31 de mai. de 2009

Nação Bauru, sobre as flores

HISTÓRIA
Sou o caminho diário de diversos bauruenses e minha utilidade é indiscutível. Você já parou pra pensar nisso?

Meu nome é Avenida. Avenida Nações Unidas. Tenho sete quilômetros e meio de extensão e diariamente sou pisada por milhares de pés, sempre aos pares. Carros cujas rodas rolam sobre mim também são muitos; a fumaça que eles exalam cobrem-me de fuligem. Mas não reclamo.

Sou integração e segregação. Integração porque a cidade passa por mim enquanto eu passo por ela. Segregação porque nasci dividindo uma Bauru rica e desenvolvida, à minha direita, de uma Bauru quase rural e marginalizada, à esquerda. Sou uma tatuagem da cidade. “Não devemos apenas opor a cidade dos dominantes à dos dominados, visto que esse é um recorte ideológico que o ‘fato urbano’ tem repudiado constantemente e cada vez mais”, diz a semioticista Lúcia Helena Sant´agostino, em sua dissertação Bauru, chão de passagem. Assim, através de mim, deve-se pensar a cidade enquanto contexto: são os seus habitantes que criam lugares.

Gênesis – Agora rio, mas outrora fui um Rio. Ribeirão das Flores. De vez em quando, bate uma saudade de ser de novo água; verto lágrimas e o povo reclama de enchente.

Em 1956, o prefeito Nicola Avallone Jr., mais conhecido por Nicolinha, canalizou o Ribeirão das Flores. Começava a abrir caminho para uma nova Bauru, antenada com o progresso. Logo mais, o poeta bauruense Euzébio Guerra iria cunhar a expressão “Cidade Sem Limites”, representando toda a pujança desenvolvimentista em que se acreditava estar mergulhado. “A canalização do córrego mudou radicalmente o perfil urbano da cidade”, acredita Sant´agostino.

O urbanista Adalberto Retto Jr., professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual Paulista, vê a minha construção como parte de algo maior: o plano de metas de Juscelino Kubitschek. “É a tentativa de integração do interior, de mudar o pólo de desenvolvimento do Brasil, então circunscrito à costa litorânea. Brasília está inserida nisso: o desenvolvimento interno do País”, acredita. O meu formato curvo, obedecendo ao curso do rio, quebra o “quadriculado” urbano. “A década de 60 chega para romper com a estrutura anterior da cidade. Bauru, por exemplo, era uma estrutura em grelha. A Nações claramente foi desenhada em outros moldes”, ressalta o professor, “Ela tem um desenho autônomo, criando uma fissura urbana, um descontínuo.”

No início dos anos sessenta, construiu-se à minha margem esquerda um prédio que refletia todo esse sentimento moderno. É o até hoje belo Edifício Brasil-Portugal, de dez andares. Mas quem pode contar melhor isso é o sr. Faruk Rumiê. Ele tem 64 anos e é um dos primeiros moradores do prédio. “Vim para cá em 1964. Dia 25 de março”, lembra. “Esse prédio é muito bom. Um dos melhores de Bauru: arejado, não pega o sol de chapa, um belo jardim na frente. Um senhor prédio.” De sua janela, ele acompanhou toda a minha história. “Quando mudei pra cá, não tinha a Nações Unidas direito.”, explica, “Tinha uma grande feira aqui perto”.

O projeto do prefeito Nicolinha, entretanto, só foi editado e concluído um pouco depois, já no governo de Alcides Franciscato (1969-1973). Aproveitando todo o clima de “milagre econômico”, ele decidiu concentrar todos os esforços e obras na região urbana que me circunda. Eu surjo com meu nome Nações Unidas nesse contexto. Então sou, simbólica e intencionalmente, a vitrine da Bauru moderna, desenhada para a escala dos automóveis e dos ônibus. Sou a divisora das águas (do Ribeirão das Flores?) na história de Bauru. Agora novíssima Bauru.

Mas teve um dia que explodi. Estava revoltada com a ditadura militar e por pouco não mato o presidente Geisel. Um caminhão carregado de gasolina tombou nos Altos da Cidade. Os bombeiros desviaram o combustível para um encanamento que levava até o Ribeirão das Flores, então já canalizado. De repente, o gás incendiou e destruiu-me todinha. Momentos antes, a comitiva presidencial havia passado sobre mim. Foi por pouco!

Hoje – Logo no meu começo geográfico, a quadra 1, há um templo religioso: a Igreja Cristã Monte Santo. E uma placa diz: "Provai e vede como o Senhor é bom". Talvez seja. Considero-me abençoada. “Acho que quando a igreja mudou pra cá facilitou muito pra gente vir”, conta Claudete Aparecida Ferraz da Rocha, fiel há dez anos.

