7 de abr. de 2009

Caçamba toma vaga que era de deficiente

ACESSIBILIDADE
Em 6 meses, CET realizou 2.204 autuações; multa é de R$ 53,20

A reportagem do Estado analisou na quarta-feira da semana passada o uso de 15 vagas exclusivas para pessoas com deficiência na região central de São Paulo. A legislação foi respeitada na maioria das vezes, com carros devidamente identificados ou o espaço permanecendo desocupado. No entanto, uma das localizadas na Rua Líbero Badaró estava ocupada por uma caçamba de entulho, que foi colocada exatamente sobre a demarcação da vaga e ao lado da placa de sinalização.

Outro flagrante de desrespeito foi presenciado na Rua Santa Ifigênia, onde havia uma Kombi descarregando produtos. O motorista, que não se identificou, disse que ficaria ali por pouco tempo e sairia assim que um carro com deficiente chegasse. Entre julho e dezembro do ano passado, a CET registrou 2.204 autuações de pessoas que estacionaram em vagas exclusivas. Antes dessa data, não havia um enquadramento específico – a infração era registrada juntamente com as demais de “estacionamento irregular”. Estacionar em desacordo com a sinalização é uma infração leve, com multa de R$ 53,20 e perda de três pontos na CNH.

A situação das vagas não é diferente em prédios públicos. Na tarde de quinta-feira, havia seis carros estacionados nas cinco vagas reservadas a deficientes no prédio da Assembleia Legislativa. Como? Isso foi possível, porque, em estacionamentos de 45 graus para deficientes, o espaço entre os veículos precisa ser maior que o convencional – para que caiba uma cadeira de rodas, por exemplo. Assim, motoristas fizeram duas vagas onde deveria existir apenas uma.

Dos seis carros, apenas três tinham adesivo. Um dos não identificados era um veículo oficial da prefeitura de Brotas (SP). “É porque eu integrei o grupo que veio para São Paulo”, explica o vereador João de Jesus (PSDB), cadeirante. “Lá em Brotas não temos selo de identificação. Quando estou viajando, é comum passar por constrangimentos.”

em parceria com Renato Machado.


Quinta-feira, 2 de abril de 2009

6 de abr. de 2009

Nas ruas de SP faltam vagas especiais

ACESSIBILIDADE

Mesmo quase dobrando o número de vagas de estacionamento para pessoas com deficiência nos últimos três anos, a cidade de São Paulo mantém cerca de um terço da quantidade prevista na legislação. A Lei 10.098/00 – regulamentada por um decreto de 2004 – determina que 2% do total de vagas nas ruas sejam reservadas para essas pessoas. Como a capital tem 32.112 locais de estacionamento, 642 deveriam ser exclusivos para esse fim. No entanto, há somente 241 – 0,7% do total. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirma que está aumentando o número de opções, em áreas que adotam Zona Azul, por exemplo.

De acordo com a companhia, as vagas são criadas perto de hospitais e clínicas e em locais de grande movimentação, como o Fórum João Mendes, na região central. Os cidadãos também podem solicitar a instalação diretamente à CET. Entre 2005 e 2008, o número de vagas exclusivas no Município aumentou 94%, passando de 124 para as atuais 241. Foram criadas em média 39 por ano, mas o ritmo é considerado lento e seriam necessários dez anos para se adequar à legislação – isso se não aumentassem as demais vagas.

“Além de não termos muitas vagas, as que existem não são respeitadas”, diz o presidente da organização não-governamental (ONG) Centro de Vida Independente Araci Nallinde – especializada em defesa dos direitos da pessoa com deficiência –, Renato Laurenti, de 47 anos. Tetraplégico há 24 anos, desde um acidente automobilístico, ele conta que costuma andar de carro pela capital e rotineiramente encontra as vagas especiais ocupadas por carros sem os adesivos de identificação. “É sempre aquela história do ‘são só cinco minutinhos e já saio’”, afirma.

Além disso, ele observa que a localização é planejada de forma inapropriada. “Eu costumava parar em um lugar numa rua ao lado do Masp (Museu de Arte de São Paulo) que era horrível, em uma ladeira íngreme. Esses dias fui pra lá e fiquei feliz ao ver que ela (a vaga) não existe mais, só que não colocaram outra perto dali”, comenta. “Mas o pior ainda é ver até carros da Polícia e Prefeitura nas nossas vagas.”

REGULAMENTAÇÃO
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em Brasília, editou no fim do ano passado uma resolução para definir como as vagas especiais devem ser sinalizadas e também a identificação dos carros que podem ocupá-las. Dessa forma, as identificações serão válidas em todo o País. Os órgãos responsáveis nos Estados e municípios terão até o final do ano para se adequarem às normas nacionais.

em parceria com Renato Machado.


