31 de out. de 2009

Jornalista Herval Faria, 74 anos

FALECIMENTO

A imprensa perdeu no sábado, aos 74 anos, o jornalista carioca Herval Faria, que na década 70 foi repórter do Estado na sucursal do Rio. Vítima de acidente vascular cerebral, após ter se submetido a uma cirurgia, Faria morreu no Hospital Adventista Silvestre, em Santa Tereza, no Rio, onde estava internado havia quatro dias. Deixou viúva, três filhos, noras, netos e um bisneto. Foi sepultado no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Além da passagem pelo Estado, Faria atuou nas redações do Jornal do Brasil, da Tribuna da Imprensa e da Rádio Tupi, além de ter produzido reportagens para a Bloch Editores. Também coube a ele chefiar a Assessoria de Imprensa do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em 1988, iniciou suas atividades de empresário, fundando a Vídeo Clipping Produções. Em seguida, criou a editora e o jornal Correio da Serra, além do portal informativo Agência Rio de Notícias e dos boletins eletrônicos Atividades Nucleares e Setorial News Energia. Trabalhou ainda como livreiro.


Quinta-feira, 29 de outubro de 2009

30 de out. de 2009

Por dentro da cabeça dos arquitetos paulistanos

ESPECIAL
Enquete do 'Estado' mergulha no cotidiano de quem pensa os espaços de São Paulo

De acordo com o Dicionário Houaiss, o substantivo feminino arquitetura significa "arte e técnica de organizar espaços e criar ambientes para abrigar os diversos tipos de atividades humanas, visando também à determinada intenção plástica". Não à toa, a arquitetura está presente no cotidiano de todo mundo. Do quarto onde dormimos à baia de escritório onde trabalhamos, sempre há uma (tentativa de) organização espacial. Com maior ou menor técnica. Com maior ou menor conforto. Com maior ou menor estética. Com maior ou menor arte.

E, assim como em todas as profissões, existem arquitetos e arquitetos. Uns acreditam que sua obra deve aparecer mais que o que ela abriga, outros exaltam a discrição; há os que se escondem atrás do próprio ego e os que preferem esconder o próprio ego; há os meios-termos; há tantos, tão vários que, paulistanos de tantas origens diferentes, têm sua parcela de mérito e culpa pelo caos urbano que é a maior metrópole brasileira, esta cidade de São Paulo que também são tantas infinitudes, imperfeições e belezas.

Em junho, o Estado decidiu promover uma enquete para entender como pensam os arquitetos paulistanos e, de quebra, pedir para que os próprios elegessem os melhores entre seus pares - missão difícil, já que era proibido que o eleitor votasse em si mesmo.

Para viabilizar a tarefa, o Estado contou com a ajuda da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), que retransmitiu aos seus 144 associados paulistanos - responsáveis, segundo levantamento da entidade, por cerca de 70% das obras executadas em São Paulo - um questionário formulado pela reportagem.

Eram oito simples perguntas: data de fundação e número de arquitetos que trabalham no escritório; qual o projeto urbanístico que ele gostaria de ter sido o autor; qual jamais deveria ter sido feito; que local da cidade escolheria para melhorar; qual o maior símbolo da arquitetura paulistana; qual o melhor escritório de São Paulo; nome do escritório autor das respostas; nome do arquiteto responsável pelas respostas.

No total, o Estado recebeu de volta 64 e-mails. Após a apuração de tal amostragem, pôde-se entender um pouco a opinião dos arquitetos paulistanos sobre tais temas gerais.

Partiu-se então para a segunda etapa da reportagem. Os cinco escritórios de arquitetura mais admirados, segundo a enquete, foram procurados na penúltima semana de agosto, e informados do resultado do levantamento. Todos receberam o convite para participar das reportagens a seguir e foram incumbidos de uma mesma missão: apresentar uma ideia arquitetônica ou urbanística de presente para São Paulo. Tiveram seis semanas para desenvolver a proposta.

8.ª BIA
Com esta publicação especial, o Estado divulga os expoentes da arquitetura paulistana a dois dias da abertura da 8ª edição da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (www.bienalinternacionaldearquitetura.com), que vai até o dia 6 de dezembro no Pavilhão Ciccillo Matarazzo da Fundação Bienal, no Parque do Ibirapuera (R$ 12). A organização do evento espera receber 200 mil visitantes.

Embalada pelo fato de o Brasil ser a sede da Copa de 2014, a BIA deste ano pretende discutir como áreas degradadas em centros urbanos podem ser renovados graças a megaeventos.