Há outras igrejas em minhas proximidades, professando os mais diversos credos. Nações Unidas, religiões unidas. Nação Bauru, a via da integração: não tenho preconceitos contra nenhuma cultura.

Aliás, é na quadra 2 que fica o Terminal Rodoviário de Bauru. Ou seja: todos os que chegam aqui passam por mim. Nações Unidas, nação Bauru. Um território bauruense que é de todos, sem distinção.

Falando em cultura, não posso me esquecer de contar que também abrigo o Centro Cultural. Nele, importante pólo de estudos e manifestações artísticas, funcionam o Teatro Municipal, a Biblioteca e a Secretaria da Cultura. E é lá que trabalha o Aluísio Lisboa Ramos, vigia. Ele passa o dia todo me vendo. “Adoro olhar a Avenida, é bastante movimentada”, fala, recordando-se que já presenciou alguns acidentes de trânsito e outros acontecimentos inesquecíveis. “Olha, mas o mais trágico, que marcou mesmo, foi a morte de um rapaz. Ele tinha acabado de sair de um show aqui no Teatro e foi morto a pauladas”, narra. O fato ocorreu há três anos.

Outra história de que Aluísio se lembra é de uma vez que chorei tanto, no final do ano passado, que a enchente invadiu o Centro Cultural. “Chegou a entrar água até no Teatro, vários voluntários foram recrutados para ajudar a secar”, conta, rindo.

Cruzo com uma outra grande avenida, a Rodrigues Alves, numa das regiões mais movimentadas de Bauru. São carros, pedestres, gente apressada... o dia todo. “Desculpe-me, mas agora não posso falar”, foi o que disse o frentista do posto de gasolina que fica nesse cruzamento, quando lhe perguntei se poderia conversar.

Já a Avenida Duque de Caxias, também importante constituinte da malha urbana bauruense, posa de aristocrata e não se cruza comigo; passa por cima. Sob o viaduto há algumas mesas de alvenaria onde velhinhos às vezes ficam jogando cartas. Do outro lado, um Posto Policial. Por causa dele, tem-se uma quebra de paradigma: ninguém mora embaixo dessa ponte.

Crianças brincando, casais namorando... Fico feliz no trecho em que tenho o Parque Vitória Régia, um bonito espaço verde. Mas quem pode falar é Avelino Cabral da Silva, que passa grande parte da semana vendendo bolas coloridas ali, sempre olhando para... quem? Sim, para mim, a Avenida. “Já faz uns três anos que trabalho aqui. Gosto de ficar aqui por causa das árvores, do verde”, explica. Ele lembra que antes ali “era mato, só, um brejo e mais nada”. Isso há muitos anos, quando Avelino, hoje com 60 anos, ainda era bastante jovem.

Mais um pouco e o que temos? Praça da Paz. Durante o dia, especialmente no calor, crianças maltrapilhas aproveitam para se refrescar no espelho d´água que enfeita a praça. Já à noite, o espaço é disputado por muita gente, sobretudo jovens, que a utilizam para bater-papo e encher o estômago com lanches e os famosos churros.

Outra via que passa por cima de mim é a Marechal Rondon. E debaixo desse viaduto o que há são frases de cunho político. “Abaixo a Ditadura”, “Fora Sarney”, “Fora Collor”, “Fora FHC”... Logo, logo, alguém vai lá escrever “Fora Lula”.

Pra não dizer que não falei das flores, ainda tem espaço em mim para plantas bonitas, mesmo não sendo eu mais o Ribeirão das Flores. No canteiro da rotatória logo após o viaduto da Rondon, há belíssimas flores amarelas. Mas o transeunte raramente percebe: na pressa de (sobre)viver, nunca pára para colher a poesia do cotidiano.

O meu trecho final é o mais maltratado. Às vezes sinto-me ingrata com os pedestres, não há muito espaço para eles. Não há calçadas decentes desde a Rondon até o Zoológico. E, à noite, é um local escuro, mal-iluminado. Tenebroso.

Essa não adequação ao pedestre foi observada pelo professor Retto Jr. “A Nações não permite a multiplicidade de fluxos. É desenhada prioritariamente para o automóvel.” Ele propõe que, se perpendicularmente é impossível a transposição do pedestre, seja mais explorada a linearidade. “Podia ter mais equipamentos regionais, como o Teatro e a Rodoviária, instalados na Nações. Isso provocaria um maior fluxo de pedestres”, defende.

Administração – Enfim, é inegável que sou um patrimônio do povo bauruense. Mais que isso, as diversas Nações são Unidas, então sou patrimônio de todos que adotam Bauru como sua cidade e mesmo de todos aqueles que simplesmente passam por aqui um dia. Eu sou o caminho, embora não seja a verdade nem a vida.