Quinta-feira, 2 de abril de 2009

5 de abr. de 2009

Em vez de debates, fotos e muita conversa

CÂMARA

Enquanto o vereador Claudinho (PSDB) discursava na tarde de ontem, os poucos vereadores presentes não mostravam muito interesse. Em uma cena corriqueira, animados bate-papos eram travados em rodinhas espalhadas pelo plenário. Uma delas, polarizada pelo vereador Gabriel Chalita (PSDB) – que entrou na sessão com cerca de 40 minutos de atraso –, tinha a presença de outros peessedebistas, como Gilberto Natalini. Do outro lado do salão, a bem-humorada conversa era capitaneada pelo vereador Netinho de Paula (PC do B).

Na quarta-feira, quando houve a apreciação em primeiro turno de um substitutivo do projeto Nova Luz, a cena foi ainda pior. Levada pelo vereador José Luiz Penna (PV), a miss Ceará, Vanessa Vidal, circulou pelo plenário durante toda a sessão. Atraiu olhares, distribuiu tchauzinhos e tirou fotos com a cadeirante Mara Gabrilli (PSDB) – enquanto a sessão acontecia. Vanessa, deficiente auditiva, esteve na cidade para conhecer os trabalhos da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, cujo cargo foi anteriormente ocupado por Mara. “Ela (a miss) atrai muita mídia”, justificou Penna.

em parceria com Diego Zanchetta.


Sexta-feira, 3 de abril de 2009

4 de abr. de 2009

Vereador bate ponto e foge de sessão

CÂMARA
Registro eletrônico, que custou R$ 980 mil, não impede parlamentares paulistanos de só ir ao plenário para votar

Desde o segundo semestre de 2008, a Câmara Municipal de São Paulo controla a assiduidade dos parlamentares nas sessões por meio de um painel eletrônico, comprado por R$ 980 mil. Por falta, cada vereador passou a ter desconto em 2008 de R$ 583,33 no salário mensal, de R$ 7 mil. Pelos registros do painel, quase ninguém falta às sessões, apesar de a Mesa Diretora não divulgar a lista de frequência oficial – como determina uma resolução da Casa, de janeiro. Na prática, o controle eletrônico não significa que os parlamentares participam dos debates legislativos, como constatou o Estado em três sessões desde o dia 24.

O registro de presença só no início ou no fim da sessão é comum. No dia a dia, são quase sempre os mesmos, cerca de 20 dos 55 parlamentares, que encaminham os trabalhos da Casa. Por exemplo: na sessão ordinária do dia 24, o painel indicava a presença de 26 parlamentares, 13 minutos após o início dos trabalhos, às 15h13; no plenário, contudo, estavam apenas 11.

Conforme o andamento da sessão, os registros aumentam. Nessa mesma sessão do dia 24, às 15h55, menos de uma hora após o início, o painel registrava 46 parlamentares no plenário, quando na verdade havia 11. Parte dos vereadores argumenta que, apesar de “assinar o ponto” e não estar presente no plenário, está trabalhando em seus gabinetes ou bases eleitorais.

Mesmo nos dias de votações importantes, como na quarta-feira, quando houve a apreciação em primeiro turno de um substitutivo do projeto Nova Luz, o plenário só lotou no momento da votação. Naquele dia, o painel eletrônico, às 15h17, já apontava 40 presentes, mas somente 17 parlamentares faziam as discussões sobre a mudança no projeto que prevê a revitalização da Cracolândia, no centro. Na sessão de ontem, embora o painel eletrônico tenha registrado a presença de 52 vereadores, em nenhum momento havia mais de 19 no plenário. Às 15h31, quando o painel exibia a “presença” de 46 vereadores, apenas 10 estavam, de fato, ali.

“Tem vereador que não fica no plenário, mas no gabinete dele, trabalhando. Nesse dia do Nova Luz, eu entrei na sessão e depois saí para uma reunião na Prefeitura. Mas depois voltei a tempo da votação”, argumentou o vereador Dalton Silvano (PSDB), vice-presidente da Casa. “Muitas vezes o vereador não está na sessão, mas fica em alguma parte anexa da Casa para resolver demandas da população”, defendeu Francisco Chagas (PT).

Segundo entidades que acompanham a Câmara e cientistas políticos, o painel era uma das esperanças para tornar transparente a frequência. A pressão das entidades fez parlamentares retirarem da garagem um painel que permitia o registro da presença no plenário, no 1º andar, mesmo estando no subsolo. À época, havia quem nem aparecesse às sessões e nada era descontado. As ordinárias são realizadas três vezes por semana, entre terça e quinta-feira, das 15 às 17 horas.