Quinta-feira, 29 de outubro de 2009

29 de out. de 2009

''Viciado'' em boas ideias, Cocenza virou o agitador do design em SP

PERFIL
Idealizador de evento que acontece na capital paulista entre hoje e amanhã, ele descobriu a vocação há 4 anos

Ele veste terno com tênis, tem um jeitão descolado, usa gírias e mais gírias. Irrequieto e tagarela, mostra empolgação com tudo o que faz. Não se cansa de declarar seu amor a São Paulo - ele, que nasceu em São José do Rio Preto, no interior do Estado, em 1965. Este é Roberto Cocenza, o agitador do design paulistano, idealizador do Boom SP Design - Fórum de Arquitetura, Design e Arte, cuja segunda edição acontece hoje e amanhã.

Interessante é que, apesar de estar à frente de um grande evento do setor, Cocenza não é designer - formou-se em Hotelaria - e só descobriu sua paixão pelo meio em 2005. "Foi quando organizei o Congresso Nacional de Design de Interiores (Conad). Conheci o (designer egípcio) Karim Rashid e percebi que era disso que eu gostava", lembra. "Aí, pensei: se eu não começar a fazer o que eu quero agora, não faço nunca mais."

Mesmo com o estalo vindo depois dos 40 anos, Cocenza recorda-se de passagens de sua infância que denunciam a afeição ao design. "Aos 10 anos, na escola, todo mundo olhava para meus tênis", conta, frisando que eram laranja e azul. "Também colecionava de tudo: tampinhas, pedras, óculos, relógio... E, quando fiz teste vocacional, deu Arquitetura."

E por que contrariou tudo isso e decidiu cursar Hotelaria? "Sempre gostei de investir em tendências. Naquela época, fui pesquisar e vi que o pensar em turismo estava bombando no Brasil", explica. "Mudei para São Paulo para estudar e, depois de formado, acabei trabalhando por três anos na área, até mudar de ramo." Foi quando, no fim dos anos 80, começou a organizar eventos. Fez festivais de música, trouxe circos, óperas e apresentações de balé.

Em 1991, resolveu montar uma empresa focada em eventos corporativos. "Desenvolvo projetos superexclusivos, eventos de relacionamentos, eventos para quem não quer sair na mídia", diz. "Pensamos na estratégia de cada cliente. Há eventos para apenas dez pessoas, outros para mil. Depende do que o cara quer." Era esse seu ganha-pão até a guinada ocorrida há quatro anos, quando organizou o Conad e resolveu dedicar-se também ao mundo do design.

O BOOM
Cocenza cntinua com a empresa de eventos corporativos, mas começou a oorganizar exposições de arte - trouxe, por exemplo, o mesmo Karim Rashid para uma mostra no Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros - e, no ano passado, inventou o Boom SP Design. Os 23 palestrantes - entre os quais o belga Arne Quinze, o grego Andreas Angelidakis e os americanos Todd Bracher e Brent White - atraíram cerca de 200 pessoas ao Shopping Iguatemi, onde ocorreu o evento.

Neste ano, serão 22 palestrantes. Há brasileiros, como os arquitetos Roberto Loeb, Ruy Ohtake e Marcio Kogan; e estrangeiros, como o sul-africano Gaby de Abreu, cujo escritório concebeu toda a identidade visual da Copa do Mundo de futebol, que será em seu país, no ano que vem.

"Acredito na força do design como agregador de valor, esse é o meu discurso. Ou você utiliza o design como ferramenta, embarca em um conteúdo bacana, ou vira grão de milho", comenta Cocenza. "Um exemplo: esta cadeira em que estou sentado vale 20 mil (a mesma da foto no alto). Porque foi desenhada pelo Karim (Rashid)."

Não à toa, acabou levando essa filosofia para outros campos de sua vida profissional. Acionista de uma empresa de iluminação, faz parcerias com designers internacionais que assinam suas luminárias - em troca de royalties. "Vou atrás de boas ideias em todas as feiras internacionais, dos Estados Unidos a Dubai", relata.

Para o ano que vem, além da terceira edição do Boom SP Design, Cocenza promete uma exposição em São Paulo com o americano Todd Bracher. "Essa é a pegada. Quero trazer o novo para a cena cultural paulistana", planeja.

Boom SP Design - Fórum de Arquitetura, Design e Arte: hoje e amanhã, na Unidade Design do Centro Universitário Belas Artes (Rua José Antônio Coelho, 879). Informações
pelo (11) 2925-3140


Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

28 de out. de 2009

Jd. Alzira. Mas pode chamar de Fórmula 1

GP BRASIL
Pilotos, equipes e pistas dão nomes às ruas de bairro em Santo André

Para secar as roupas, um varal improvisado na rua. Rua Ferrari. Para brincar de bola, quatro tijolos, dois de cada lado, fazem as vezes de traves no campinho que é o meio da rua. Rua Benetton. Para compensar a falta da plaquetinha azul que sumiu, um rabisco no muro informa o nome da rua. Rua Minardi. Para chegar até essas vias, só um jeito: pela avenida principal. Avenida Ayrton Senna da Silva.