O problema talvez seja administrativo. Preciso ser melhor cuidada. Em alguns trechos ando suja, como se sofresse do intestino. “Uma senhora avenida, espetacular. Tinha que ser mais bem tratada. Deviam conservá-la melhor do que conservam hoje”, desabafa sr. Faruk, morador do Brasil-Portugal.

Retto Jr. gostaria que houvesse transportes alternativos ao longo de mim. “Por exemplo: por que não uma ciclovia da Rodoviária até a Unesp? E por que não dá para fazer cooper na Nações?”, provoca. Nas minhas bordas, ele defende a existência de um espaço público que privilegie o ir-e-vir dos pedestres.

Uma mudança que vem ocorrendo recentemente é com relação à minha personalidade. Fui concebida como via rápida mas agora estou ficando devagar. Idade? Não, apenas precaução. Diversos semáforos e radares estão instalados em mim para que o motorista tenha um pouco mais de respeito e cuidado, sobretudo com o pedestre. “Agora a Nações tem que ser repensada pela Administração Pública. Uma solução inteligente seria pensá-la como um espaço público, articulando diversos pontos”, finaliza Retto Jr.


Quinta-feira, 30 de outubro de 2003

30 de mai. de 2009

O centro de SP como ele é: artistas, pregadores, engraxates, camelôs...

VIDA URBANA
Personagens que sempre existiram fazem parte da paisagem humana da maior metrópole brasileira

Um poeta diria que se trata da "sinfonia popular". Entre os que frequentam aquele caos urbano diariamente, há os que não suportam a muvuca, os que convivem bem com ela e os que, paulistaníssimos, a adoram. Não é para menos. Por dia, 2 milhões de pessoas circulam pelo centro de São Paulo. Muitos se deparam com personagens curiosos, cujo tempo de existência atravessa gerações e confere a eles o selo informal de "patrimônio" da, digamos, paisagem humana da metrópole.

Nem bem o sol nasce, antes mesmo de os ambulantes instalarem ali as banquinhas de DVDs piratas, bolsas e bijuterias, o que se veem são carrinhos de café da manhã - a broa custa R$ 0,50; o pedaço de torta sai por R$ 1. "A freguesia é ótima. O problema é quando chega o fiscal", diz Dalva, de 54 anos, que todos os dias sai às 4 horas do Jardim Ângela para vender quitutes perto da Praça da Sé. Adélio, de 25 anos, teve outra ideia: canjica no copo, por R$ 0,50. "Mas fico só até 8 horas", conta. "Quando os 'home' (da fiscalização) chegam, vou embora." Com medo de uma punição, ninguém dá sobrenome.

Às 7 horas, o comércio nos calçadões ainda está todo fechado. Os camelôs são poucos - não chegam a 15 na Rua Direita. Uma hora mais tarde já estarão em tão grande número que, misturados à multidão, se tornarão incontáveis. "Olha o CD, um é cinco, três é dez, um é cinco, três é dez", apregoa um deles. A vozearia concorre com os homens-sanduíche, tradicionais "marqueteiros da rua". Em seus jalecos, a diversidade de anúncios: "compro ouro", "foto", "atestado de saúde", "advogado"... E há os que gritam "óóó-ticaóóó-ticaóóó-tica", assim, com separação silábica e entonação características. "Em média, ganho 10% da venda a cada freguês que consigo", diz Antonio Neves, de 48 anos, alagoano de Maceió, que desde que chegou a São Paulo, há três anos, sobrevive como "anúncio ambulante".

Em dois quiosques retrôs bem arrumadinhos na Praça Antonio Prado trabalham 16 engraxates. Um deles é Valdivino Pereira Furtuoso, nascido em Carbonita (MG) há 50 anos. "Faço de 15 a 18 'graxas' por dia", garante ele, no ramo há 11 anos. "Naquele capricho, levo 15 minutos por cliente." O serviço custa R$ 5 e o maior movimento é na hora do almoço, quando os engraxates engatam um coro insistente aos transeuntes: "Graxa aí? Graxa aí? Graxa aí?"

E é nessa hora que o paulistano Edson Fernandes - ou, como prefere, Edson Pana -, de 43 anos, encarna o Palhaço Paninha e se esforça para atrair clientela a um restaurante por quilo. "É o espetáculo do almoço, um shoooow de almoço", repete aos passantes. Ator desde 1986, ele ganha a vida animando festas infantis e frentes de lojas. "Trabalho como se fosse o dono do estabelecimento, visto a camisa", alardeia ele, que fatura em média R$ 150 por dia. "Preciso fazer com que o cliente acredite no que eu falo." Alheio ao barulho, o desenhista William Cabral Martins, de 42 anos, faz da rua seu estúdio. Retrata as pessoas, seja ao vivo, seja reproduzindo fotografias. Cobra de R$ 15 a R$ 100, conforme o tamanho da obra.