POR CELULAR
“O que temos visto agora é que os assessores é que ficam no plenário, monitorando os trabalhos, e avisam o vereador por celular. Quantas vezes não vemos no plenário assuntos importantes em debate, como segurança pública e mobilidade urbana, e os parlamentares não participam. Eles aparecem no momento do voto e de registrar a presença para não ter desconto”, critica Sonia Barboza, coordenadora do Movimento Voto Consciente, que acompanha as sessões há 21 anos.

Rui Tavares Maluf, cientista da Fundação Escola de Sociologia e Política, avalia que o esvaziamento das discussões é uma característica nacional. “Mesmo as comissões permanentes mal se reúnem. Quando o fazem é uma decisão da noite para o dia”, diz.

em parceria com Diego Zanchetta.


Sexta-feira, 3 de abril de 2009

3 de abr. de 2009

Ele cultiva, aluga, hospeda e trata orquídeas

PERFIL
Em mais de 20 anos de serviço, Minassian tornou-se um faz-tudo quando o assunto são essas plantas

Difícil a mulher que permaneça indiferente à beleza das flores. No caso do paulistano - filho de armênios - Apraham Minassian, o que era para ser um agrado à mulher acabou virando o negócio da família. Em 1980, aos 22 anos, ele era funcionário público do Judiciário quando, após um evento no Anhembi, avistou um vendedor de orquídeas e pensou em comprar uma para presentear a mulher, Regina. "Acabei levando logo 12", lembra. "Minha pequena casa ficou parecendo uma floricultura." Encantado com o hobby, seis anos depois abandonou a carreira pública para viver de orquídeas.

Trabalhou por alguns meses no Orquidário Morumby, no Brooklin. Em seguida arranjou um sócio e abriu uma loja própria em Santa Isabel, na região metropolitana. "Durante seis anos, percorri o circuito das orquídeas do País", conta. "Todo fim de semana temos pelo menos uma exposição no Brasil." Nessa peregrinação florista, ele conheceu todos os Estados - exceto o Acre - e cidades como Piracanjuba (GO), Gramado (RS), Guaxupé (MG) e Registro (SP). Também por causa das orquídeas visitou Colômbia, Venezuela, Argentina, Peru, Paraguai, Guiana e Equador.

Já bastante entendido do assunto, voltou para a capital paulista com uma ideia na cabeça: não só vender, mas também ensinar novos orquidófilos. "Os vendedores costumam falar muitas barbaridades. Eu aprendi com meus erros e queria passar a experiência adiante", afirma Minassian.

QUALQUER NEGÓCIO
Em 1994 nascia a Armênia Orquídeas, na Avenida Santa Inês, no Horto Florestal. Em cursos de quatro horas que se repetem mensalmente - atualmente custam R$ 50 -, ele calcula que já tenha formado 3,7 mil alunos. Sua loja tem uma área total de 120 m², sendo que mais da metade é um viveiro onde ele cultiva as plantas.

"A partir de semente, uma orquídea demora de 5 a 7 anos para florir", comenta. As plantas para presente são vendidas por ele por R$ 15 a R$ 150. "Mas já intermediei negócio de variedades raras com colecionadores que chegaram a US$ 10 mil", garante.

Além da loja e dos cursos, Minassian desenvolve outras atividades, todas vinculadas às orquídeas. "Sou armênio. Faço qualquer negócio", brinca. Um espaço de seu viveiro é hotel de plantas. Quem vai viajar pode hospedar sua orquídea ali, pagando uma diária de R$ 1. Por preços que variam conforme o serviço, ele também acolhe plantas doentes e trata da recuperação delas - uma espécie de hospital de orquídeas. "Também faço manutenção em 'orquidário de madame'", diz, enumerando oito clientes fixas, visitadas uma vez por mês.

Desde o ano passado, explora um outro filão: o aluguel de plantas. "Eu fico p... da vida quando vejo as pessoas jogando a orquídea fora porque a flor caiu", reclama. Para o consumidor, a solução está em pagar uma "assinatura" para ter sempre exemplares floridos. O serviço, com a entrega incluída, custa R$ 24 por planta por mês. "Mas só fecho contrato com um mínimo de seis unidades, senão não vale a pena por causa dos deslocamentos", se justifica. A planta "usada" retorna ao seu viveiro, onde é cuidada até voltar a florir, no ano seguinte. Seu principal cliente é o Hospital Samaritano, em Higienópolis, que aluga 31 orquídeas.

