31 de jul. de 2009

Visitinha (quase) ilustre

AVES

A redação ficou alvoroçada hoje pela manhã, com duas aves que apareceram na janela, aqui no 19.º andar de nosso prédio, na Marginal Pinheiros.

- São urubus! Sinal de mau agouro... – comentou uma míope repórter.

- São falcões peregrinos – afirmou, categórico e pimpão, um editor metido a sabe-tudo.

- É o superman – pensou todo mundo (mas ninguém teve coragem de falar).

Liguei para o ornitólogo Johan Dalgas Frisch, presidente da Associação de Preservação da Vida Selvagem e autor do livro Aves Brasileiras. Enquanto conversávamos, ele ficou empolgado com a nobre visita. “Devem ser os falcões. Dos 10 000 exemplares que existem no mundo, dois costumam vir para a cidade de São Paulo anualmente. São do hemisfério norte e migram para fugir do frio. Chegam antes do Natal e vão embora logo depois do Carnaval”, disse.

Mas quando ele abriu meu e-mail com a foto, soltou uma gargalhada. “Não passam de carcarás”, diagnosticou. “Esses aí são encontrados até em lixões.”

Pois é. Pensávamos que tínhamos sido visitados pelos nobres falcões peregrinos. Mas quem veio bater à nossa janela foram os seus primos pobres.


Segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

30 de jul. de 2009

Uma geral na M´Boi Mirim

CIDADE

A Estrada do M'Boi Mirim, na Zona Sul, é uma das ruas mais perigosas da cidade. De acordo com a CET, ela só perde para as marginais Tietê e Pinheiros em número de mortos no trânsito por ano - a cada cinco dias uma pessoa é atropelada no local. Não dá para generalizar, mas muitas dessas fatalidades poderiam ser evitadas com melhorias por ali.

Demorou, mas parece que a prefeitura se deu conta disso. A Secretaria das Subprefeituras anuncia para amanhã cedo o início de uma operação na região, que mobilizará 140 funcionários, dezenove caminhões, oito peruas e duas retroescavadeiras. Esse batalhão fará serviços básicos de conservação: limpeza e reforma das guias, sarjetas, calçadas e bocas de lobo, implantação de rampas de acessibilidade, varrição e retirada de entulhos.


Domingo, 24 de fevereiro de 2008

29 de jul. de 2009

Ainda sobre o Paulistão

FUTEBOL

Fui lá ver o regulamento da competição. E constatei o óbvio: mesmo que Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos acabem ocupando as privilegiadas colocações do "quadrangular caipira", palmeirenses, são-paulinos, corintianos e santistas não correm o risco de terem de comemorar o estrambótico título de Campeão do Interior. Vejam o que diz o texto:

Equipes da capital de São Paulo e o Santos não podem participar desta disputa. Caso uma delas fique entre 5º e 8º, as equipes interioranas subseqüentes na tabela se classificam para a competição.

Ainda acho que deviam dar uma chance para a Portuguesa, ao menos.


Quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

28 de jul. de 2009

Capital x Interior

FUTEBOL

Pelo regulamento do Paulistão deste ano, os quatro primeiros colocados nos pontos corridos disputam o título - num sistema de mata-mata em duas fases: semifinais e final. Os clubes que ficarem da quinta à oitava posição na primeira fase se digladiam em busca do cobiçado caneco de Campeão do Interior.

Nove rodadas se foram e apenas o São Paulo está entre os quatro melhores - mesmo assim, a seis pontos do time líder, a Ponte Preta. Será que vamos chegar ao ponto de precisarmos da criação de um troféu Campeão da Capital?

(Espero que meu Palmeiras vença logo mais o Rio Claro e encoste nos líderes!)


Quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008


27 de jul. de 2009

Vem aí mais um parque

PARQUES

Feito alvissareiro, trago duas boas notícias.

A primeira é que, como vocês já perceberam, ando sumido do blog. (Mas confesso que sinto saudades de postar aqui.)

