetel de réveillon.

Di Mari. Rua Walkir Vergani, 833, Boiçucanga, São Sebastião, SP, (12) 3865-4711. www.dimari.com.br. Inaugurada em fevereiro de 2005.


SÃO FRANCISCO XAVIER
168 km

A Rosa e o Rei

Inicialmente, o espaço foi idealizado para a prática do tai chi chuan. Mas acabou se configurando como pousada, sem abandonar essa essência terapêutico-natureba. A alimentação, por exemplo, é lactoovovegetariana (à base de cereais integrais, mel, leite e derivados, frutas e verduras frescas e ovos). Ou seja, nem pense em pedir um bifinho.

Para quem: casais que curtem muuuito sossego e comida natureba.

O que oferece: duas cachoeiras com piscinas naturais, ofurô em todos os dez quartos, sauna, sala para prática de tai chi, espaços de contemplação, trilhas ecológicas e massagens (110 reais por sessão).

Fique esperto: o acesso é difícil, com 11 quilômetros de uma estrada vicinal.

Atrativos da cidade: cavalgadas, montanhismo e rapel. O Centro de Apoio ao Turista (12 3926-1279) forma grupos para caminhadas (20 a 30 reais por pessoa).

Diária: 380 reais o casal, com pensão completa.

Pacotes de fim de ano: para o Natal será cobrada a diária normal, com um adicional de 50 reais por pessoa (valor da ceia). Para o Ano-Novo, 2 980 reais o casal (26 de dezembro a 1º de janeiro), com pensão completa. O valor inclui aula diária de tai chi, duas massagens, caminhada dentro do rio e festa de réveillon.

A Rosa e o Rei. Estrada Municipal Ezequiel Alves Graciano, 10 100, Bairro Canelar, São Francisco Xavier, SP, (12) 3926-1318. www.arosaeorei.com.br. Inaugurada em novembro de 2004.


CAMPOS DO JORDÃO
192 km

Confraria da Terra

Com apenas cinco quartos, a Confraria da Terra vale a pena pela localização e por seu recheado cardápio de tratamentos relaxantes (as sessões de massagem custam entre 30 e 150 reais).

Para quem: casais.

O que oferece: ofurô, salas de leitura e lareira.

Fique esperto: construída num terreno irregular, a casa tem cada ambiente em um nível diferente. Assim, prepare-se para subir e descer escadas.

Atrativos da cidade: são muitos. Bons restaurantes, frio de rachar, chocolates caseiros, fondues, esportes de aventura, gente bonita, agito, agito e agito.

Diária: entre 190 e 250 reais o casal, com café-da-manhã, chá da tarde e massagem de trinta minutos.

Pacotes de fim de ano:
de 600 a 800 reais o casal (22 a 26 de dezembro), com café-da-manhã, chá da tarde e massagem. De 1 600 a 1 800 reais o casal (29 de dezembro a 2 de janeiro), com café-da-manhã, chá da tarde e massagem.

Confraria da Terra. Rua Francisco Romeiro, 935, Capivari, Campos do Jordão, SP, (12) 3663-4646. www.confrariadaterra. com.br. Inaugurada em maio de 2004.


CAMPOS DO JORDÃO
192 km

Cheverny

A 500 metros do centrinho, a Cheverny é uma boa opção para quem gosta do buchicho de Capivari. O acolhimento simpático dos funcionários faz com que o hóspede se sinta em casa. Destaque para o café-da-manhã, com seus pães de mel, geléias e bolos. Tudo feito ali mesmo.

Para quem: casais.

O que oferece: dezoito suítes (seis delas com cozinha), sala de jogos, bar em estilo inglês e sala de descanso.

Fique esperto: a carta do bar é pequena e tem preços salgados.

Atrativos da cidade: são muitos. Bons restaurantes, frio de rachar, chocolates caseiros, fondues, esportes de aventura, gente bonita, agito, agito e agito.

Diária:
entre 210 e 231 reais o casal, com café-da-manhã e chá da tarde.

Pacotes de fim de ano: de 630 a 693 reais o casal (22 a 25 de dezembro), com café-da-manhã e chá da tarde. De 897 a 984 reais o casal (29 de dezembro a 1º de janeiro), com café-da-manhã e chá da tarde.

Cheverny. Avenida Senador Roberto Simonsen, 700, Capivari, Campos do Jordão, SP, (12) 3663-7472. www.pousadacheverny.com.br. Inaugurada em março de 2004.


VISCONDE DE MAUÁ
316 km

Mauá Brasil

Em um vale da Serra da Mantiqueira, o grande diferencial da pousada é a belíssima vista, que pode ser apreciada do restaurante, da piscina, dos quartos e até das banheiras de hidromassagem das suítes. Comandado pelo chef carioca André Murray, o restaurante de cozinha contemporânea serve exóticas misturas como pato com jabuticaba (45,00 reais).

Para quem: casais em lua-de-mel (não aceita crianças).

O que oferece: banheira de hidromassagem com vista panorâmica em todos os quartos, lareira, piscina, sauna, heliponto. O café-da-manhã, servido até o meio-dia, inclui tortas, quiches e doces. De tão farto, pode substituir o almoço.

Fique esperto: no verão, a região é fria e chuvosa. O melhor período para visitá-la é de maio a agosto.

Atrativos da cidade: vale a pena uma visita ao restaurante de comida mineira Gosto com Gosto, na Vila de Mauá. Com duas estrelas no Guia Quatro Rodas, é considerado um dos melhores do Brasil.

Diária: Entre 310 e 370 reais o casal, com café-da-manhã.

Pacotes de fim de ano: 2 500 reais o casal (30 de dezembro a 1º de janeiro), com café-da-manhã e ceia de réveillon.

Mauá Brasil. Estrada Mauá, Campo Alegre, quilômetro 4, Visconde de Mauá, RJ, (24) 3387-2077. www.mauabrasil.com.br. Inaugurada em fevereiro de 2004.


MARESIAS
173 km

Azul da Cor do Mar

A pousada está a apenas 20 metros da praia, separada da areia por uma pequena avenida. É simples, mas tem quartos confortáveis.

Para quem: famílias, casais e moçada.

O que oferece: piscinas infantil e para adultos tratadas com ozônio (sem cloro), cadeiras e guarda-sóis na praia, restaurante, lanchonete 24 horas, loja de conveniência e circuito interno de DVD com dois canais.

Fique esperto: durante o dia, o bar das piscinas funciona com música ambiente escolhida pelos hóspedes. Na dúvida, leve o seu iPod.

Atrativos da cidade: Maresias é de longe a praia mais badalada do Litoral Norte. Há inúmeras festas, bares e o consagrado Sirena, que costuma trazer DJs estrangeiros algumas vezes por ano.

Diária: 150 reais o casal, com café-da-manhã.

Pacotes de fim de ano: 2 500 reais o casal (27 de dezembro a 2 de janeiro), com café-da-manhã e ceia de réveillon com música ao vivo no bar da piscina.

Azul da Cor do Mar. Avenida Francisco Loup, 1004, Maresias, São Sebastião, SP, (12) 3865-6279. www.azuldacordomar.com.br. Inaugurada em janeiro de 2005.


SÃO ROQUE
59 km

Pousada do Encanto

A 1050 metros de altitude, na Serra de Taxaquara, a pousada faz com que o hóspede se sinta inserido no clima de montanha. Olhares atentos não deixam de apreciar esquilos, tucanos, corujas, lebres e muitos pássaros. Para relaxar, piscina aquecida e um redário.

Para quem: casais.

O que oferece: piscina aquecida com bar, trilha na mata, passeio de buggy, fogueiródromo para luaus e, nos fins de semana, pizza na pedra (16 a 25 reais).

Fique esperto: o "aquecimento central" citado no site refere-se apenas aos chuveiros e torneiras. Quanto aos ambientes, somente o restaurante tem uma lareira.

Atrativos da cidade: São Roque é conhecida pela produção de alcachofras e uvas. Assim, não deixe de provar os pratos típicos, regados a um bom vinho. Para quem topa uma aventura, vale a pena esquiar no Ski Mountain Park (* 11 4712-3299).

Diária: 174 reais o casal, com café-da-manhã.

Pacotes de fim de ano: 1 200 reais o casal (23 a 25 de dezembro), com café-da-manhã; 2 200 reais o casal (28 de dezembro a 1º de janeiro), com café-da-manhã.

Pousada do Encanto. Estrada de Santo Antonio, 224 (acesso pelo quilômetro 55 da Rodovia Raposo Tavares), São Roque, SP, (11) 6965-2006. www.pousadadoencanto.com.br. Inaugurada em dezembro de 2004.


AVARÉ
273 km

La Laguna Guest House

Às margens da Represa de Jurumirim, a vedete da região, o La Laguna Guest House tem dez suítes, quatro das quais no prédio principal e seis chalés independentes. O casal de proprietários mora no local e passa ao turista a sensação de que o está recebendo na própria casa.

Para quem: casais e famílias.

O que oferece: piscina, sauna, barcos para passeio, sala de leitura, restaurante e duas quadras (tênis e poliesportiva). Se o hóspede quiser, pode ter aulas de golfe em um campo perto dali (30 reais por hora) e fazer um passeio de escuna (15 reais por pessoa, com duração de duas horas e meia).

Fique esperto: quatro das suítes (as chamadas colors) não têm cama de casal, mas duas de solteiro que podem ser unidas.

Atrativos da cidade: a Represa de Jurumirim e os esportes aquáticos praticados ali – windsurf, esqui aquático, jet-ski, entre outros.

Diária: de 350 a 380 reais o casal, com café-da-manhã.

Pacotes de fim de ano: 2 220 o casal (22 a 26 de dezembro), com pensão completa e ceia; 3 000 reais o casal (30 de dezembro a 2 de janeiro), com pensão completa, jantar especial de réveillon e queima de fogos.

La Laguna Guest House. Rodovia SP-255, quilômetro 273, Avaré, SP, (14) 3733-8635. www.lalaguna. com.br. Inaugurado em abril de 2005.


SANTO ANTÔNIO DO PINHAL
181 km

Villa Mantiqueira

Situada em uma chácara a poucos minutos da cidade, a Villa Mantiqueira é a pedida ideal para quem está em busca de sossego, baixas temperaturas e muito verde. Dos cinco chalés, dá para descansar olhando as montanhas. O restaurante, aberto também para não-hóspedes, cobra 40 reais por uma refeição completa. Vale a pena provar o risoto de shütake e as trutas.

Para quem: casais e famílias.

O que oferece:
trilhas, bicicletário, passeios a cavalo, piscina, sauna e uma pequena casa de bonecas.

Fique esperto: a estradinha que leva à Villa Mantiqueira tem dezenas de placas de outras pousadas. É preciso prestar atenção para não passar o local.