Com 50 anos de idade, Minassian acredita que seus serviços contribuíram para a popularização das orquídeas na cidade. "Quando comecei, havia uns cinco vendedores de orquídeas no Ceasa (a Ceagesp, Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). Hoje são dezenas", compara. "E você as encontra (as orquídeas) até em supermercados."

EM CASA, NÃO

Na vida de Minassian, só há um lugar restrito às orquídeas: sua casa. "Lá é proibido, afinal já temos muitas aqui na loja", afirma. O que não significa ausência de plantas. Pelo contrário. Regina tem dezenas de vasos espalhados pela residência. Na maioria deles, cultiva cactos.


Quinta-feira, 2 de abril de 2009

2 de abr. de 2009

Na Internet, as ‘proezas’ feitas nas estradas

TRÂNSITO
Mas condutor só pode ser autuado se for surpreendido no ato, diz OAB

Dia 29 de novembro de 2008. Uma Ferrari amarela zigue-zagueia imprudentemente, em alta velocidade, entre os carros na Rodovia dos Imigrantes. Ao passar por um posto policial, o motorista grita: "Aê, guardinha! Seu trouxa, babaca, otário!" E segue em frente, impune, colocando em risco sua vida, a vida do passageiro ao lado e de quem está na pista. É fácil encontrar filminhos como esse no site de vídeos YouTube.

De acordo com o advogado Cyro Vidal Soares da Silva, presidente da Comissão de Assuntos e Estudos sobre Direito de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil, quando o vídeo permite a identificação do motorista, ele deve ser convocado a prestar esclarecimentos à autoridade de trânsito competente. "Se ficar comprovada a participação no racha, a pessoa pode ser indiciada em inquérito e perder a habilitação", explica. "Mas para o Código de Trânsito ser aplicado, o motorista precisa ser surpreendido no ato", frisa o advogado. Ele adverte, entretanto, que postar tais vídeos pode configurar incitação ao crime. "O Código Penal prevê detenção de 3 a 6 meses."

Sem apresentar números - a alegação era de que seria necessário mais tempo para levantá-los -, o Comando de Policiamento Rodoviário da Polícia Militar afirmou que tem uma equipe rastreando casos na internet. "Estamos antenados", diz o tenente André Nogueira. "Quando conseguimos identificar alguém, repassamos a placa do veículo ao batalhão responsável pela rodovia."

No site de relacionamentos Orkut, há muitas comunidades que reúnem praticantes de rachas. A popular "Racha na Veia" tem quase 80 mil integrantes. Em um dos tópicos, os internautas eram convidados a relatar seu recorde de velocidade.


Quarta-feira, 25 de março de 2009

1 de abr. de 2009

Cartilha da civilidade

COMPORTAMENTO
Só com educação e respeito aos direitos alheios é possível viver numa metrópole. Infelizmente, deparar com figuras que não obedecem às mínimas regras de convivência no dia-a-dia é mais que comum. Tem de tudo: gente que não recolhe a sujeira do cachorro das calçadas, fala ao celular no elevador, fura a fila, joga lixo na rua ou passa o dia mandando e-mails inúteis para meio mundo. A seguir, Veja São Paulo apresenta situações de indelicadezas, grosserias e infrações que, evitadas, melhorariam a vida de todos nós


Olha a cachorrada!

• Não deixe a sujeira do seu cachorro como armadilha para os pedestres. Leve sempre o saquinho plástico e a pá. É um crime contra as outras pessoas e contra a cidade não limpar – imediatamente e sempre – o cocô de seu cachorro. Se você flagrar algum mal-educado esquecendo de fazer isso, chame sua atenção. Muitos donos de bichos demonstram indiferença à higiene pública ou ignorância em relação aos riscos de transmissão de doenças. "Caso o animal esteja com parasitas intestinais, pode transmitir doenças como o bicho-geográfico, que você pega se tiver contato com a grama ou o chão contaminados", explica a veterinária Elisabete da Silva, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

• Vários shoppings permitem a presença de cães de pequeno e de médio porte em suas instalações. É assim no Higienópolis, no Iguatemi, no Villa-Lobos, no Frei Caneca e em outros vinte grandes templos de consumo da cidade. Mas o bom senso deve falar mais alto quando bater aquela vontade de levar seu bichinho às compras. Ninguém é obrigado, por exemplo, a dividir a praça de alimentação com o seu animal de estimação. Nem a cruzar nos corredores com cães agressivos ou grandalhões.