Há também os pregadores. Entre os inúmeros que atuam na região, uma excêntrica "performance" foi presenciada pela reportagem. Aline Salgueiro Castanho, de 18 anos, utilizava a pintura para levar sua mensagem, na Praça Antonio Prado. Ela integra a Organização Palavra da Vida, um grupo ecumênico que roda o Brasil divulgando o Evangelho. "Não queremos defender nenhuma religião, mas sim o que foi designado para nós", explica ela, que é de Vitória (ES) e pertence à Igreja Batista. "Jesus é a única ponte para chegar a Deus. Apenas a cruz nos liga a Deus."

A poucas quadras dali, na esquina das Ruas 15 de Novembro e da Quitanda, um outro grupo de religiosos tem provocado polêmica. Com uma pregação enérgica - e muitas vezes lançando mão de palavras obscenas -, eles chamaram a atenção da ONG Educa São Paulo, que, em abril, entrou com uma representação no Ministério Público Estadual pedindo providências para que o grupo deixe o local. "Estamos apenas cumprindo a missão que Deus nos deu", se justifica um deles, que preferiu não ser identificado.

Perto dessa esquina, atua o rei do Ibope da rua: o mágico e contorcionista Silvio Romero de Sousa, nome artístico de Moisés Felix da Silva, de 43 anos. Em suas apresentações, reúne dezenas de pessoas. Pega emprestado um par de óculos de algum espectador e o "transforma" em um fajuto de plástico, ensaia golpes de capoeira e não aceita dinheiro pelo show. Mas, ao fim de cada espetáculo, vende óleo de copaíba e sabonete de juá - a preços decrescentes, conforme o interesse do público. "Aqui é show de rua. Ninguém é obrigado a parar. Não quero enganar ninguém", diz ele, conhecido como Baiano - apesar de ser pernambucano do Recife. Há 18 anos em São Paulo, trabalhou como vendedor do Mappin e das Casas Bahia. "Na hora do almoço, ficava olhando as pessoas se apresentarem na rua. Aprendi e há seis anos vivo disso", relata, lembrando que complementa a renda com shows em aniversário - R$ 100 por três horas.

É apenas um dos muitos artistas que podem ser vistos pelas redondezas. Imóveis, à espera de uma moedinha para interagir com o público, não são poucas as estátuas vivas. Uma delas é representada pelo paulistano Leandro Moreira dos Santos, de 29 anos, que se pinta de preto e branco e imita um robô. "Já trabalhei como vendedor de cintos em feira livre e danço 'break'", afirma. "Mas gosto de me apresentar aqui para sentir a sintonia do povo." Povo este já habituado às figuras pitorescas do dia a dia das ruas centrais da capital.


Domingo, 24 de Maio de 2009

29 de mai. de 2009

Um andarilho russo em São Paulo

ENTREVISTA

Há quase um ano o jovem russo Andrej Raider, de 23 anos, está caminhando. Depois de percorrer 3 mil quilômetros cruzando mais de 200 cidades, ele chegou a São Paulo. "Se conseguir trabalho por aqui, fico um ou dois meses", diz.

Raider iniciou sua volta ao mundo a pé na França, em julho do ano passado. Lá, passou dois meses e meio caminhando pelas cidades e conhecendo a cultura local, novas pessoas e o idioma. Depois ficou quatro meses na Espanha, onde trabalhou, fez amigos e aprendeu a língua. Em Portugal, permaneceu por outros três meses.

Foi quando tomou um voo para o Brasil. Desembarcou no dia 17 de abril no Rio de Janeiro, de onde começou uma caminhada, pelo litoral, até São Paulo. Daqui pretende seguir para Curitiba.

O andarilho russo planeja continuar sua jornada pelos próximos seis anos. Para se hospedar, Raider utiliza o CouchSurfing, um site de relacionamentos onde os usuários disponibilizam suas casas para receber estrangeiros gratuitamente, com o objetivo de conhecer outras culturas e idiomas.

Em São Paulo, ele foi abrigado por Steven Beggs, o CEO da escola Seven Idiomas. Como forma de retribuição pela hospedagem, Raider deu três palestras aos alunos de inglês e espanhol da escola, contando sobre seu projeto de caminhar pelo mundo. Ele atendeu à reportagem do Estado para uma breve entrevista.

Por que você decidiu caminhar, a pé, por todo o mundo?

Minha vida era uma rotina. Um dia percebi que estava fazendo as mesmas coisas, encontrando-me com as mesmas pessoas, tendo as mesmas discussões, vivendo as mesmas situações. Era uma vida sem desafios, uma vida "normal". Em breve, eu não me sentiria mais vivo. Fazer uma volta ao mundo, a pé, era um sonho grande de um menino que queria aprender e conhecer tudo o que existe no planeta. Este menino foi (e sou) eu. Também caminho para a paz. Porque a paz é a experiência mais constante que experimento ao longo desta viagem. Paz é tudo o que eu quero dar.