A outra é que amanhã (16) a prefeitura e o governo estadual devem assinar um convênio para a criação de mais uma área verde na capital: o Parque Sete Campos, na Cidade Ademar, Zona Sul. Pelo acordo, o novo espaço de lazer será implantado pela Secretaria de Subprefeituras em parceria com a Subprefeitura da Cidade Ademar. Esperamos que não demore para ficar pronto. Deve beneficiar uma região carente, onde vivem 370 000 paulistanos.

Como perguntamos há duas semanas nos Mistérios da Cidade, quando chegaremos a 100 parques?


Sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

26 de jul. de 2009

Teste: quanto tempo dura o "em breve" da CET?

INTERNET

O site da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mantém um espaço chamado Fale com a CET, destinado a receber sugestões e críticas dos internautas, além de sanar dúvidas ali postadas. Às 14h de quinta passada, dia 7, resolvi testar o serviço.

Após o envio, a CET diz que entrará em contato “em breve”.

Já se passaram quase 100 horas. Uma eternidade, quando estamos falando de internet. Tenho checado meu e-mail pessoal sistematicamente e, até agora, nenhum oizinho da CET. Nada. Nem uma mensagem automática dizendo que a pergunta vai ser respondida. Nada.

Fica a questão: por que manter um canal de interatividade com o internauta se não botam alguém para responder as dúvidas?


Segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

25 de jul. de 2009

Circos e “O” circo

CIRCO

Nascido e criado no interior, fui a incontáveis circos mambembes em minha infância. Muitos mesmo, sem idéia de quantos. Era só aparecer um lá em Taquarituba, de onde sou, que já estava eu querendo assistir à trupe. A maioria, infelizmente, de péssima qualidade. Alguns bons. Outros até ótimos.

Pois acabo de chegar do Cirque du Soleil, em cartaz até maio no Parque Villa-Lobos com o espetáculo Alegría. O que há de diferente? De onde vem tanta magia? Por que eles são tão sensacionais? Enquanto via, extasiado, o espetáculo, rememorava esquetes circenses assentadas em minha cabeça e tentava compreender a origem de tamanho contraste.

Sem dúvida a direção é um dos pontos. No Soleil, ao contrário da maioria dos circos, há um cuidado com a distribuição dos atores pelo picadeiro – praticamente um palco –, há ritmo em tudo, há um encadeamento lógico nas músicas, há uma zelosa iluminação, etc. etc. etc. O talento do elenco também precisa ser levado em conta. Entrar para a companhia canadense não é fácil. Eles fazem testes no mundo todo, garimpando os melhores – que antes de estrearem ainda passam por uma bateria de treinamentos na sede do circo, em Montreal.

Tudo isso somado a uma boa dose de marketing transformaram o Cirque du Soleil em uma verdadeira grife. Mas o que sinto, como espectador? Que a diferença entre Alegría e o sem-número de apresentações circenses que já vi está nos leves detalhes. Leves.

Porque em um circo comum, os palhaços fazem cócegas no público. No Soleil, eles apenas passam uma sutil pena na sola dos nossos pés.

Porque em um circo comum, os números de malabarismo são prosa. No Soleil, uma fogosa poesia.

Porque em um circo comum, os acrobatas desafiam a lei da gravidade. No Soleil, eles a ignoram.

Porque em um circo comum, o espetáculo parece um amontoado de acordes de rock. No Soleil, tem-se um perfeito solo de jazz.

(Claro também que em um circo comum a pipoca não custa 13 reais, nem um copo d’água sai por 3 reais).

***

Na terça-feira de carnaval bati um papo com Marcos de Oliveira Casuo, para escrever o seu perfil. Boa praça, Casuo é o único brasileiro entre os 55 atores de Alegría. Quando entrou para a companhia, em 2001, só havia assistido a um espetáculo do Cirque du Soleil em fita VHS.


Domingo, 10 de fevereiro de 2008