• No condomínio, só ande com o cachorro no elevador de serviço. O veterinário Arquimedes Galano, do CCZ, alerta: "Há risco de agressão, de acordo com o comportamento do animal, e de transmissão de doenças como a sarna".

• Descole um amigo ou um hotel especializado para cuidar do seu animal. Sem comida e companhia, ele pode latir, miar, uivar, ganir e tirar o sono dos vizinhos. "O dono precisa saber educá-lo, evitando uma dependência excessiva", afirma o zootecnista Alexandre Rossi. "Caso contrário, toda vez que houver separações ele ficará desesperado."


Para não azedar a diversão

• Não saque seu santo celular em vão. Preste atenção nos locais onde atende o telefone e no volume que usa ao falar. Recorra ao vibracall como regra, sobretudo no trabalho. Toques polifônicos como Festa no Apê, de Latino, podem queimar seu filme no escritório. "Essas campainhas espalhafatosas são de uma breguice sem tamanho", avalia a consultora gaúcha Celia Ribeiro, autora do livro Etiqueta – Século XXI. "A música que se escolhe diz muito sobre sua formação cultural. Ou sobre a falta dela."

• Mais do celular: deixá-lo em mesa de restaurante, além de feio, é anti-higiênico. Com que freqüência você limpa o aparelho? Por que, então, ele vai dividir espaço com a comida? Em shows, não acione aquele tipo de aparelho que tem câmera acoplada, vício terrível que assola as platéias das casas de espetáculos. "Mesmo que o artista não a veja do palco, aquela luz incomoda quem está do lado", alerta Celia.

• Por maior que seja a fila – e portanto o desânimo em encará-la –, nada justifica desrespeitar quem chegou cedo para garantir um bom lugar. Se entrarem na sua frente, não tenha medo de colocar a boca no trombone. O mesmo princípio vale para quem adora esparramar bolsas e casacos nas cadeiras do cinema para guardar a vaga do amigo que vai chegar em cima da hora.

• Aliás, respeite o horário. Nada mais irritante do que ver um perdido trombando com as cadeiras no escuro. Ainda mais se tem a cara-de-pau de pedir que outras pessoas mudem de lugar para ele e a namorada sentarem juntinhos. Se for numa peça ou num concerto, pior ainda. "Interrompo o espetáculo na mesma hora", conta a atriz Beatriz Segall. Ela faz muito bem.

• Preste atenção no figurino. No cinema, tudo bem ir mais à vontade (desde, é claro, que o homem jamais use camiseta regata ou chinelo de dedo). O mesmo não vale para apresentações no teatro, que pedem roupas mais formais. "Nos quatro anos em que fui diretor do Municipal, barrava quem aparecesse de sandália ou bermuda", lembra o maestro Júlio Medaglia.

• Falar durante um filme pega tão mal quanto usar pochete. Ou seja, é cafonérrimo. O falatório deve ir, no máximo, até o momento dos trailers. No teatro, a lei do silêncio vale desde o terceiro sinal até os aplausos. Ruídos que todo mundo odeia: lata de refrigerante sendo aberta, croc-croc de amendoim e plástico de embalagem de doces. "Barulho de beijo melado também é terrível", acrescenta a consultora de estilo Gloria Kalil, que recomenda cautela aos casais, digamos, animados com o escurinho do cinema.

• Se estiver gripado e for inevitável tossir, fique em casa. Caso seja a ópera ou o concerto que você mais ama, não passe das últimas fileiras. "Isso facilita a saída se a pessoa tiver um acesso de tosse", ensina Clarice Miranda, especialista em formação de platéias de música clássica.

• A poltrona da frente não é apoio para seus pés. Se alguém estiver sentado, então, socorro! E os pés, lógico, devem permanecer calçados durante toda a sessão.

• Pipoca, pode? Depende. Se for um arrasa-quarteirão policial, cheio de explosões e tiros, é pouco provável que o barulho das mastigadas seja ouvido. Daí, beleza. Mas não se arrisque num silencioso drama iraniano, por exemplo. Escolha um cinema que combine com sua preferência. O Reserva Cultural, na Avenida Paulista, não vende pipoca. "Uma pesquisa mostrou que 72% do nosso público não gosta", diz o proprietário Jean Thomas Bernardini. No extremo oposto está o Cinemark. A cada mês, passam pelas salas da rede 833 000 espectadores, que compram 560 000 saquinhos – é como se, numa sala com 100 lugares, 67 fossem ocupados por fãs da guloseima. Qualquer que seja a opção, carregue seu lixo com você depois da sessão. Esqueceu que outras pessoas entrarão logo em seguida?