O que a sua família pensou quando você decidiu botar em prática esse projeto?

Não sou casado, nem tenho filhos. Tenho uma irmã que é minha melhor amiga e tenho pais fantásticos. Meus pais dizem: "claro que ficamos preocupados, mas se você acredita que este é seu caminho, vá." Minha mãe diz que eu tenho que fazer isto, se posso, porque a experiência que adquiro andando ao redor do mundo é enorme e tem muito valor. Eles também dizem: "se um dia achar que não consegue mais, volte".

Você mantém contato com eles? Como?

Pela internet. Antes, às vezes minha família me ligava no celular. Mas perdi meu telefone em Caraguatatuba, acredito. E, no momento, estou sem dinheiro suficiente para comprar um novo.

Já conhecia São Paulo?

Não. É minha primeira vez em São Paulo, primeira vez no Brasil, primeira vez na América do Sul. É um mundo novo para mim. E eu amo este mundo.

O que mais o impressionou na cidade?

Fiquei impressionado com o tamanho. Impressionado com todas as possibilidades e pessoas diferentes. Parece-me um lugar multicultural, e isto me agrada mais. O que não me encanta é a agitação. Quando estou caminhando, preciso de tranquilidade. E a agitação das cidades grandes me "infecta", me faz mal.

E do Rio de Janeiro, o que achou?

Quando cheguei ao Rio, estava muito nervoso. Tinha medo de todas as favelas... Mas nada aconteceu. Realmente, não é igual ao filme Cidade de Deus. O Rio é uma cidade maravilhosa. Gostei muito da sua natureza e de suas praias.

Quanto tempo pretende ficar por aqui?

Estou buscando trabalho. Se encontrar, quero ficar aqui um ou dois meses, para ganhar um pouco de dinheiro antes de seguir viagem. Também é possível caminhar sem dinheiro, mas é mais difícil. Se não encontrar trabalho, pretendo ir já no sábado ou no domingo.

Como se preparou para começar esse seu projeto de viagem?

Desenhei uma linha vermelha no mapa-múndi, comprei sapatos, preparei minha mochila e comecei.



Quinta-feira, 28 de maio de 2009

28 de mai. de 2009

Megaevento quer fazer de SP a capital do design

EXPOSIÇÃO

Até domingo, a capital paulista será a sede do KM.M.MM - Viver Design em São Paulo, o maior conjunto de eventos simultâneos sobre o tema já ocorrido na cidade - serão exposições, palestras, debates, oficinas, filmes e instalações. Promovido pela Secretaria Municipal de Relações Internacionais e por 47 entidades, o evento quer transformar São Paulo na capital sul-americana do design. "Planejamos novas iniciativas para trazer especialistas e mostrar a cidade", explica o secretário Alfredo Cotait Neto.

Há eventos em locais como o Museu Brasileiro da Escultura, o Jockey, o Conjunto Nacional e estações de trem e metrô. No Museu da Casa Brasileira, a instalação Eu Não Sou + de Plástico, Sou Sustentável e Gero Renda apresenta 20 sacolas de compra duráveis criadas por designers em parceria com comunidades carentes. Amanhã é o último dia para ver as peças.

Às 17 horas de hoje haverá palestra com o designer inglês Peter Marigold, no CAD Casa & Design, que fica até domingo em uma mansão no Alto de Pinheiros. Sob o tema da sustentabilidade, o CAD exibe 44 ambientes com soluções ecológicas e confortáveis.

O espaço da ONG Projeto Arrastão traz pedidos dos moradores do Campo Limpo, na zona sul. De acordo com a presidente da ONG, Vera Marzagão, dos 700 desejos ali colocados, 150 já foram atendidos pelos freqüentadores da mostra. "Achei genial", disse a designer de interiores Luciana Teperman. "Vou doar material de acabamento para uma casa onde moram quatro pessoas."


Quinta-Feira, 6 de Novembro de 2008

27 de mai. de 2009

Denúncias de pedofilia crescem 75%

CRIMES ONLINE
SaferNet já recebeu 42.122 queixas; lei não incrimina quem armazena pornografia e, assim, garante impunidade

As denúncias de abusos contra crianças e adolescentes na internet cresceram 75% entre janeiro e setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2007, segundo a SaferNet Brasil. Em 2008, a organização não-governamental (ONG) que combate crimes contra os direitos humanos recebeu 42.122 queixas de crimes de pedofilia online, ante 24.070 no ano passado.

Procuradores, defensores de direitos humanos, policiais e até políticos são unânimes ao destacar que esse aumento tem relação com o sentimento de impunidade. "Por enquanto as operações não conseguem prender ninguém. Apenas se pode cumprir mandados de busca e apreensão", observa o presidente da CPI da Pedofilia, Magno Malta. Um exemplo é que a maior das operações da Polícia Federal contra esse crime, a Carrossel 2, em setembro, só prendeu um suspeito.