Atrativos da cidade: montanhas cobertas por pinheiros e eucaliptos, clima frio, trilhas e estradas de terra para caminhadas, hotéis acolhedores e sossego. Sem contar que está a apenas quinze minutos da badalada Campos do Jordão.

Diária: de 200 a 240 reais o casal, com café-da-manhã.

Pacotes de fim de ano: 868 reais o casal (30 de dezembro a 2 de janeiro), com café-da-manhã, ceia especial e queima de fogos.

Villa Mantiqueira. Estrada do Machadinho, quilômetro 4, Santo Antônio do Pinhal, SP, (12) 3666-2425. www.pousadavillamantiqueira.com.br. Inaugurada em junho de 2004.


SOCORRO
139 km

Hotel Fazenda Floresta do Lago

São quinze chalés e dez apartamentos construídos em 145 000 metros quadrados de área verde. O restaurante, situado às margens do lago, com pratos típicos mineiros, também atende a quem não está hospedado. Feijão-tropeiro e frango com quiabo são as especialidades do cozinheiro Álvaro Eduardo Grau.

Para quem: casais jovens.

O que oferece: piscina, salão de jogos, playground, quadra poliesportiva, quadra de tênis, campo de futebol, lago para pesca esportiva, tirolesa, restaurante e pista para motocross.

Fique esperto: por ser uma pousada bastante nova, inaugurada há cinco meses, ainda há espaços em construção (a piscina aquecida, por exemplo).

Atrativos da cidade: Socorro faz parte do chamado circuito das malhas. As melhores peças estão na Feira Permanente de Malhas e no Moda Shopping, totalizando 100 lojas.

Diária: de 145 a 230 reais o casal, com pensão completa.

Pacotes de fim de ano: 750 reais o casal (23 a 26 de dezembro), com pensão completa; 900 reais o casal (29 de dezembro a 1º de janeiro), com pensão completa.

Hotel Fazenda Floresta do Lago. Rodovia Socorro–Águas de Lindóia, quilômetro 5, Socorro, SP, (19) 3855-1331. www.hotelfazendaflorestadolago.com.br. Inaugurado em junho de 2005.


DESCALVADO
242 km

Hotel Fazenda do Mestre

Nessa fazenda de 51 alqueires, a comida é caseira, o fogão é a lenha e quase tudo é produzido ali, sem agrotóxicos. O hóspede pode colher verduras ou frutas no pomar e até ordenhar as vacas.

Para quem: casais (não aceita crianças).

O que oferece: piscina aquecida com bar, campo de futebol, quadra de tênis, trilhas, adega com cerca de 500 rótulos, ofurô e massagem (20 a 50 reais a sessão).

Fique esperto: o lugar é cheio de pernilongos. Não se esqueça do repelente.

Atrativos da cidade: Descalvado possui algumas cachoeiras com potencial turístico. A Salto do Pântano (a 12 quilômetros do hotel) e a Salto do Gasoso (a 14 quilômetros) são as mais bacanas.

Diária: 600 reais o casal, com pensão completa.

Pacotes de fim de ano: 1 200 reais o casal (23 a 25 de dezembro), com pensão completa; 4 500 reais o casal (23 de dezembro a 1º de janeiro), com pensão completa.

Hotel Fazenda do Mestre. Rodovia SP-215, quilômetro 110, Descalvado, SP, (19) 9601-0812. www.fazendadomestre.com.br. Inaugurado em junho de 2005.


PIEDADE
110 km

Ronco do Bugio

Quer fugir do stress? Então pode começar esquecendo seu celular (não vai pegar) e seu carro (ficará guardado em um estacionamento que não pode ser visto dos chalés). Silêncio? Nem tanto. Há o barulho do canto dos pássaros e, com sorte, o do ronco dos bugios... A pousada reúne oito chalés, todos com decoração personalizada, feita com peças vindas de antigas fazendas mineiras dos séculos XVIII e XIX.

Para quem: casais.

O que oferece: trilhas, piscina, sauna seca, sala de ginástica, minissalão de jogos e espaço terapêutico (massagens entre 53 e 116 reais). Destaque para o restaurante de alta gastronomia (que também atende clientes que não estão hospedados), comandado pelo chef Walter Bueno, ex-Santa Gula, na Vila Madalena. Receita imperdível: o confit de costelinha com risoto de cítricos e chutney de frutas (37,40 reais).

Fique esperto: o acesso é difícil. São quatro quilômetros de estrada de terra.

Atrativos da cidade: a Cachoeira da Fumaça, que fica na estradinha para Tapiraí, nas arestas do Parque Estadual do Jurupará, reserva de Mata Atlântica.

Diária: de 265 a 570 reais o casal, com caprichadíssimo café-da-manhã, que pode ser servido a qualquer hora do dia.

Pacotes de fim de ano:
de 1 975 a 3 700 reais o casal (27 de dezembro a 1-º de janeiro), com café-da-manhã e ceia especial de réveillon.

Ronco do Bugio. Estrada PDD, 128, Bairro dos Pires, Piedade, SP, (11) 8259-7788. www.roncodobugio.com.br. Inaugurada em junho de 2004.


ITATIBA
80 km

Fazenda Vila Rica

Um imponente casarão de arquitetura colonial portuguesa, construído em 1860, é a sede desse hotel-fazenda. No interior, muitos móveis de jacarandá e peças pinçadas de antiquários. Hospedar-se lá é uma verdadeira viagem no tempo, com requinte e muita natureza.

Para quem: casais e famílias (sem crianças).

O que oferece: passeios a cavalo, trilhas, piscina, sala de jogos e sala de ginástica. Se o hóspede quiser jogar golfe, o hotel leva-o até um campo próximo dali (de 75 a 150 reais).

Fique esperto: as suítes não têm TV nem frigobar.

Atrativos da cidade: prédios históricos, a maioria do século XIX. A 5 quilômetros do hotel, fica o ZooParque, com 1 400 animais (15 reais a entrada, 11 4538-7389).

Diária: de 600 a 1 500 reais o casal, com pensão completa.

Pacotes de fim de ano: de 2 000 a 3 000 o casal (23 a 25 de dezembro), com ceia, uma garrafa de prosecco por quarto, almoço especial de Natal; de 6 000 a 9 000 reais o casal (27 de dezembro a 2 de janeiro), com almoço, ceia, uma garrafa de prosecco e queima de fogos.

Fazenda Vila Rica. Rua Sandra Piovesani, s/n.º (acesso pelo quilômetro 23,5 da SP-063), Itatiba, SP, (11) 3663-2018. www.fazendavilarica.com.br. Inaugurado em setembro de 2004.

*As quilometragens referem-se à distância entre a capital e as pousadas ou os hotéis sugeridos.

em parceria com Nana Caetano.


Quarta-feira, 9 de novembro de 2005

23 de mai. de 2009

Para entender as ações

PASSEIO
No Espaço Bovespa, visitantes aprendem sobre o mercado de capitais

Ações, mercado financeiro, investimentos, bolsa de valores... Para quem não é do ramo, tudo isso parece árido. Mas passar duas horas percorrendo os 750 metros quadrados do Espaço Bovespa, no centro, pode ser um passeio curioso, instrutivo e até divertido. O roteiro, inaugurado há nove meses, divide-se em cinco etapas. No Cinema 3D o visitante assiste a um filme de vinte minutos, cheio de efeitos especiais, que explica o funcionamento do mercado de capitais. A parada seguinte é o auditório. Ali, um ex-operador da bolsa de valores dá uma palestra de 25 minutos sobre a atividade. Depois, todos são encaminhados a seis terminais que simulam negócios. Com a orientação de monitores, eles observam como as corretoras enviam ordens de compra e venda de ações no pregão eletrônico – e o que faz a cotação das empresas subir ou despencar. O programa continua com uma viagem ao passado, em uma espécie de museu multimídia da Bovespa. Para finalizar, quatro estandes com corretoras de verdade ficam à disposição para quem quiser mais informações ou mesmo realizar aplicações em investimentos reais.

A iniciativa da Bovespa busca aproximar o público do mundo financeiro. "Queríamos dar vida a um lugar que ficaria vazio com o fim dos pregões de voz", conta o diretor de marketing da bolsa, Luiz Abidal. Até setembro de 2005, quando as negociações passaram a ser 100% eletrônicas, era ali que ocorriam, numa balbúrdia estressante, a compra e a venda de ações. A reforma do local levou um ano. Hoje, treze ex-operadores do pregão de voz trabalham no Espaço Bovespa, como monitores e palestrantes. São eles que simulam as negociações. Já estiveram lá cerca de 100.000 pessoas. "É uma maneira de a Bovespa exercer seu papel social e educacional", afirma Abidal.

Espaço Bovespa. Rua Quinze de Novembro, 275, centro, 3233-2826. Segunda a domingo, das 10h às 17h. www.bovespa.com.br. Grátis.


Sábado, 4 de julho de 2007

1 de abr. de 2009

Cartilha da civilidade

COMPORTAMENTO
Só com educação e respeito aos direitos alheios é possível viver numa metrópole. Infelizmente, deparar com figuras que não obedecem às mínimas regras de convivência no dia-a-dia é mais que comum. Tem de tudo: gente que não recolhe a sujeira do cachorro das calçadas, fala ao celular no elevador, fura a fila, joga lixo na rua ou passa o dia mandando e-mails inúteis para meio mundo. A seguir, Veja São Paulo apresenta situações de indelicadezas, grosserias e infrações que, evitadas, melhorariam a vida de todos nós


Olha a cachorrada!

• Não deixe a sujeira do seu cachorro como armadilha para os pedestres. Leve sempre o saquinho plástico e a pá. É um crime contra as outras pessoas e contra a cidade não limpar – imediatamente e sempre – o cocô de seu cachorro. Se você flagrar algum mal-educado esquecendo de fazer isso, chame sua atenção. Muitos donos de bichos demonstram indiferença à higiene pública ou ignorância em relação aos riscos de transmissão de doenças. "Caso o animal esteja com parasitas intestinais, pode transmitir doenças como o bicho-geográfico, que você pega se tiver contato com a grama ou o chão contaminados", explica a veterinária Elisabete da Silva, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

• Vários shoppings permitem a presença de cães de pequeno e de médio porte em suas instalações. É assim no Higienópolis, no Iguatemi, no Villa-Lobos, no Frei Caneca e em outros vinte grandes templos de consumo da cidade. Mas o bom senso deve falar mais alto quando bater aquela vontade de levar seu bichinho às compras. Ninguém é obrigado, por exemplo, a dividir a praça de alimentação com o seu animal de estimação. Nem a cruzar nos corredores com cães agressivos ou grandalhões.

• No condomínio, só ande com o cachorro no elevador de serviço. O veterinário Arquimedes Galano, do CCZ, alerta: "Há risco de agressão, de acordo com o comportamento do animal, e de transmissão de doenças como a sarna".