• Em concertos, aplaudir na hora errada é um mico, ou melhor, um verdadeiro King Kong. Que pode facilmente ser evitado com a leitura prévia do programa. É só ver quantos movimentos há na composição e ter em mente: só se batem palmas depois do último deles. E nem pensar em cantarolar a melodia. "Quem paga ingresso quer ouvir os músicos, não o vizinho", diz Clarice Miranda. Também é muito feio sair antes do fim – ainda que isso ajude a evitar esperas longas no manobrista. Só depois que o maestro deixa o palco é que se pode ir embora.


Sobre quatro rodas

• Nunca feche o cruzamento. Dos 4 milhões de multas aplicadas pela CET no ano passado, apenas 7 640 – inacreditáveis 0,2% – penalizaram quem fez isso. Não dá para saber quantas infrações do tipo passaram batidas pelos marronzinhos, mas o certo é que bloquear um cruzamento provoca prejuízos enormes ao trânsito. "Cada faixa tem capacidade para um fluxo de 1 200 carros por hora", explica o engenheiro Jaime Waisman, especialista em transporte urbano.
"Fechar uma delas por cinco minutos pode gerar uma fila de carros de 400 metros."

• Conforme-se com o fato de que congestionamentos existem e jamais buzine se estiver enfrentando um deles. De acordo com pesquisa feita no ano passado pela Associação Brasileira de Monitoramento e Controle Eletrônico de Trânsito, o que mais irrita o brasileiro ao volante são os congestionamentos (61%). Buzinar, no entanto, não adianta nadinha – só piora, na verdade. "O ruído nas vias urbanas ultrapassa 90 decibéis (a Organização Mundial de Saúde classifica 55 decibéis como um som confortável) e amplia a probabilidade de o motorista ficar estressado, nervoso e ter dores de cabeça", diz a psicóloga Raquel Almqvist, especialista em trânsito.

• Não fure o rodízio, mesmo que você conheça um caminho sem marronzinhos. De acordo com um levantamento da CET, que no ano passado registrou 1,5 milhão de infrações à medida, 13% dos motoristas não respeitam o rodízio pela manhã e 18% à tarde.

• Jamais pare sobre a faixa de pedestres, mesmo em horários de pouco movimento. Como pedestre, evite atravessar fora dela.

• Resista à tentação de invadir o corredor do ônibus. Não adianta espernear: automóveis só podem utilizar os nove corredores de ônibus de São Paulo nos fins de semana (das 15h de sábado às 4h de segunda) e nas madrugadas (das 23h às 4h) – a portaria, passível de renovação, está em vigor até outubro. Quem desrespeita essa regra pode ser multado em 127 reais. "Pensando em área útil, um ônibus tem a capacidade de escoar dez vezes mais passageiros do que um automóvel", estima o engenheiro Waisman.


Nos bares e restaurantes

• Respeite o ouvido alheio e abaixe o tom de voz. Afinal, quem quer saber se você trocou de carro, que a sua filha acabou de se separar ou que você não agüenta mais o seu chefe? "Dizem que se a gente fala baixo as pessoas à nossa volta fazem o mesmo", conta a consultora de etiqueta Claudia Matarazzo. "Vale tentar isso num restaurante lotado."

• Não dê tapinha nas costas de quem você acabou de conhecer (nem nas de quem você conhece há muito tempo). Trata-se de uma situação corriqueira e bastante desagradável para a vítima. Sim, vítima.

• Respeite o pulmão do próximo. Só fume em locais permitidos. E jamais acenda um cigarro à mesa enquanto ainda houver alguém comendo.

• Não reserve mesa para dez pessoas quando na verdade vão seis. "Há lugares nos Estados Unidos e em Paris em que, nos casos de reserva, só deixam o grupo sentar-se depois que todos chegam", conta Gloria Kalil. É o que vem fazendo o restaurante Fasano, nos Jardins. "Sugerimos sempre ao grupo que aguarde a chegada de todos antes de se encaminhar aos lugares", afirma o maître-gerente Almir Paiva.

• Não acenda charutos, exceto em lugares especialmente reservados para isso. Seu cheiro é um incômodo mesmo para fumantes de cigarro.

• Mantenha todo e qualquer banheiro público (do trabalho, de bares, restaurantes etc.) como se ele fosse o da sua casa. "Tem de enxugar a pia, sim. Senão fica aquela coisa melecada, que vai piorando depois de cada uso", diz Claudia Matarazzo. "Não importa se você já a encontrou assim: vale limpar."

• Não saia dos bares conversando aos berros. Muito menos solte o Fábio Jr. que existe em você depois de alguns drinques.