O presidente da SaferNet, Thiago Tavares, diz que a atual legislação brasileira permite a impunidade. "Armazenar imagem de pornografia infantil não é crime. Figura como crime apenas partilhar o conteúdo. A conseqüência é que essa prática não resulta em prisões", explicou. Segundo ele, o Brasil ainda está bem atrasado na legislação de combate a crimes virtuais, quando se faz a comparação com Estados Unidos, Europa e Ásia. "Essa posse é crime em vários países do mundo."

Tavares esteve no Congresso ontem para discutir com os líderes das bancadas na Câmara uma série de alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que serão votadas hoje. Para Malta, a solução passa justamente por penas maiores para a pedofilia e a instituição de novos instrumentos jurídicos. Segundo o senador, já existe um acordo de líderes para ratificar as mudanças votadas no Senado.

Entre as inovações, o projeto que será votado traz a tipificação de crimes como assédio e aliciamento de crianças e adolescentes pela internet. Torna crime também fotomontagens, como já acontece, por exemplo, nos Estados Unidos. "Hoje tem gente que coloca o rosto de uma criança em uma foto de uma pessoa estuprada e passa impune", criticou Tavares. Além disso, passará a figurar como crime anunciar a venda e comercializar material de pedofilia.

O texto que vai a plenário ainda responsabiliza criminalmente os provedores que mantiverem conteúdos suspeitos após denúncia formal ou solicitação judicial de remoção de material impróprio ou criminoso. Algumas ONGs chegaram a ver o texto com ressalvas, por receio de serem incriminadas ao guardarem material pornográfico para futura denúncia. "Era uma crítica de quem não conhece o texto final. Há salvaguardas para agentes públicos que atuam no combate à pedofilia e para os provedores. Haverá um prazo de seis meses para a guarda deste material", ressaltou Malta.

em parceria com Cláudio Vieira e William Glauber.


Quinta-feira, 6 de novembro de 2008

26 de mai. de 2009

Ela, uma menina. Ele, um homem. Isso dá certo?

REFLEXOS DA VIOLÊNCIA
Para especialistas, relacionamento entre adolescentes e homens mais velhos não é saudável

Amanda* tem 12 anos e desde o ano passado namora Fernando*, de 23. Rosana* começou a namorar Eduardo* quando tinha 12 - ele, 18. Era seu segundo namorado. "Não achei estranha a diferença de idade", conta. "O meu primeiro tinha 22 anos." Sara*, aos 16, é mãe da pequena Soraya, de 2 - e vive com o pai dela, Eliseu*, seis anos mais velho. O namoro se iniciou em 2005.

São casos que podem ser comparados ao início do relacionamento de Eloá Pimentel com Lindemberg Alves - quando ela era uma menina de 12 anos e ele, um homem de 19. O que não significa, é claro, que acabem em tragédia. "Cada situação tem sua singularidade", lembra o psicólogo Carlos Eduardo Carvalho Freire, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC).

O que os especialistas afirmam, entretanto, é que nem sempre uma relação assim é saudável. "Quando uma menina dessa faixa etária se envolve com alguém mais velho, a relação é baseada em poder, dominação e submissão", diz o psicólogo Ailton Amélio da Silva, autor do livro Para Viver Um Grande Amor e professor da Universidade de São Paulo (USP).

No caso de Rosana, moradora de Sapopemba, isso é bem claro. Ela não teve acompanhamento dos pais durante a infância - sua mãe morreu quando a menina contava 6 anos; seu pai se mudou para o Ceará. Vivia na casa da irmã mais velha, casada e com a própria família. Sete meses depois do começo do namoro com Eduardo, engravidou. Acabou indo viver com ele e hoje, aos 16 anos, tem dois filhos.

Eduardo, que ganha a vida fazendo bicos como pedreiro, costuma controlá-la com mãos de ferro. Proíbe que saia de casa e não gosta de vê-la conversando com ninguém. Entre um filho e outro, chegaram a se separar. "Trabalhei como marreteira, vendendo doces em ônibus", lembra.

Amanda, que vive em Perus, diz que "faz de tudo" pelo namorado. A relação tem a aprovação da família. "No começo, minha mãe achou ruim. Mas agora ele vem em casa e até dorme aqui às vezes." Vêem-se diariamente.

Eliseu e Sara, que moram em Sapopemba, se conheceram por meio de uma amiga. "Fiquei com ele para que largasse do meu pé. Ele insistiu por três semanas, dando em cima de mim." Onze meses depois, aos 13 anos, teve de abandonar a 7ª série por causa da gravidez. "Sentia enjôo, mas não achei que estava grávida. Minha mãe armou um barraco e me bateu." Ela não tomava pílula. O casal não se preocupava com camisinha. "Tinha vergonha de ginecologista."