• Descole um amigo ou um hotel especializado para cuidar do seu animal. Sem comida e companhia, ele pode latir, miar, uivar, ganir e tirar o sono dos vizinhos. "O dono precisa saber educá-lo, evitando uma dependência excessiva", afirma o zootecnista Alexandre Rossi. "Caso contrário, toda vez que houver separações ele ficará desesperado."


Para não azedar a diversão

• Não saque seu santo celular em vão. Preste atenção nos locais onde atende o telefone e no volume que usa ao falar. Recorra ao vibracall como regra, sobretudo no trabalho. Toques polifônicos como Festa no Apê, de Latino, podem queimar seu filme no escritório. "Essas campainhas espalhafatosas são de uma breguice sem tamanho", avalia a consultora gaúcha Celia Ribeiro, autora do livro Etiqueta – Século XXI. "A música que se escolhe diz muito sobre sua formação cultural. Ou sobre a falta dela."

• Mais do celular: deixá-lo em mesa de restaurante, além de feio, é anti-higiênico. Com que freqüência você limpa o aparelho? Por que, então, ele vai dividir espaço com a comida? Em shows, não acione aquele tipo de aparelho que tem câmera acoplada, vício terrível que assola as platéias das casas de espetáculos. "Mesmo que o artista não a veja do palco, aquela luz incomoda quem está do lado", alerta Celia.

• Por maior que seja a fila – e portanto o desânimo em encará-la –, nada justifica desrespeitar quem chegou cedo para garantir um bom lugar. Se entrarem na sua frente, não tenha medo de colocar a boca no trombone. O mesmo princípio vale para quem adora esparramar bolsas e casacos nas cadeiras do cinema para guardar a vaga do amigo que vai chegar em cima da hora.

• Aliás, respeite o horário. Nada mais irritante do que ver um perdido trombando com as cadeiras no escuro. Ainda mais se tem a cara-de-pau de pedir que outras pessoas mudem de lugar para ele e a namorada sentarem juntinhos. Se for numa peça ou num concerto, pior ainda. "Interrompo o espetáculo na mesma hora", conta a atriz Beatriz Segall. Ela faz muito bem.

• Preste atenção no figurino. No cinema, tudo bem ir mais à vontade (desde, é claro, que o homem jamais use camiseta regata ou chinelo de dedo). O mesmo não vale para apresentações no teatro, que pedem roupas mais formais. "Nos quatro anos em que fui diretor do Municipal, barrava quem aparecesse de sandália ou bermuda", lembra o maestro Júlio Medaglia.

• Falar durante um filme pega tão mal quanto usar pochete. Ou seja, é cafonérrimo. O falatório deve ir, no máximo, até o momento dos trailers. No teatro, a lei do silêncio vale desde o terceiro sinal até os aplausos. Ruídos que todo mundo odeia: lata de refrigerante sendo aberta, croc-croc de amendoim e plástico de embalagem de doces. "Barulho de beijo melado também é terrível", acrescenta a consultora de estilo Gloria Kalil, que recomenda cautela aos casais, digamos, animados com o escurinho do cinema.

• Se estiver gripado e for inevitável tossir, fique em casa. Caso seja a ópera ou o concerto que você mais ama, não passe das últimas fileiras. "Isso facilita a saída se a pessoa tiver um acesso de tosse", ensina Clarice Miranda, especialista em formação de platéias de música clássica.

• A poltrona da frente não é apoio para seus pés. Se alguém estiver sentado, então, socorro! E os pés, lógico, devem permanecer calçados durante toda a sessão.

• Pipoca, pode? Depende. Se for um arrasa-quarteirão policial, cheio de explosões e tiros, é pouco provável que o barulho das mastigadas seja ouvido. Daí, beleza. Mas não se arrisque num silencioso drama iraniano, por exemplo. Escolha um cinema que combine com sua preferência. O Reserva Cultural, na Avenida Paulista, não vende pipoca. "Uma pesquisa mostrou que 72% do nosso público não gosta", diz o proprietário Jean Thomas Bernardini. No extremo oposto está o Cinemark. A cada mês, passam pelas salas da rede 833 000 espectadores, que compram 560 000 saquinhos – é como se, numa sala com 100 lugares, 67 fossem ocupados por fãs da guloseima. Qualquer que seja a opção, carregue seu lixo com você depois da sessão. Esqueceu que outras pessoas entrarão logo em seguida?

• Em concertos, aplaudir na hora errada é um mico, ou melhor, um verdadeiro King Kong. Que pode facilmente ser evitado com a leitura prévia do programa. É só ver quantos movimentos há na composição e ter em mente: só se batem palmas depois do último deles. E nem pensar em cantarolar a melodia. "Quem paga ingresso quer ouvir os músicos, não o vizinho", diz Clarice Miranda. Também é muito feio sair antes do fim – ainda que isso ajude a evitar esperas longas no manobrista. Só depois que o maestro deixa o palco é que se pode ir embora.


Sobre quatro rodas

• Nunca feche o cruzamento. Dos 4 milhões de multas aplicadas pela CET no ano passado, apenas 7 640 – inacreditáveis 0,2% – penalizaram quem fez isso. Não dá para saber quantas infrações do tipo passaram batidas pelos marronzinhos, mas o certo é que bloquear um cruzamento provoca prejuízos enormes ao trânsito. "Cada faixa tem capacidade para um fluxo de 1 200 carros por hora", explica o engenheiro Jaime Waisman, especialista em transporte urbano.
"Fechar uma delas por cinco minutos pode gerar uma fila de carros de 400 metros."

• Conforme-se com o fato de que congestionamentos existem e jamais buzine se estiver enfrentando um deles. De acordo com pesquisa feita no ano passado pela Associação Brasileira de Monitoramento e Controle Eletrônico de Trânsito, o que mais irrita o brasileiro ao volante são os congestionamentos (61%). Buzinar, no entanto, não adianta nadinha – só piora, na verdade. "O ruído nas vias urbanas ultrapassa 90 decibéis (a Organização Mundial de Saúde classifica 55 decibéis como um som confortável) e amplia a probabilidade de o motorista ficar estressado, nervoso e ter dores de cabeça", diz a psicóloga Raquel Almqvist, especialista em trânsito.

• Não fure o rodízio, mesmo que você conheça um caminho sem marronzinhos. De acordo com um levantamento da CET, que no ano passado registrou 1,5 milhão de infrações à medida, 13% dos motoristas não respeitam o rodízio pela manhã e 18% à tarde.

• Jamais pare sobre a faixa de pedestres, mesmo em horários de pouco movimento. Como pedestre, evite atravessar fora dela.

• Resista à tentação de invadir o corredor do ônibus. Não adianta espernear: automóveis só podem utilizar os nove corredores de ônibus de São Paulo nos fins de semana (das 15h de sábado às 4h de segunda) e nas madrugadas (das 23h às 4h) – a portaria, passível de renovação, está em vigor até outubro. Quem desrespeita essa regra pode ser multado em 127 reais. "Pensando em área útil, um ônibus tem a capacidade de escoar dez vezes mais passageiros do que um automóvel", estima o engenheiro Waisman.


Nos bares e restaurantes

• Respeite o ouvido alheio e abaixe o tom de voz. Afinal, quem quer saber se você trocou de carro, que a sua filha acabou de se separar ou que você não agüenta mais o seu chefe? "Dizem que se a gente fala baixo as pessoas à nossa volta fazem o mesmo", conta a consultora de etiqueta Claudia Matarazzo. "Vale tentar isso num restaurante lotado."

• Não dê tapinha nas costas de quem você acabou de conhecer (nem nas de quem você conhece há muito tempo). Trata-se de uma situação corriqueira e bastante desagradável para a vítima. Sim, vítima.

• Respeite o pulmão do próximo. Só fume em locais permitidos. E jamais acenda um cigarro à mesa enquanto ainda houver alguém comendo.

• Não reserve mesa para dez pessoas quando na verdade vão seis. "Há lugares nos Estados Unidos e em Paris em que, nos casos de reserva, só deixam o grupo sentar-se depois que todos chegam", conta Gloria Kalil. É o que vem fazendo o restaurante Fasano, nos Jardins. "Sugerimos sempre ao grupo que aguarde a chegada de todos antes de se encaminhar aos lugares", afirma o maître-gerente Almir Paiva.

• Não acenda charutos, exceto em lugares especialmente reservados para isso. Seu cheiro é um incômodo mesmo para fumantes de cigarro.

• Mantenha todo e qualquer banheiro público (do trabalho, de bares, restaurantes etc.) como se ele fosse o da sua casa. "Tem de enxugar a pia, sim. Senão fica aquela coisa melecada, que vai piorando depois de cada uso", diz Claudia Matarazzo. "Não importa se você já a encontrou assim: vale limpar."

• Não saia dos bares conversando aos berros. Muito menos solte o Fábio Jr. que existe em você depois de alguns drinques.


Regras da boa vizinhança

• Vizinho barulhento é pior que dor de dente. Para não se estranhar com os seus, evite andar com sapatos de salto, arrastar móveis ou deixar as crianças jogar bola dentro de casa. O horário em que se tolera um tantinho a mais – veja bem, um tantinho! – é entre 10 e 22 horas.

• Seu prédio tem vagas fixas para estacionar? Use a sua, e só, tomando o cuidado de parar dentro do limite. Carro torto obriga outros moradores a se desdobrarem para usar o espaço ao lado. Em 24 anos de experiência como zelador, Francisco Machado Sobrinho nem se lembra de quantos pepinos teve de resolver por causa da garagem. "Era uma dor de cabeça diária", conta ele, que é vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios de São Paulo.

• Um morador está de saída, mas há outro com o carro embicado na entrada. Quem cede a vez? "Não há legislação a respeito", afirma o advogado Cyro Vidal, ex-diretor do Detran. "Vale a etiqueta." Gloria Kalil ensina: "A preferência é de quem vai entrar, até para evitar que o veículo atrapalhe o movimento na rua".

• Por incrível que pareça, ainda há quem jogue lixo, bitucas de cigarro e bugigangas em geral pela janela. Se acontece muito no seu prédio, vale discutir a implantação de multas, como se fez no Copan. Em 1993, quando o síndico Affonso Celso Prazeres de Oliveira iniciou seu primeiro mandato, contabilizou uma média de até quinze objetos arremessados de cada bloco por hora. No mesmo ano, foi estabelecida a multa de um salário mínimo (hoje 380 reais) para porcalhões pegos em flagrante. "São, no máximo, dez ocorrências por ano", calcula. "Tem gente que só aprende com a mão no bolso."

• Mesmo quem não tem consciência ecológica precisa, sim, respeitar a decisão do condomínio de reciclar latas, vidros e afins. Se não por preocupação ambiental, pelo menos por razões financeiras. O Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, gasta 12 000 reais mensais para se livrar do lixo – e isso porque 15% das 5 toneladas diárias produzidas ali são recicladas. "A despesa seria 30% maior sem a coleta seletiva", estima a síndica, Vilma Peramezza.