Regras da boa vizinhança

• Vizinho barulhento é pior que dor de dente. Para não se estranhar com os seus, evite andar com sapatos de salto, arrastar móveis ou deixar as crianças jogar bola dentro de casa. O horário em que se tolera um tantinho a mais – veja bem, um tantinho! – é entre 10 e 22 horas.

• Seu prédio tem vagas fixas para estacionar? Use a sua, e só, tomando o cuidado de parar dentro do limite. Carro torto obriga outros moradores a se desdobrarem para usar o espaço ao lado. Em 24 anos de experiência como zelador, Francisco Machado Sobrinho nem se lembra de quantos pepinos teve de resolver por causa da garagem. "Era uma dor de cabeça diária", conta ele, que é vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios de São Paulo.

• Um morador está de saída, mas há outro com o carro embicado na entrada. Quem cede a vez? "Não há legislação a respeito", afirma o advogado Cyro Vidal, ex-diretor do Detran. "Vale a etiqueta." Gloria Kalil ensina: "A preferência é de quem vai entrar, até para evitar que o veículo atrapalhe o movimento na rua".

• Por incrível que pareça, ainda há quem jogue lixo, bitucas de cigarro e bugigangas em geral pela janela. Se acontece muito no seu prédio, vale discutir a implantação de multas, como se fez no Copan. Em 1993, quando o síndico Affonso Celso Prazeres de Oliveira iniciou seu primeiro mandato, contabilizou uma média de até quinze objetos arremessados de cada bloco por hora. No mesmo ano, foi estabelecida a multa de um salário mínimo (hoje 380 reais) para porcalhões pegos em flagrante. "São, no máximo, dez ocorrências por ano", calcula. "Tem gente que só aprende com a mão no bolso."

• Mesmo quem não tem consciência ecológica precisa, sim, respeitar a decisão do condomínio de reciclar latas, vidros e afins. Se não por preocupação ambiental, pelo menos por razões financeiras. O Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, gasta 12 000 reais mensais para se livrar do lixo – e isso porque 15% das 5 toneladas diárias produzidas ali são recicladas. "A despesa seria 30% maior sem a coleta seletiva", estima a síndica, Vilma Peramezza.

• Carrinhos de compra – quem nunca ficou fulo ao deparar com um deles abandonado no elevador? – não sabem apertar botão nem andar sozinhos. O mínimo que se pode fazer é devolvê-los ao seu local devido após o uso.

• Quem falta à reunião de condomínio não tem direito de reclamar depois. Lembre-se de que decisões tomadas nessas assembléias (por mais entediantes que sejam) afetam diretamente sua vida. E, quando você aparecer, não tente se impor no grito.


Sobe-e-desce elegante

• Cerca de 80% dos 52 000 elevadores instalados em São Paulo – número três vezes maior que o de ônibus nas ruas da cidade – têm 1,5 metro quadrado de área. Esse aperto reforça um conselho unânime entre as consultoras de etiqueta: dentro da cabine, bico calado. O que tem até explicação científica. "As paredes refletem as ondas sonoras, o que faz qualquer ruído parecer até 50% mais alto", explica Cláudio Furukawa, físico da Universidade de São Paulo.

• Pelo mesmo motivo, nada de celular. Se você estiver numa de suas seis viagens diárias de elevador (média do paulistano), desligue-o ao entrar ou volte ao saguão para falar. Ninguém é tão importante que não possa esperar até o térreo. Além de ser uma falta de respeito ao próximo, falar ao celular no elevador é uma manifestação de exibicionismo tolo ("Vejam como sou requisitado"), de insegurança e de breguice.

• É melhor ir de escada depois de passar perfume ou de suar a camisa em atividades físicas. Siga o mesmo caminho para subir ou descer até dois andares. Além de queimar calorias, é ecologicamente correto porque economiza energia elétrica.

• Nem pense em fumar.

• No embarque: cumprimente os outros passageiros e não grude nos cantos. "O correto é ficar parado de frente para a porta", diz a consultora paulistana Célia Leão. Quem entra depois e fica sem canto acaba no meio de uma constrangedora rodinha. E nada de bloquear a porta, um segundo que seja.

• No desembarque: o cavalheirismo dá lugar à praticidade. Ou seja, sai primeiro quem está na frente, independentemente do sexo ou da idade.


Bons modos em tempos modernos

• Quer um atestado virtual de paspalho? Então cultive o hábito de mandar por e-mail um cartão musical – para quem não associou o nome à cafonice, trata-se daquelas animações com fotos fofas, decoradas com frases piegas e embaladas por musiquinhas chatérrimas.