Para o psicólogo Ailton Amélio da Silva, a bronca da mãe de Sara veio tarde demais. "Numa situação dessas, os pais têm de conversar. E depois proibir. Elas ainda não têm discernimento. As meninas estão artificialmente sexualizadas por causa da mídia. Aí encontram um adulto com tendências pedófilas e está feita a desgraça." Para ele, nessa fase, "a diferença de idade viola o mundo da criança".

Mas por que esses casos parecem mais comuns na periferia? "A classe média é mais controladora com relação a isso", afirma o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, autor do livro O Adolescente em Desenvolvimento e professor da PUC. "Está mais presente na vida dos filhos." E famílias estruturadas tendem a proteger mais os filhos.

Ele lembra que amores platônicos de meninas pré-adolescentes por homens mais velhos são comuns. "Um ator, um cantor e até um professor", exemplifica. "Mas são casos que ficam na idealização, apenas." Cruzar essa barreira pode representar um perigo, já que a menina ainda está na fase do "ficar". "Ela não está pronta emocionalmente para uma relação sexual", diz o psicólogo.

Programas sociais mantidos por ONGs ajudam a conscientizar adolescentes na periferia. "Aqui a gente fala a língua deles, sobre temas que os pais muitas vezes não conversam", diz a instrutora de jovens Jessica Regina de Oliveira, da Sociedade de Amigos de Bairro do Conjunto Habitacional Jardim Sapopemba. Além de promover discussões sobre métodos anticoncepcionais e doenças sexualmente transmissíveis, a associação, que atende 100 jovens e 136 crianças, distribui preservativos.

A gerente do programa de crianças, Elisângela Pereira de Melo, diz que a sexualidade é discutida desde cedo. "Felizmente nunca tivemos adolescente grávida aqui." (* para preservar identidade dos entrevistados, os nomes são fictícios).


Domingo, 26 de outubro de 2008

25 de mai. de 2009

Sete designers analisam São Paulo

URBANISMO

Eles estão entre os principais profissionais da área no mundo e se reuniram no Boom SP Design, fórum internacional que termina hoje, no Shopping Iguatemi. A convite do Estado, o egípcio Karim Rashid, o belga Arne Quinze, o grego Andreas Angelidakis, os americanos Todd Bracher e Brent White e os brasileiros Chico Bicalho e Mauricio Queiroz deram opiniões sobre temas como a Lei da Cidade Limpa, sustentabilidade e ainda elegeram "o melhor e o pior" da capital paulista.

Esse, porém, não é o único evento do tipo que a capital abriga por esses dias. Começa hoje no Instituto Tomie Ohtake a exposição Karim Rashid - Arte e Design num Mundo Global. A mostra ficará em cartaz até 4 de janeiro. Desde ontem, a Panamericana Escola de Arte e Design expõe peças e projetos criados por jovens designers - alunos e ex-alunos da instituição - premiados em concursos. O Metrô também embarcou no mundo do design pop. Desde o começo do mês - até 30 de novembro -, 11 painéis de Karim Rashid estão na Estação Clínicas. E, em novembro, a Estação São Bento exibirá a série de molduras Soldados de Chumbo, de Laerte Ramos.


MELHOR E PIOR DE SÃO PAULO

Andreas Angelidakis

"São Paulo é simplesmente fantástica. Acho que, como muitas grandes cidades, é parte design, parte acidente e parte milagre. Eu adoro o Sesc Pompéia e o Masp - dois prédios da arquiteta Lina Bo Bardi. Caminhar para cima e para baixo na Paulista é uma grande experiência urbana. A vista do alto do Edifício Itália é talvez a mais bela "coisa". Não sei se posso dizer o que é feio. Suponho que a pobreza e a desigualdade social, mas os brasileiros sempre conseguem sorrir."

Brent White

"Estou ansioso para conhecer algo de Oscar Niemeyer e Burle Marx."

Mauricio Queiroz

"Maior beleza: o centro histórico. Hoje sujo, violento, degradado, esconde prédios lindos, viadutos históricos, praças cheias de história. O mais feio: corredores viários, como a Avenida Santo Amaro, a Radial Leste e o Minhocão."

Chico Bicalho

"Maior beleza: cultura; coisa mais feia: os engarrafamentos."


PARQUES

Arne Quinze

"Parques podem fazer as pessoas conviverem, em vez de recolherem-se em seus quintais. A principal função deles é conectar pessoas em uma comunidade, literal e figurativamente. Visitantes devem descobri-los como um local de contemplação e silêncio, mas também como um lugar onde podem encontrar-se e interagir com os seus vizinhos."