• Carrinhos de compra – quem nunca ficou fulo ao deparar com um deles abandonado no elevador? – não sabem apertar botão nem andar sozinhos. O mínimo que se pode fazer é devolvê-los ao seu local devido após o uso.

• Quem falta à reunião de condomínio não tem direito de reclamar depois. Lembre-se de que decisões tomadas nessas assembléias (por mais entediantes que sejam) afetam diretamente sua vida. E, quando você aparecer, não tente se impor no grito.


Sobe-e-desce elegante

• Cerca de 80% dos 52 000 elevadores instalados em São Paulo – número três vezes maior que o de ônibus nas ruas da cidade – têm 1,5 metro quadrado de área. Esse aperto reforça um conselho unânime entre as consultoras de etiqueta: dentro da cabine, bico calado. O que tem até explicação científica. "As paredes refletem as ondas sonoras, o que faz qualquer ruído parecer até 50% mais alto", explica Cláudio Furukawa, físico da Universidade de São Paulo.

• Pelo mesmo motivo, nada de celular. Se você estiver numa de suas seis viagens diárias de elevador (média do paulistano), desligue-o ao entrar ou volte ao saguão para falar. Ninguém é tão importante que não possa esperar até o térreo. Além de ser uma falta de respeito ao próximo, falar ao celular no elevador é uma manifestação de exibicionismo tolo ("Vejam como sou requisitado"), de insegurança e de breguice.

• É melhor ir de escada depois de passar perfume ou de suar a camisa em atividades físicas. Siga o mesmo caminho para subir ou descer até dois andares. Além de queimar calorias, é ecologicamente correto porque economiza energia elétrica.

• Nem pense em fumar.

• No embarque: cumprimente os outros passageiros e não grude nos cantos. "O correto é ficar parado de frente para a porta", diz a consultora paulistana Célia Leão. Quem entra depois e fica sem canto acaba no meio de uma constrangedora rodinha. E nada de bloquear a porta, um segundo que seja.

• No desembarque: o cavalheirismo dá lugar à praticidade. Ou seja, sai primeiro quem está na frente, independentemente do sexo ou da idade.


Bons modos em tempos modernos

• Quer um atestado virtual de paspalho? Então cultive o hábito de mandar por e-mail um cartão musical – para quem não associou o nome à cafonice, trata-se daquelas animações com fotos fofas, decoradas com frases piegas e embaladas por musiquinhas chatérrimas.

• Mandar correntes, alertas sobre supostos golpes ou teorias conspiratórias em geral é ainda pior: faz todo mundo achar você um mala. Nada de spam.

• Tudo bem, é superlegal carregar centenas de músicas num tocador de MP3. Mas não caia na tentação de passar o tempo inteiro com o fone no ouvido – quem olha pensa que você é anti-social. "E ainda corre o risco de não ouvir um carro buzinando e ser atropelado, entre outros perigos", lembra a consultora Celia Ribeiro. Ouvir no trabalho? Só se você for crítico musical ou webmaster. Em lugares fechados, nada de volume alto. Quem está por perto não precisa ouvir música junto com você. E nem vê-lo dançar, caso isso tenha passado pela sua cabeça.

• Nos programas de mensagens instantâneas via internet (MSN Messenger, Yahoo! Messenger e similares), respeite quando seu amigo colocar "ocupado" ou "no telefone" no status. Também não abuse do recurso de chamar a atenção da pessoa com quem você conversa. E ainda: maneire nos emoticons, aquelas animações que se formam ao digitar determinadas palavras.

• Celulares que enviam e recebem e-mails. Cuidado, eles podem roubar sua atenção e deixar seu convidado com cara de tacho enquanto você resolve assuntos que poderiam ficar para depois. O mesmo vale para palmtops. "Quem faz uma coisa dessas é, no mínimo, biruta", afirma a consultora Claudia Matarazzo. "Passa o recado de que a sua companhia era segunda ou terceira opção."


Detalhes que fazem diferença

• Não jogue lixo na rua nem objetos pela janela do carro ou do ônibus. Lixo é no LIXO!

• Pilote com consciência o guarda-chuva numa situação de trânsito intenso nas calçadas.

• Ande de bicicleta nas ruas ou em lugares destinados a elas. Jamais na calçada.

• Não se apóie no capô de carros alheios para papear com a turminha.

• No supermercado, respeite os caixas preferenciais. Se são para maiores de 65 ou até dez volumes, não tente dar uma de espertalhão.

• Incremente seu vocabulário com palavras indispensáveis, como obrigado, por favor, com licença e desculpe.


No céu e na terra

• Se o seu vôo vai atrasar, não desconte nos funcionários do balcão da companhia aérea. Eles também são vítimas do caos dos aeroportos.

• Durante o vôo, não exagere no álcool – mesmo que seja para camuflar seu medo de avião. Não é porque a oferta é constante que você precisa tomar todas. "Principalmente se o passageiro estiver nervoso, estressado e inseguro", lembra o cardiologista Daniel Magnoni, presidente do Instituto de Metabolismo e Nutrição (Imen). Para evitar vexame e não incomodar os vizinhos, siga três dicas básicas: abuse da água para manter seu corpo hidratado, não misture álcool com calmante e, claro, só beba a quantidade a que você estiver habituado. Além do mais, o efeito da bebida no ar é maior do que em terra.

• Não seja egoísta. Saiba dividir os apoios para braços das poltronas do avião. Não dá para todo mundo ficar com os dois lados. O ideal seria que os passageiros se orientassem pelo encosto mais próximo da janela. Assim, o do outro lado fica livre para quem está no meio e daí por diante. "De qualquer maneira, o importante é tentar enxergar o outro", afirma Gloria Kalil. "Se você nota que a pessoa ao seu lado está sem nenhum encosto para os braços e você tem os dois, é de bom-tom ceder um."

• Não ocupe assentos preferenciais no ônibus e no metrô. De acordo com lei municipal de 1985, todos os veículos de transporte coletivo devem deixar quatro assentos para idosos, deficientes e grávidas. Em média, reservam oito. Mas nem todos respeitam. "Diariamente vejo gente sentada enquanto há um idoso em pé", conta Adelson Tavares de Lima, cobrador há sete anos. "Eu costumo ser chato e pedir para que liberem essas poltronas", diz. "É uma questão de direito e de segurança, já que essas pessoas não têm tanta agilidade para ficar em pé e podem sofrer algum acidente." O Metrô possui 5 602 assentos preferenciais – 15% do total disponível na frota. Em pesquisa realizada em 2005 com os usuários, apenas 3% disseram que nunca flagraram alguém desrespeitando essas cadeiras reservadas.

• Respeite a pressa alheia – especialmente nas 479 escadas rolantes do metrô. Trata-se de uma regra implícita levada a sério no metrô de Londres, por exemplo. A maioria dos usuários costuma se manter à direita, deixando a passagem livre para os mais apressadinhos que precisarem correr pelas escadas.

em parceria com Alvaro Leme.

Quarta-feira, 18 de abril de 2007

31 de mar. de 2009

Dez motivos para não demolir o Minhocão

1. A demolição traria mais transtornos que benefícios. Inaugurado em 1971, o Elevado Costa e Silva é a principal ligação leste–oeste da cidade. Em seus 3,4 quilômetros de extensão trafegam 70 000 carros por dia.

2. Sua retirada significaria 4 000 veículos a mais por hora circulando na Avenida São João e em outras ruas do centro. Congestionamentos gigantes na certa.

3. Do ponto de vista imobiliário, é ingênuo acreditar que os cerca de 140 prédios existentes no entorno – hoje completamente degradados – recuperariam seu valor do passado. "Com ou sem Minhocão, a classe média dificilmente voltaria a ocupar esses imóveis", diz Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio.

4. A Empresa Municipal de Urbanização, encarregada em agosto pelo prefeito José Serra de buscar alternativas para a área, não possui sequer um projeto concreto. "Temos simplesmente idéias embrionárias", afirma a diretora da entidade, Regina Monteiro.

5. Não há um estudo oficial de quanto se gastaria para demoli-lo. Fala-se em 80 milhões de reais – uma dinheirama ao levar em conta as tantas outras prioridades da cidade, que acumula dívida de 32,8 bilhões de reais.

6. A implosão de suas 1 000 vigas de concreto (30 a 40 metros cada uma) abalaria a estrutura dos prédios próximos. Mesmo que se opte por uma demolição cuidadosa, parte a parte, as construções vizinhas podem ser afetadas.

7. Já imaginou seis meses de obras na região? É o tempo estimado para colocar o viaduto no chão e tirar montanhas de entulho de lá.

8. É verdade que outras cidades no mundo estudam a retirada de vias elevadas como parte da renovação urbana. Boston, nos Estados Unidos, construiu um túnel subterrâneo que cruza a cidade nas margens da baía. Ele passou a absorver o tráfego de um "minhocão" erguido na década de 40 na região sul. Detalhe: o projeto custou 30 bilhões de reais. Ou seja, quase o dobro do orçamento anual de São Paulo.

9. Existem idéias menos radicais para amenizar o impacto dessa obra tão polêmica. Instalar biombos nas suas laterais, por exemplo, minimizaria o volume do ruído para a vizinhança. É o que se faz no Japão, onde existem vias elevadas para todo lado.

10. Aos domingos e feriados, o Minhocão se transforma. Fechado para o trânsito, vira pista para atletas de fim de semana e espaço de lazer para crianças.


Quarta-feira, 1° de fevereiro de 2006

30 de mar. de 2009

20 coisas que você não sabia sobre Felipe Massa

PERFIL
O sonho de ser campeão mundial de Fórmula 1 povoa a cabeça do paulistano Felipe Massa desde sua estréia nas corridas de kart, aos 8 anos de idade. Quando for dada a largada do Grande Prêmio da Austrália, na virada do próximo sábado (17) para domingo, ele vai acelerar com a consciência de que a chance está, mais do que nunca, em seu volante. Com a aposentadoria do heptacampeão Michael Schumacher, esta é a primeira vez – desde que Ayrton Senna morreu, em 1994 – que um brasileiro tem condições reais de brigar pelo título. "Ele está no lugar certo na hora certa", afirma o ex-ferrarista Rubens Barrichello, que até hoje não conseguiu chegar perto da conquista. Nas páginas a seguir, vinte histórias sobre a maior estrela atual do nosso automobilismo.