• Mandar correntes, alertas sobre supostos golpes ou teorias conspiratórias em geral é ainda pior: faz todo mundo achar você um mala. Nada de spam.

• Tudo bem, é superlegal carregar centenas de músicas num tocador de MP3. Mas não caia na tentação de passar o tempo inteiro com o fone no ouvido – quem olha pensa que você é anti-social. "E ainda corre o risco de não ouvir um carro buzinando e ser atropelado, entre outros perigos", lembra a consultora Celia Ribeiro. Ouvir no trabalho? Só se você for crítico musical ou webmaster. Em lugares fechados, nada de volume alto. Quem está por perto não precisa ouvir música junto com você. E nem vê-lo dançar, caso isso tenha passado pela sua cabeça.

• Nos programas de mensagens instantâneas via internet (MSN Messenger, Yahoo! Messenger e similares), respeite quando seu amigo colocar "ocupado" ou "no telefone" no status. Também não abuse do recurso de chamar a atenção da pessoa com quem você conversa. E ainda: maneire nos emoticons, aquelas animações que se formam ao digitar determinadas palavras.

• Celulares que enviam e recebem e-mails. Cuidado, eles podem roubar sua atenção e deixar seu convidado com cara de tacho enquanto você resolve assuntos que poderiam ficar para depois. O mesmo vale para palmtops. "Quem faz uma coisa dessas é, no mínimo, biruta", afirma a consultora Claudia Matarazzo. "Passa o recado de que a sua companhia era segunda ou terceira opção."


Detalhes que fazem diferença

• Não jogue lixo na rua nem objetos pela janela do carro ou do ônibus. Lixo é no LIXO!

• Pilote com consciência o guarda-chuva numa situação de trânsito intenso nas calçadas.

• Ande de bicicleta nas ruas ou em lugares destinados a elas. Jamais na calçada.

• Não se apóie no capô de carros alheios para papear com a turminha.

• No supermercado, respeite os caixas preferenciais. Se são para maiores de 65 ou até dez volumes, não tente dar uma de espertalhão.

• Incremente seu vocabulário com palavras indispensáveis, como obrigado, por favor, com licença e desculpe.


No céu e na terra

• Se o seu vôo vai atrasar, não desconte nos funcionários do balcão da companhia aérea. Eles também são vítimas do caos dos aeroportos.

• Durante o vôo, não exagere no álcool – mesmo que seja para camuflar seu medo de avião. Não é porque a oferta é constante que você precisa tomar todas. "Principalmente se o passageiro estiver nervoso, estressado e inseguro", lembra o cardiologista Daniel Magnoni, presidente do Instituto de Metabolismo e Nutrição (Imen). Para evitar vexame e não incomodar os vizinhos, siga três dicas básicas: abuse da água para manter seu corpo hidratado, não misture álcool com calmante e, claro, só beba a quantidade a que você estiver habituado. Além do mais, o efeito da bebida no ar é maior do que em terra.

• Não seja egoísta. Saiba dividir os apoios para braços das poltronas do avião. Não dá para todo mundo ficar com os dois lados. O ideal seria que os passageiros se orientassem pelo encosto mais próximo da janela. Assim, o do outro lado fica livre para quem está no meio e daí por diante. "De qualquer maneira, o importante é tentar enxergar o outro", afirma Gloria Kalil. "Se você nota que a pessoa ao seu lado está sem nenhum encosto para os braços e você tem os dois, é de bom-tom ceder um."

• Não ocupe assentos preferenciais no ônibus e no metrô. De acordo com lei municipal de 1985, todos os veículos de transporte coletivo devem deixar quatro assentos para idosos, deficientes e grávidas. Em média, reservam oito. Mas nem todos respeitam. "Diariamente vejo gente sentada enquanto há um idoso em pé", conta Adelson Tavares de Lima, cobrador há sete anos. "Eu costumo ser chato e pedir para que liberem essas poltronas", diz. "É uma questão de direito e de segurança, já que essas pessoas não têm tanta agilidade para ficar em pé e podem sofrer algum acidente." O Metrô possui 5 602 assentos preferenciais – 15% do total disponível na frota. Em pesquisa realizada em 2005 com os usuários, apenas 3% disseram que nunca flagraram alguém desrespeitando essas cadeiras reservadas.

• Respeite a pressa alheia – especialmente nas 479 escadas rolantes do metrô. Trata-se de uma regra implícita levada a sério no metrô de Londres, por exemplo. A maioria dos usuários costuma se manter à direita, deixando a passagem livre para os mais apressadinhos que precisarem correr pelas escadas.

em parceria com Alvaro Leme.

Quarta-feira, 18 de abril de 2007