Brent White

"Uma boa iluminação ajuda a manter o espaço seguro durante a noite. Por sua vez, garante limpeza durante o dia."

Todd Bracher

"Parques são para mim um lugar para se sentir frescor sob os pés. Tornam o concreto do entorno ainda mais bonito, pelo contraste com o verde. Permitem-nos desfrutar de fato a cidade. Não como uma fuga, mas como um contraste dela."

Chico Bicalho

"Qualquer cidade precisa de muitas árvores em todos os lugares. A sombra de uma árvore é o lugar perfeito para o lazer em qualquer parque urbano do mundo."

Karim Raschid

"De modo ideal, nossos ambientes públicos devem transpirar energia positiva, altas experiências, design contemporâneo, um novo conforto que é uma extensão da nova era da casualidade e bem-estar espiritual - um lugar para desfrutar, relaxar, conviver, trabalhar e envolver experiências memoráveis."


PONTOS DE ÔNIBUS

Andreas Angelidakis

"Paradas de ônibus são interessantes, como todos os lugares onde você espera. Eu acho que (se fosse convidado a desenhar pontos de ônibus) iria incidir sobre essas duas qualidades, além da segurança."

Brent White

"(Os pontos precisam ter) interação humana, auto-suficiência, design mais eficiente e proteção para os usuários."

Todd Bracher

"(O maior desafio é) conceber uma peça que pode funcionar visualmente nos vários contextos da cidade."


SUSTENTABILIDADE

Andreas Angelidakis

"A sustentabilidade é uma forma de pensar, não uma tecnologia. Talvez comprar menos e necessitar menos seria uma solução sustentável."

Brent White

"Assim como se tornou padrão na construção proteções contra incêndios e recursos de acessibilidade, a sustentabilidade vai naturalmente se tornar um requisito mínimo."

Karim Rashid

"Depende da utilização de novas tecnologias, novos materiais e de uma melhor concepção. Tenho trabalhado com empresas para reduzir as linhas de montagem, agilizar a produção e elevar a qualidade do produto que fazem."


CIDADE LIMPA

Andreas Angelidakis

"Outdoors podem ser divertidos, mas limpar também é interessante. Cada vez que você muda alguma coisa em uma cidade, muda suas características. Estou mais interessado em observar essas mudanças do que em encontrar a solução 'correta'."

Brent White

"Estou feliz e surpreso em saber que a lei (Cidade Limpa) passou. Suponho que isso vai obrigar os publicitários a se tornar mais espertos ao definir onde eles podem exibir as mensagens."

Todd Bracher

"Deveria haver uma forma equilibrada para anunciar. A publicidade é uma outra camada da cidade, que muda constantemente, permitindo que ela continue a ser atual e viva."

Mauricio Queiroz

"Estamos no meio do processo. Existe um ditado chinês que diz que devemos bater no mato para as cobras aparecerem. A continuação seria o incentivo para empresas restaurarem (as fachadas)."

Chico Bicalho

"Agora que se tirou o tapete é necessário limpar a 'sujeira' arquitetônica. É uma pena que lugares onde havia prédios históricos interessantes tenham se transformado em pesadelos arquitetônicos."


CURRÍCULOS

Karim Rashid: designer egípcio, cresceu no Canadá e se formou em Desenho Industrial em 1982, pela Universidade Carleton, de Ottawa. Desde 1993, tem estúdio em Nova York. Produz para Prada, Sony, Giorgio Armani, Hyundai.

Brent White: é um "objetologista", que observa a evolução dos objetos e experimenta os limites do desenho. Estudou Design 3D, na Cranbrook Academy of Art and Design. Vive em San Francisco.

Chico Bicalho: fotógrafo e criador de brinquedos de corda Critter, vendidos no MoMA, em Nova York. Trabalhou no estúdio fotográfico de Annie Leibovitz. É formado em Escultura.

Arne Quinze: designer autodidata e ex-grafiteiro, é diretor de Criação do Quinze & Milan. Já realizou mais de 4 mil projetos, em 60 países, em transporte, arquitetura, interiores. Desenha para Swarovski e Lamborghini.

Maurício Queiroz: formado em Arquitetura pelo Mackenzie e pós-graduado pela Politécnica de Catalunha, em Barcelona. Realizou projetos para a Mont Blanc, Jóias Vivara, Phytoervas, Dryzun e Etna.

Todd Bracher: formado em Desenho Industrial pelo Pratt Institute, em Nova York. Desenhou para Tom Dixon e Jaguar. Conquistou o Design 21 Award, da Unesco.

Andreas Angelidakis: arquiteto grego e mestre em Ciências Avançadas em Design de Arquitetura, em Columbia. Foi arquiteto da Bienal de Artes de Atenas em 2007 e projeta a de 2009.


Sexta-Feira, 24 de outubro de 2008