Ele quer se casar ainda neste ano
O namoro com a empresária Anna Raffaela Bassi, que começou em outubro de 2002, teve derrapadas na largada, mas deve terminar no pódio. Eles vão se casar em breve. "Nós nos conhecemos no Guarujá. Tinha um amigo meu que saía com uma amiga dela", conta o piloto. "Eu só pensava: que baixinho folgado, um pivete", lembra Anna Raffaela, três anos mais velha (ela tem 28 e ele, 25) e herdeira da grife paulistana Guaraná Brasil. Em dez dias estavam namorando. "Eu fugia dele", revela. "Piloto, morando fora do país e mais novo que eu... Não tinha como dar certo!" Muitas voltas depois, o casamento deve ocorrer ainda em 2007, no fim do ano. "A prioridade em minha vida é o Felipe", ela agora se derrete.

Vão morar no Morumbi
Criado no Itaim Bibi, Felipe Massa comprou um apartamento de 628 metros quadrados, com quatro suítes, no Morumbi. Deve ficar pronto no meio do ano. Estima-se que tenha pago cerca de 7 milhões de reais pelo imóvel.

Vive entre Mônaco, São Paulo, Botucatu e Guarujá
A Fórmula 1 de 2007 será disputada em dezessete cidades ao redor do mundo. Mas apenas em duas delas Massa se sente em casa: Mônaco, onde vive na maior parte do ano, e São Paulo, onde ele nasceu e onde mora sua namorada. Vai muito também a Botucatu, no interior do estado, para onde os pais se mudaram quando ele tinha 5 anos, e ao Guarujá, onde os sogros têm uma residência de praia.

Seu primeiro carro foi um Palio 1.0. Hoje, tem duas Maserati e uma Ferrari
Em comum, apenas a dona das marcas: Fiat. Seu primeiro automóvel (fora das pistas) foi um Palio 1.0 cinza-chumbo. "Antes de completar 18 anos, meu pai não me deixava dirigir", explica. "Só ganhei o carro quando tirei carta." Agora Massa coleciona três máquinas: duas Maserati Quattroporte pretas e uma Ferrari 599 cinza-chumbo.

Quando criança, queria dirigir até a charrete do leiteiro
A mãe, Ana Elena Massa, lembra as peripécias do filho: "Em Botucatu, ele convenceu o carteiro a lhe emprestar a moto. Ficou todo feliz porque deu uma volta no condomínio, mas acabou queimando a perna no escapamento. Até a charrete do leiteiro ele deu um jeito de conduzir".

Era o manobrista oficial das festas da família
Em todas as reuniões familiares, o garoto bancava o valet. Ficava esperando os tios chegarem e pedia para guardar os carros. "Era tão arteiro que fazia questão de estacioná-los bem coladinhos um ao outro, para que ninguém que não fosse tão pequeno quanto ele conseguisse entrar nos carros depois", revela a mãe.

Bom aluno? Hummm...
"Sempre dei trabalho na escola", admite Massa. "Repeti a 1ª e a 2ª série e matava aulas direto." Ele brincava de corridas imaginárias com borrachas, réguas e lápis. E nada de prestar atenção às aulas. "Contratamos até uma professora particular para ajudá-lo", diz o pai, Luiz Antonio Massa, o Titônio.

Seu bisavô fundou a maior fábrica de carrocerias de ônibus do Brasil
José Massa, bisavô do piloto, foi o fundador da encarroçadora de ônibus Caio, maior do Brasil na sua área. A empresa, entretanto, não pertence mais à família, proprietária de uma fábrica de produtos plásticos em Botucatu.

Foi sócio do Pandoro por seis meses
Um mês após seu fechamento, em julho do ano passado, o tradicional bar Pandoro, no Jardim Europa, passou para novos proprietários – Felipe Massa entre eles. Ele emprestaria sua grife à casa. "Só vou acompanhar a distância e comer", disse. Iria. Em fevereiro, a sociedade foi desfeita. "A Ferrari pediu para ele sair do negócio", afirma o empresário Marcelo Ruas, amigo do piloto. "A ordem neste ano é para ele se concentrar só na Fórmula 1." Massa nega-se a comentar o assunto.

É bagunceiro e desorganizado
Não é só a toalha molhada em cima da cama, não. Massa faz bagunça em toda a casa. "Chega e vai largando o tênis na porta, espalha a roupa pelo quarto...", reclama Anna Raffaela. "Quando ele usa o banheiro, então, parece que por ali passou um furacão."

Corre 10 quilômetros (a pé) por dia
Para agüentar o desgaste físico das pistas, todo piloto precisa ter um bom condicionamento físico. Ele pratica, diariamente, duas horas de exercícios aeróbicos e musculação. Quando está em São Paulo, costuma correr 10 quilômetros no Parque do Ibirapuera, a menos de 200 metros da academia onde malha. Entre os aparelhos que usa, há um simulador de direção desenvolvido em parceria com a Ferrari. A força necessária para girar o volante é similar à da Fórmula 1.

Pega carona com Rubinho
Foi-se o tempo em que tínhamos Ayrton Senna e Nelson Piquet duelando dentro e fora das pistas. Os rivais brasileiros agora travam uma batalha bem morna. A ponto de Massa não admitir nenhuma comparação com seu antecessor na Ferrari, Rubens Barrichello. "Nosso relacionamento é muito bom", confirma Rubinho. "Divirto-me muito com o Felipe nas comemorações dos bons resultados." A camaradagem rende até umas caroninhas. No último dia 1º, foi no avião particular de Barrichello, um Legacy, que Massa voou do Barein ao Brasil.

Leva no pescoço réplicas dos circuitos onde venceu
Preocupada com os riscos da profissão do namorado, Anna Raffaela presenteou-o, no primeiro Natal que passaram juntos, com um escapulário de prata. Disse que era para protegê-lo. Ele não o tira nunca, nem para tomar banho. Depois, ela lhe deu outros mimos: um capacetinho de ouro branco e réplicas dos dois circuitos onde ele venceu, Turquia e Brasil. "Espero que logo minha correntinha esteja tão cheia deles que até pese no meu pescoço", diz o piloto.

Se vai bem em um treino, não tira mais a cueca
Massa tem uma superstição: quando vai bem nos treinos, repete a cueca durante todo o fim de semana. "Coincidência ou não, usava a mesma cueca, branca, nos dois GPs que venci", conta. "Claro que eu já a marquei para utilizá-la novamente outras vezes."

Existem dezenas de perfis falsos no Orkut com seu nome
Há 400 comunidades no Orkut dedicadas a Massa e 59 perfis de gente que tenta se passar por ele. "Nunca me interessei em participar do Orkut porque acho que é muita exposição", diz. "Mas já entrei algumas vezes com a senha do meu irmão para ver o que andam falando de mim."

Garante que não chora nem se o Schumacher voltar a correr
Quando chorou pela última vez, Massa não passava de um quase anônimo piloto de Fórmula Renault. "Foi numa corrida que eu liderava com trinta segundos de vantagem para o segundo colocado e acabei rodando", lembra. O snif! snif! não se repetiu. "Nem ganhar o GP Brasil me fez chorar. Quando me emociono, é como se a lágrima secasse antes de cair."

Adora mesas estreladas
"O que mais aprecio em São Paulo são os bons restaurantes", diz o piloto, freqüentador do Gero, nos Jardins, e do circuito gastronômico da Rua Amauri. "Na semana do GP Brasil, em outubro, ele esteve aqui com quatro amigos", conta o gerente do Gero, Ricardo Trevisani. "Saboreou uma costeleta de vitela à milanesa e tomou Coca-Cola."

Pagar mico na TV? Nem pensar
Massa sempre foi reservado. Quando começou na Fórmula 1, redobrou os cuidados com a mídia. "Recebemos dezenas de pedidos de entrevista e convites para programas de TV, mas filtramos tudo", admite Márcio Fonseca, seu assessor de imprensa. "Nós nos negamos a ir ao Casseta & Planeta e ao programa do Tom Cavalcante, por exemplo." Massa receia que a superexposição banalize o seu trabalho.

Se quiser, só usa roupas que ganha de presente
Imagine embolsar milhões de dólares por ano mas, mesmo assim, não precisar enfiar a mão no bolso para se vestir com as melhores roupas da Puma e da Dolce&Gabbana. Felipe Massa tem esse privilégio, graças a um acordo com as duas marcas. Vaidoso e preocupado com a aparência, ele aproveita para rechear o guarda-roupa sempre que vai a Milão, na Itália. "Corro em uma categoria que é um glamour", justifica.

Ganha 8 milhões de dólares por ano
"Quando o Felipe foi embora para a Europa, tivemos de vender um carro para ajudar a mantê-lo", diz o pai do piloto. A dureza acabou. Estima-se que Massa tenha um salário anual de 8 milhões de dólares. É menos do que ganha Rubens Barrichello (10 milhões), atualmente na Honda, e Kimi Raikkonen (25 milhões), seu companheiro na Ferrari. Mas já é o dobro do que o próprio Felipe recebia em 2006.


Quarta-feira, 14 de março de 2007

24 de mar. de 2009

A hora da Vila Leopoldina

IMÓVEIS
De carona nos novos prédios, empresários investem na região

Em dezembro do ano passado, o empresário Luiz Massella resolveu ampliar sua pizzaria, a Ritto. Com mais 45 lugares, ela passou a comportar 185 clientes. Fez bem. Afinal, se em 2005 a casa costumava receber 280 pessoas em uma noite de sábado, agora são cerca de 350. "E espero continuar crescendo de 20% a 25% ao ano", diz. O movimento em seu restaurante é reflexo do momento vivido pela Vila Leopoldina, bairro que fica entre a Lapa e o Alto de Pinheiros, na Zona Oeste. A região foi descoberta pelo mercado imobiliário em meados dos anos 90. Pouco tempo depois, passou a receber um grande número de edifícios residenciais destinados à classe média. Além da oferta de apartamentos cada vez maior, uma das razões dessa atração é a boa localização, nas proximidades das marginais e do Parque Villa-Lobos, por exemplo. "Se continuar assim, daqui a dez anos a Vila Leopoldina será uma nova Moema", prevê Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

É uma ótima notícia para quem tem imóvel no bairro. Em 1996, o preço do metro quadrado de área construída não chegava a 1 500 reais. Hoje, custa o dobro – para comparar, em Moema o valor médio é de 5 300 reais. "Quando, há dois anos e meio, paguei 380 000 reais por meu apartamento de 180 metros quadrados, não esperava essa valorização", afirma a engenheira civil Adriana Marcellino. "Foi um belo investimento." Nascido de um loteamento realizado em 1894, o bairro era o endereço de diversas olarias no início do século XX. Na década de 50, com a construção do Centro Industrial Miguel Mofarrej, grandes indústrias se instalaram por lá. De certa forma, esse passado preparou terreno para os espigões que atualmente são erguidos ali. "É mais fácil negociar com um só proprietário do que com diversos donos de casinhas, quando precisamos de uma área para construir um novo prédio", explica Fabio Romano, gerente de uma incorporadora que atua no bairro. "A procura é tão grande que temos vendido um apartamento por dia." De carona com o progresso, vem o problema do trânsito. Moradores da Rua Carlos Weber – onde estão dezessete dos últimos 61 lançamentos na Vila Leopoldina – já reclamam que, em horário de pico, a situação está complicada. "A rua é estreita para ser mão dupla", diz Adriana Marcellino. "A CET precisa tomar providências logo."

No encalço dessa corrida imobiliária, os estabelecimentos comerciais funcionam como um acabamento do novo perfil da região. "Decidimos apostar, já que hoje há muita gente com alto poder aquisitivo morando por aqui", conta o empresário Marco Antonio Soraggi, que inaugurou sua loja de computadores no início deste mês. Mercados, farmácias, locadoras, papelarias... Aos poucos, os moradores da Vila Leopoldina começam a ter de tudo na porta de casa. "Reinávamos sozinhos. Agora, é preciso investir para não perder espaço para a concorrência", admite o empresário Paulo Henrique Alves, que vai gastar 1,6 milhão de reais na reforma de sua padaria. Ele pretende atender, no início do ano que vem, 140 pessoas sentadas. Hoje, tem apenas 25 lugares. "O público daqui mudou", constata. "Os vizinhos não querem somente entrar na padaria para comprar um pãozinho, mas tomar seu café-da-manhã conosco."

Números do bairro

1 294 unidades
foram lançadas nos últimos dois anos

250 000 reais
é o preço médio de um apartamento de 90 metros quadrados

2 800 reais
é o preço médio do metro quadrado – há dez anos, não chegava a 1500 reais


Quarta-feira, 25 de outubro de 2006

23 de mar. de 2009

O magnata do sexo

NOITE
Dono do Bahamas, ponto de encontro de garotas de programa, o polêmico, falastrão e encrencado Oscar Maroni é acusado de formação de quadrilha, tráfico de mulheres e favorecimento à prostituição

A bordo de um reluzente Jaguar verde, modelo S-Type, avaliado em 200.000 reais, o empresário Oscar Maroni Filho dirigia sem rumo por rodovias nos arredores de São Paulo na noite de terça-feira (7). Com um gorro preto para evitar ser reconhecido ("Minha careca é quase um RG"), ele ainda se adaptava à condição de foragido da Justiça. A vida do dono da boate Bahamas, notório reduto da prostituição de luxo em Moema, ficou complicada depois do acidente com o avião da TAM no Aeroporto de Congonhas, em 17 de julho. Ocorre que ele também é dono do Oscar's Hotel, construído a 600 metros do aeroporto, muito próximo da rota dos aviões. A prefeitura viu irregularidades na obra e mandou fechar o hotel e o Bahamas, que tem bar, restaurante, pista de dança, sauna mista e shows de strip-tease, apresentados no palco e em um lago com carpas. Maroni zombou pessoalmente do prefeito Gilberto Kassab, a quem apelidou de "Madre Superiora", e protestou, ao lado de sua poodle Docinho, contra a interdição. Desde então, não parou de dar entrevistas. Em uma delas, ele teria admitido a prática de prostituição em sua boate: "Sim, é prostituição de luxo sim, não vamos ser hipócritas". Dois dias depois, teve a licença do Bahamas cassada e o Ministério Público Estadual o denunciou por formação de quadrilha, exploração de prostíbulo, favorecimento à prostituição e tráfico de mulheres. "Eu estava transando com a minha namorada quando o telefone tocou e soube da ordem de prisão", conta Maroni, referindo-se ao mandado expedido pela 5ª Vara Criminal. "Eu me desesperei e saí correndo pelado pelo quarto." Seus advogados impetraram habeas corpus, mas o pedido foi negado na última quinta-feira pelo Tribunal de Justiça.

Em funcionamento há 27 anos, o Bahamas recebia uma média de 200 clientes e 150 garotas de programa por dia – a entrada custa 135 reais para homens e 35 para mulheres. Cada uma delas cobrava de 300 a 500 reais por uma hora de entretenimento num dos 23 quartos existentes na casa. O negócio transformou Maroni num magnata do sexo. Entre os bens que gosta de ostentar figuram uma coleção de carros importados, uma fazenda com 12 000 cabeças de gado em Araçatuba, no interior do estado, dezenas de imóveis e o tal hotel. Vaidoso e falastrão, mesmo diante de situações adversas Maroni adora fazer propaganda de si mesmo e de suas proezas sexuais. Afirma que, num cálculo modesto, já foi para a cama com 1.500 mulheres. Com declarados "50 e uns anos", três vezes por semana treina boxe e faz musculação. "Eu curto a estética", diz ele, que exibe uma tatuagem com as iniciais de seu nome no braço esquerdo. "É idêntica à usada para marcar meus bois e cavalos."

Outro orgulho de Maroni são os oito pares de botas que sempre calça. "Um deles é de orelha de elefante, outro de couro de crocodilo e agora vou comprar um de pele de tubarão", gaba-se. Pode chegar ao trabalho num alinhado terno Armani ou em jeans rasgado e camiseta justa. "Gosto de me vestir assim, criando estilos." Na verdade, ele quer se parecer com Larry Flynt, dono da revista americana Hustler, conhecido pelas polêmicas em torno da promoção de pornografia. Outro de seus ídolos é Hugh Hefner, o idealizador da revista Playboy e famoso por promover festas particulares com as playmates. Maroni está reformando uma cobertura de 320 metros quadrados no 20º andar de um prédio em Moema. Planeja se mudar em breve para lá com a namorada de 23 anos. "Vou promover festas iguais às do Hefner", promete.

Até enriquecer, enfrentou muitos percalços. A acusação de lenocínio, como é chamado o incentivo de qualquer tipo à prostituição, rendeu-lhe duas passagens rápidas pela cadeia, em 1996 e 1998. O porte ilegal de armas foi a razão da terceira visita ao xilindró, em 2004. Formado em psicologia, Maroni teve seu próprio consultório durante seis anos. Difícil acreditar que ele seria capaz de ouvir um paciente. Agitado, fala sem parar e repete exaustivamente algumas histórias e frases de efeito, como: "Posso ser imoral, mas não sou ilegal". Paulista de Jundiaí, filho de uma família de classe média, conta que desde cedo foi atraído pelo universo da prostituição. Aos 17 anos, já morando em São Paulo, ele mantinha o hábito de ficar na porta da extinta e luxuosa boate La Licorne, na Rua Major Sertório, na Vila Buarque, para observar a chegada das garotas de programa. "Aquilo me fascinava, mas eu não tinha dinheiro para pagar." Na faculdade, comprou um trailer de cachorro-quente e começou a ganhar dinheiro. Com a venda dos sanduíches, diz ele, comprou uma casa de prostituição, depois outra, até se desfazer de tudo para investir no Bahamas. Ele alega usar a mesma fórmula desde o início. O faturamento viria da venda de ingressos e bebidas – lá, uma garrafa de uísque 8 anos custa incríveis 590 reais. Maroni afirma não ter participação nos cachês cobrados pelas jovens entre 18 e 25 anos que freqüentam o Bahamas. "Ganho apenas na entrada de homens e mulheres. Se eles transam nos quartos, não é problema meu."

em parceria com Fabio Brisolla.


Quarta-feira, 15 de agosto de 2007

22 de mar. de 2009

O site da prefeitura melhorou, mas...

INTERNET
...há erros para corrigir, embora a navegação agora seja mais simples

Em média, 50 000 pessoas por dia acessam o endereço eletrônico da prefeitura paulistana (www.prefeitura.sp.gov.br). A maioria busca informações corriqueiras, como índices de tributos ou dados relacionados ao IPTU. Desde o último dia 25, os paulistanos que preferem trocar as filas nos órgãos públicos pelos cliques no computador têm à disposição um site remodelado. Além da nova roupagem, os dados estão mais bem organizados. "Agora, o usuário não tem a obrigação de entender o organograma da prefeitura para conseguir o que precisa", afirma o secretário de Gestão, Januario Montone. Antes, o site era estruturado a partir do sem-número de repartições da burocracia municipal. Já a nova versão é fundamentada em quatro pilares: serviços oferecidos aos paulistanos; informações para empresas; leis, contratos e andamento de licitações; e direitos e deveres dos funcionários públicos. Com base nesses links, as informações são cruzadas e o internauta é conduzido às páginas do departamento responsável. Para conferir os relatórios orçamentários, por exemplo – e verificar se a administração está cumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal –, o portal leva o usuário até a página correspondente da Secretaria de Finanças. O ponto de partida passa a ser o assunto que o cidadão deseja consultar, e não a secretaria ou empresa correspondente.

Na barra superior da home page aparecem informações úteis como a previsão do tempo e a extensão dos congestionamentos de trânsito em São Paulo naquele momento. Outra novidade interessante é o intercâmbio com outros sites. Além dos das secretarias e subprefeituras, há o Dicionário de Ruas, o Cidade de São Paulo (mantido pela SPTuris) e o da CET, entre outros. Só que nem tudo é boa notícia. Veja São Paulo testou o novo site e encontrou falhas nas páginas internas (veja o quadro abaixo). A navegação ficou mais fácil, mas há erros para corrigir.



Quarta-feira, 7 de junho de 2006

21 de mar. de 2009

Corredor verde

MEIO AMBIENTE
Trecho da Radial Leste vai ganhar ciclovia e 1564 árvores

Uma nova e bela roupagem pode tomar conta da Radial Leste a partir de janeiro do ano que vem. A prefeitura e o Metrô firmaram convênio que prevê a instalação de uma ciclovia de 12 quilômetros entre as estações Tatuapé e Corinthians-Itaquera, trecho em que os trens trafegam no nível da avenida. Ao longo do percurso serão plantadas 1564 árvores, uma a cada 7,5 metros, em média. Mais de 900 postes vão iluminar o caminho dos ciclistas. Trata-se de um investimento de 9 milhões de reais, que será bancado pela administração municipal. O Metrô cedeu o espaço e desenvolveu o projeto. "Incentivar o uso de bicicletas e arborizar toda a região representa uma mudança de mentalidade", acredita o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge.

A ciclovia (que se somará aos parcos 30 quilômetros existentes em São Paulo) vai interligar oito estações da Linha Vermelha. Uma delas, a Guilhermina-Esperança, conta com um bicicletário que comporta 100 magrelas. Apenas dezessete pessoas por dia têm utilizado o serviço gratuito. Até janeiro, outros dois devem ser construídos, nas estações Carrão e Corinthians-Itaquera. "O ideal seria termos trinta bicicletários na cidade", diz o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella. Não é de hoje, aliás, que o Metrô vem incentivando o uso de bicicletas. Desde fevereiro, é permitido transportá-las nos trens paulistanos aos sábados, domingos e feriados, em vagões determinados.

Durante uma reunião ocorrida no início do mês, os secretários Portella e Eduardo Jorge apresentaram o projeto aos subprefeitos de Aricanduva, Itaquera, Mooca e Penha, cujas áreas serão beneficiadas. A idéia é que o conceito paisagístico aplicado na ciclovia seja repetido em outros pontos da região. "Juntos, vamos pensar na melhor maneira de arborizar toda a Radial, inclusive os canteiros centrais", afirma Jorge. Uma boa notícia para a Zona Leste, que, assim, fica menos cinzenta.


Quarta-feira, 18 de julho de 2007

20 de mar. de 2009

O clube dos escritores

CULTURA
Entre um chá (ou uísque) e uma tertúlia, acadêmicos paulistas querem mudar a imagem de sua instituição

Eleito em fevereiro, o escritor Ignácio de Loyola Brandão acaba de assumir a cadeira 37 da Academia Paulista de Letras (APL) – vaga desde a morte, há sete meses, do poeta Sólon Borges dos Reis. "Mandei uma carta diferente para cada um dos acadêmicos e, acredito, tive muitos cabos eleitorais lá dentro", conta o escritor, sobre a campanha. Como é de praxe nas academias, sua eleição foi combinada antes de os votos irem para a urna. Candidato único, não era a primeira vez que ele flertava com a APL. Quando o jurista Miguel Reale morreu, em abril do ano passado, Loyola cobiçou a cadeira. Foi dissuadido por alguns membros, que o aconselharam a aguardar melhor momento, pois naquela ocasião estava tudo acertado para a eleição do próprio filho do acadêmico, o também jurista Miguel Reale Júnior.

Esse clubinho de literatos, fundado em 1909, é formado pelas mais variadas figuras. Há desde autores conhecidos, como a romancista Lygia Fagundes Telles, o poeta Mário Chamie e o próprio Loyola, até empresários, como Antônio Ermírio de Moraes e José Mindlin. Aos 70 anos, Loyola é o sétimo mais jovem da APL – a média de idade dos membros é de 78 anos. O mais velho é o engenheiro Milton Vargas, 93. Na outra ponta está o ex-secretário estadual da Educação Gabriel Chalita – 37 anos e 42 livros publicados. Chalita garante que não se sente à parte como caçula da turma. "Meus colegas me tratam com muito carinho", diz. "Fico até impressionado como eles sugerem coisas, lêem o que eu escrevo..."

As reuniões da academia ocorrem às quintas-feiras, no 2º andar de um prédio no Largo do Arouche, no centro. Inaugurado em 1955, o edifício foi construído em um terreno doado à APL pelo governo do estado. A instituição ocupa o térreo e três de seus dezesseis andares – no restante funciona a secretaria estadual de Educação, que paga 56 000 reais mensais de aluguel. Um negocião. "É o que nos mantém", afirma o atual presidente da casa, o jurista José Renato Nalini. "Afinal, precisamos arcar com o pagamento de luz, gás, água, correio e dez funcionários." Outra despesa são os jetons: cada acadêmico recebe 250 reais para comparecer aos encontros – o que dá 1 000 reais por mês, caso ele vá todas as semanas. "Alguns dependem disso para os seus gastos pessoais", diz Nalini. "Sabe quanto um escritor ganha de direitos autorais? Os intelectuais vivem com muita dificuldade."

Antes de cada sessão há um chá da tarde. São servidos salgadinhos, canapés, bolos, frutas, sucos e, caso alguém queira, cerveja ou uísque. Bebidas alcoólicas foram introduzidas no menu da casa pelo escritor e jornalista Luís Martins (1907-1981), nos anos 70. "Ele sempre gostou de uísque", lembra sua viúva, a contista Anna Maria Martins, hoje titular da cadeira 7. "Era de um grupo de intelectuais ao qual pertenciam o pintor Lasar Segall, o poeta Vinicius de Moraes e o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda." A dois anos de comemorar seu centenário, a academia esforça-se para mudar a imagem de sisuda e inalcançável. Tem a ambição de se transformar em um centro cultural à disposição dos paulistanos. Esse processo foi iniciado em 2005, quando o jurista Ives Gandra Martins assumiu a presidência, e continua na gestão atual. "Quero que a juventude se interesse por leitura, por escrever, por pensar", afirma Nalini.

Quase toda semana ocorrem ali debates e palestras abertos ao público. Entre os temas que foram alvo das tertúlias estão as implicações da filosofia de Friedrich Nietzsche no direito e as obras dos intelectuais Caio Prado Júnior, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. Na quinta (19), às 17 horas, haverá um debate sobre meio ambiente. O próximo passo será promover maior acesso à biblioteca, cujo acervo de 100 000 volumes só pode ser consultado por não-acadêmicos com agendamento prévio (3331-7222). "É a maior riqueza da APL", diz Mário Chamie, indicado por seus colegas para disputar o Prêmio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, na Espanha, cujo resultado sai no meio do ano.

Curiosidades sobre a Academia Paulista de Letras

• Por sessão a que comparecem, os acadêmicos ganham um jetom de 250 reais

• Por mês, a APL recebe 56000 reais de aluguel ­ treze dos dezesseis andares do prédio são ocupados pela Secretaria de Estado da Educação

• A biblioteca, localizada no 3º andar, possui 100 000 volumes

• O acadêmico mais velho é o engenheiro Milton Vargas, com 93 anos. O caçula é o ex-secretário de Educação Gabriel Chalita, com 37

• A média de idade dos quarenta membros da APL é de 78 anos. Três a mais do que na Academia Brasileira de Letras (ABL)

• Ao contrário do que acontece na ABL, os acadêmicos paulistas não usam fardão nas cerimônias de posse


Quarta-feira, 18 de abril de 2007

13 de mar. de 2009

Funcionário animal

BICHOS
Empresas lançam mão de mascotes para descontrair o ambiente

Todos os dias, por volta das 9 da manhã, Maktub fica numa agitação só. O boxer sabe que, quando a publicitária Silvana Tinelli sai para o trabalho, ele vai a tiracolo. Com 7 meses de idade, o cão praticamente integra o quadro de 65 funcionários da agência novaS/B, no Jardim Paulistano. "É o terceiro boxer que convive com a gente nesses dezessete anos da empresa", conta Silvana. "Ele humaniza a agência e nos dá alegria." Maktub tem liberdade para circular e entrar nas salas e, duas vezes por semana, é adestrado por um treinador particular. Ah, sim. Ele não é o único animal que freqüenta o pedaço. Não raras vezes, os jabutis Michelangelo, Felippo, Rafaelli e Luana aparecem de mansinho no meio de reuniões. "Esses bichos fazem com que nos sintamos em casa", diz o publicitário Valmir Leite.

Claro que, para a convivência dar certo, o animal precisa ser saudável e comportado. Sharon, da raça labrador, "bate cartão" na Ricardo Aquino Arte e Design, loja de decoração em Pinheiros. "Ela nunca quebrou nenhuma das minhas delicadas peças", diz o designer Ricardo Aquino. O fotógrafo Alvaro Elkis, que trabalha com dois colegas num estúdio nas Perdizes, é rigoroso com seu golden retriever. "O João não mexe em nada porque sabe que, se derrubar algo, fica para fora." Para a sorte dos que não toleram animais de estimação ou, no máximo, gostam deles desde que bem longe, lá fora, amarradinhos, ainda são poucas as empresas paulistanas que liberam seus corredores para a bicharada. "Estudos comprovam que a presença de mascotes no ambiente de trabalho reduz o stress e a ansiedade dos funcionários", diz o zootecnista Alexandre Rossi, que leva dois vira-latas para o seu escritório em Pinheiros. "Os benefícios para os cães também são enormes, já que eles gostam de fazer parte de um grupo."

A buldogue francesa Pig precisou enfrentar as urnas antes de conviver com os vinte funcionários na sede da fábrica de rações Premier Pet, no Brooklin. "Ela foi aceita por unanimidade", conta Daniela Komatsu, coordenadora de marketing. A empresa batalhou ainda por uma autorização especial da administradora do edifício comercial onde está situada para que a cachorra pudesse entrar e sair todos os dias. Já a advogada e empresária Ruth Vallada, diretora do showroom da fábrica de móveis Clássica Design, no Campo Limpo, encontrou outra maneira de driblar o descontentamento de alguns funcionários. Os vira-latas Spike e Kita ficam entre os móveis do showroom, onde são bem-aceitas e divertem o ambiente. "Lá na fábrica, elas vão pouco. Levo-as para o almoço, no refeitório, em um cantinho que é delas", diz. "Alguns funcionários não gostam muito, mas ninguém chega a reclamar."

Quem decidiu ter uma mascote na empresa não se arrepende. "A Farah até ajuda nas vendas", garante Eneida Bertolucci, sócia da loja de luminárias Bertolucci, na Lapa. "Quando o cliente vem com criança, então, ela se derrete toda." Esse apelo, digamos, comercial dos animais foi bem explorado pela loja de produtos de natação Pro Swim, no Campo Belo. "Há dez anos temos nosso chow-chow na empresa", conta a gerente Mônica Freitas. O cachorro, que alegra principalmente a meninada, estampou o cartão de Natal da empresa e inspirou até um bichinho de pelúcia chamado Chowchinha – um cãozinho estilizado vestindo sunga e óculos de natação.


Quarta-feira, 23 de maio de 2007

12 de mar. de 2009

Aventura ecológica

VALE A VIAGEM
No Parque das Neblinas, a uma hora e meia de São Paulo, dá para fazer trilhas, andar de bike, praticar canoagem ou apenas curtir a natureza

Caminhar pelas trilhas do Parque das Neblinas, no limite entre Bertioga e Mogi das Cruzes, a 115 quilômetros da capital, é refazer os trajetos dos trabalhadores que derrubaram a mata original dali. "Até os anos 50, essa região era intensamente explorada pela indústria do carvão", conta Guilherme Rocha Dias, coordenador do parque. "Quando a área, recuperada, foi aberta à visitação, mantivemos as mesmas trilhas." Adeptos de caminhada ecológica encontram seis opções de rota, todas ladeadas por muito verde e animais silvestres. A mais longa, recomendada apenas para aventureiros experientes, dura quatro horas e oferece uma bela visão da orla de Bertioga.

Na década de 60, a fábrica de papel Suzano comprou terras na área. Encontrou-as devastadas pelos carvoeiros. O objetivo da empresa era plantar eucaliptos para extrair a celulose, sua matéria-prima – o que continua fazendo em lotes próximos ao parque. Em 1988, reservou os arredores do Rio Itatinga para que a Mata Atlântica se recuperasse. Dezesseis anos depois, abriu o Parque das Neblinas, administrado pela ONG Instituto Ecofuturo. Em seus 28 quilômetros quadrados foram catalogadas 226 espécies de aves, 47 de anfíbios, 35 de mamíferos e oito de peixes. Esse trabalho de contagem é feito em parceria com instituições de ensino superior, como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de Mogi das Cruzes.

Todas as atividades destinadas aos visitantes têm foco ambiental. É preciso acordar cedo para apreciar a beleza do parque e ter espírito intrépido. Além das trilhas, dá para praticar canoagem, andar em uma pista de arvorismo e pilotar mountain bike. Entre as opções menos radicais, há oficina de fotografia e um curso que ensina a identificar orquídeas. A entrada é gratuita, mas as atividades são cobradas (os preços variam de 30 a 100 reais por pessoa, conforme o pacote contratado).

Vá preparado. Tudo é muito rústico. O celular, por exemplo, não pega. "Às vezes, recebemos grupos dispostos a acampar no meio da mata", conta a bióloga Michele Martins, que coordena o processo de visitação. "É um acampamento natural, não tem nem banheiro." Para atender os turistas, há uma simpática casa de fazenda, que funciona como sede. Nela, os interessados assistem a um videozinho que conta a história do parque e encontram a estrutura de apoio: guarda-volumes, banheiros e uma cozinha (com fogão a lenha) de onde saem receitas caipiras preparadas por moradoras de Taiaçupeba, distrito de Mogi das Cruzes.

Parque das Neblinas. Rodovia SP 102, quilômetro 85. Bertioga (SP). 4724-0555. As visitas devem ser agendadas.


Quarta-feira, 9 de julho de 2008

27 de jan. de 2009

Brasil às moscas

CIDADE
Tradicional avenida paulistana está com 15% de seus imóveis vazios

Basta um passeio rápido pelos 2,5 quilômetros da Avenida Brasil, no Jardim América, para notar a abundância de placas de imobiliárias: de cada sete imóveis da via, um está disponível para venda ou locação. Uma média de 15%, mais que o dobro da encontrada no restante da capital. Os altos preços cobrados pelos proprietários, as restrições da Lei de Zoneamento e a idade dos imóveis são as causas da baixa procura. "Quando analisam a relação custo-benefício, os interessados optam por instalar seus escritórios na região da Paulista, por exemplo", afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). O aluguel de um casarão na Brasil chega a custar 80 000 reais mensais. Para se tornar dono do imóvel, então, é preciso assinar um cheque de até 10 milhões de reais.

Antes estritamente residencial, a Avenida Brasil atualmente é ocupada por quase duas dezenas de clínicas e laboratórios médicos, além de escritórios. Estão ali uma unidade do Hospital Albert Einstein e consultórios como o do cirurgião plástico Munir Curi, o do especialista em reprodução humana Roger Abdelmassih e o da dermatologista Ligia Kogos. "A região vem se caracterizando por ter centros médicos de boa qualidade", acredita Abdelmassih, que paga mais de 25 000 reais de aluguel por uma casa de 1 600 metros quadrados. "É um lugar tradicional e de fácil acesso a quem vem de fora", diz Ligia, que há seis anos atende em um sobrado construído no início do século passado. A avenida também é o endereço de dez lojas de material para construção, todas camufladas como showrooms (a Lei de Zoneamento permite apenas serviços no local, restringindo o comércio a alimentação, móveis, farmácias, antiquários e bancas de revistas).

Quando foi urbanizado, em 1915, o corredor era uma das vitrines da São Paulo que se modernizava. Ganhou amplos canteiros centrais, ornamentados com palmeiras, tipuanas e paineiras, e assumiu o posto de principal via do Jardim América, loteamento da companhia inglesa City planejado pelo arquiteto e urbanista Barry Parker. Foi lá que ocorreu uma das primeiras provas automobilísticas da cidade, em 1936, vencida pelo lendário italiano Carlo Pintacuda. O evento terminou em tragédia: a também famosa corredora francesa Hellé-Nice perdeu o controle de seu Alfa Romeo e matou quatro espectadores. Outros 22 ficaram feridos. Algumas décadas depois, muitos moradores migraram para ruas do miolo dos Jardins, onde o barulho causado pelo trânsito é menor e a privacidade, maior.

Se as condições atuais continuarem espantando interessados, os casarões vazios devem provocar a desvalorização de seu entorno. Enquanto um imóvel leva em média cerca de três meses para ser negociado em São Paulo, na Brasil esse processo tem demorado mais de seis. "A tendência é que, a médio prazo, os preços caiam", acredita Pompéia.


Quarta-feira, 12 de abril de 2006

26 de jan. de 2009

Os nossos Sherlocks

POLÍCIA
Como funciona o Instituto de Criminalística, cujo laboratório de DNA ajuda a identificar as vítimas do acidente de Congonhas

exames de DNA depois de excluídas todas as outras possibilidades de identificação: reconhecimento visual, impressões digitais e arcada dentária", explica a perita Norma Bonaccor-so, há dez anos na equipe. "Mas decidimos iniciar paralelamente esse processo para tentar minimizar o sofrimento dos familiares." Um andar acima, numa sala que em nada lembra os cenários de CSI, série campeã de audiência nos Estados Unidos sobre os bastidores de um laboratório de perícia criminal, funciona o Núcleo de Engenharia, ou-tro departamento envolvido com o acidente do dia 17. As investigações a respeito das condições do avião e do aeroporto são de competência federal. Quatro engenheiros do IC, no entanto, foram acionados para colher provas para o inquérito aberto pelo 27º Distrito Policial da capital, que apura as responsabilidades pelas 200 mortes. Os peritos do departamento nunca estiveram diante de uma tragédia dessas dimensões, a maior da história da aviação brasileira. Mas eles acompanham muitos outros casos – em média, cinqüenta por mês. Atualmente, por exemplo, ainda investigam o desabamento da Estação Pinheiros do metrô, em janeiro, e o acidente com uma grua que matou quatro operários na Marginal Pinheiros, em junho.

Estruturado em dezenove núcleos, o IC atua como auxiliar do Judiciário. Os 1 100 peritos que trabalham ali elaboram, juntos, 2 milhões de laudos por ano. Faz parte da rotina deles analisar objetos e locais. Ou seja, buscam evidências o tempo todo. "Nosso trabalho ajuda a prender os culpados e libertar os inocentes", diz Sumara Antonio Quixadá, há 21 anos no Nú-cleo de Balística. Para se tornar um perito e embolsar um salário inicial de 4000 reais, é preciso ter formação superior (em qualquer área), ser aprovado em um concurso público e fazer um curso preparatório de onze meses na Academia de Polícia. O instituto foi fundado em 1924 – chamava-se Delegacia de Técnica Policial – com a missão de aplicar métodos científicos no esclarecimento de crimes. Desde 1998, com a criação da Superintendência da Polícia Técnico-Científica, o IC está diretamente ligado ao Instituto Médico Legal – ambos dividem um orçamento anual de 157 milhões de reais vindo da Secretaria Estadual de Segurança Pública, mais 800000 reais do governo federal. Verba nem sempre suficiente. Apesar dos esforços dos funcionários, a estrutura física do IC é precária. Muitas salas são improvisadas, algumas caixas de papelão fazem as vezes de armário e há peritos que reclamam da falta de material. "Não temos sequer luvas de couro para trabalhar com destroços", diz Antonio Nogueira Neto, do Núcleo de Engenharia. "No caso de Congonhas, tivemos de usar máscaras emprestadas da Defesa Civil."

À espera da Aeronáutica
Pouco mais de uma hora após a tragédia, o engenheiro Lourenço Trapé Neto, do Núcleo de Engenharia, chegou às proximidades do Aeroporto de Congonhas. "Ainda não haviam começado a resgatar os corpos", lembra. Ele e outros três dos 24 peritos de sua equipe estão no caso. Munidos de câmera fotográfica, vistoriaram o prédio atingido, os destroços do avião e toda a situação da área ao redor. Como se trata de um acidente aéreo, agora precisam aguardar por um relatório da Aeronáutica, prometido para daqui a seis meses. "Não temos acesso à caixa-preta, por exemplo", diz. "Por isso, dependemos dessa investigação para concluir a nossa perícia."

Mutirão para analisar mais de 100 amostras
A cada seis horas, chegam ao laboratório de DNA do Instituto de Criminalística mais amostras dos corpos não identificados do maior desastre aéreo já acontecido no Brasil. Até a manhã da última quinta (26), eram mais de 100. "Essa etapa do exame torna-se menos complexa quando conseguimos extrair o DNA de células do sangue", conta a perita Norma Bonaccorso, que retornou antecipadamente das férias para coordenar as pesquisas. Em casos de carbonização, os peritos normalmente analisam os ossos. "Recebemos um fragmento e precisamos prepará-lo, em banho-maria, para isolarmos a célula", diz. "A partir daí, quebramos as membranas da célula, extraímos o DNA e comparamos com o de um familiar." No dia 21, foram coletadas amostras de sangue de 84 familiares de vítimas. Exames feitos com ossos costumam levar, na mais otimista das hipóteses, uma semana para ficar prontos. Devido às condições atípicas dessas amostras, no entanto, a equipe não se arrisca a estipular prazo para a conclusão do trabalho.

Detalhistas e boas de tiro
Quando olham para um projétil, em casos de crime, todos os dezenove peritos do Núcleo de Balística enxergam detalhezinhos que passariam despercebidos para os leigos. "É como uma impressão digital", conta Sumara Antonio Quixadá, que às vezes chega a ficar seis horas consecutivas de olhos grudados nas lentes de um dos três microscópios do departamento. "Depois de disparado, um projétil nunca é igual a outro." A caçula da equipe, Fabiana Paiva Pires, 28 anos, começou a trabalhar em janeiro e ainda tem muito o que aprender. Mas não se intimida. "Gosto de armas desde criança", afirma, com cinco band-aids nos dedos machucados de tanto manuseá-las. "Trabalhar aqui é um sonho, pois chego a dar 200 tiros por dia." No núcleo há um espaço destinado a esses disparos. São necessários para testar as armas apreendidas, muitas vezes em más condições, e comprovar o uso das mesmas nos crimes investigados. Informações importantes que, como tudo no IC, se transformam em laudos.

Oitocentos computadores para analisar
No fim da década de 60, o adolescente Sérgio Shoiti Kobayashi devorava livros de ficção científica e sonhava com supercomputadores. Desde janeiro, ele dirige o Núcleo de Perícias de Informática, onde trabalham doze peritos. "Tenho cerca de 800 computadores na fila de espera para analisar", diz. "Cabe tanta informação neles que encontrar indícios é como achar agulha em palheiro." Estão com a equipe, há um mês, os 25 discos rígidos dos computadores utilizados pelos alunos que invadiram a reitoria da USP, durante a greve estudantil ocorrida neste ano. Dentro dos discos, há atas de reuniões, textos de panfletos e outros documentos. "Eles apagaram diversos arquivos, mas nós os estamos recuperando", afirma Kobayashi. "Todos os nomes envolvidos constarão no laudo." A perícia deve ser concluída dentro de um mês.


Quarta-feira, 1º de agosto de 2007