Com pouco movimento de carros, casas simples - na maioria só com reboco e cheias de puxadinhos - e um dia a dia calmo, esse miolinho do Jardim Alzira Franco, no município de Santo André, no ABC paulista, em nada se assemelha ao glamour e à ostentação que cercam o mundo da Fórmula 1. Mas suas 18 pequenas ruas, nas quais vivem cerca de 180 famílias, homenageiam pilotos, equipes e circuitos da categoria máxima do automobilismo mundial. Eis o Conjunto Habitacional Ayrton Senna.

"Copersucar? É por causa do Ayrton Senna", tentava explicar ao repórter a estudante Tábata Rocha, de 15 anos, recepcionista da escola de informática de sua família, na Rua Copersucar. "Acho que era o nome do campeonato que ele disputou. Ou da pista." Confusão. Acabou salva pelo seu pai, Tarcísio da Rocha, de 41 anos: "Foi a equipe do (Emerson) Fittipaldi." A poucos metros dali, na mesma rua, Eliana Júlia Vieira, de 35, dona de uma loja de roupas , também não fazia a menor ideia do motivo que levou alguém a batizar todas aqueles lugares "com nomes estranhos". "Não sei mesmo explicar", repetia, informando que sua casa fica "ali pertinho", na Rua Sauber.

LEI POPULAR
Não foi preciso andar muito até chegar a uma casa bem-acabada na Rua Jordan e conhecer o ferramenteiro Adílson Gardioli, de 43 anos. Antigo morador do bairro - está lá há cerca de 15 anos - não se cansa de espalhar a história, vivida por ele e outros pioneiros da região, que resultou na decisão de dar aos logradouros dali nomes não de autoridades, como é de praxe, mas de ícones do automobilismo. "Na época em que o Senna morreu, colocaram o nome dele na avenida. E alguém pintou seu rosto, bem grande, em um muro lá no alto", conta, apontando para a parte mais alta do bairro. "Ficou uma perfeição." Ele lembra que, na época, as ruas não tinham nome - "esta aqui era a Rua B". Então ocorreram reuniões para decidir como elas poderiam ser chamadas.

A situação só foi regularizada em 13 de outubro de 2003, por meio de uma lei municipal. De acordo com nota da prefeitura de Santo André, "os líderes comunitários realizaram uma consulta junto à comunidade, sugerindo nomes ligados à Fórmula 1 ao local, que já apresentava o nome de um piloto (Ayrton Senna)". As sugestões foram avaliadas por uma comissão da prefeitura e, então, submetidas à Câmara Municipal.

Morar em um bairro que tem Fórmula 1 por todos os lados deixa o fiscal de ônibus Sérgio de Souza, de 66 anos, feliz da vida. "Eu assisto a todas as corridas. Até aquelas de madrugada", afirma ele, cuja casa fica na Rua Benetton. Alegria, entretanto, que não é compartilhada pela maioria dos moradores dali. "Por que minha rua se chama Minardi?", espanta-se o auxiliar de almoxarifado Everton Oliveira Silva, de 38 anos. "Deve ser alguma homenagem a alguém, mas não sei." Foi o tipo de resposta mais ouvida pelo Estado.

HOMENAGEADOS
Pilotos: a avenida principal do bairro chama-se Ayrton Senna da Silva, em referência ao piloto brasileiro tricampeão mundial de Fórmula 1, morto em acidente ocorrido em 1.º maio de 1994, no GP de San Marino. Há também a Rua Senninha (personagem de histórias em quadrinhos que homenageia Senna) e Rua Prost (o piloto francês Alain Prost, tetracampeão mundial, principal rival de Senna). Há controvérsias sobre a Rua Suzuki: alguns acreditam que ela alude ao piloto japonês Aguri Suzuki, de inexpressiva carreira (sua melhor colocação foi um 3.º lugar); outros entendem que seria uma atrapalhada referência a Suzuka, circuito onde ocorre o GP do Japão

Equipes: com exceção da Rua Ferrari, todas as outras homenageiam equipes que não existem mais ou foram compradas, como Toleman (em cujo carro Senna estreou na F1, em 1984), Jordan (na qual Barrichello iniciou sua carreira, em 1993), Benetton (nela, o heptacampeão Michael Schumacher sagrou-se bicampeão mundial, em 1994 e 1995), Minardi, Copersucar (única equipe brasileira que já existiu na F1, fundada pelos irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi) e Sauber (que, em 2002, lançou Felipe Massa na F1 e, hoje, com novo dono, se chama BMW Sauber F1 Team)

Autódromos: as referências vão dos brasileiros Interlagos (de São Paulo, que sedia a F1 no País), Jacarepaguá (do Rio de Janeiro) e Tarumã (de Viamão, no Rio Grande do Sul) aos estrangeiros Ímola (Itália), Monza (também da Itália) e Estoril (Portugal). Existe ainda a Rua Tamburello, alusiva à famosa curva do Autódromo de Ímola, onde Senna sofreu o acidente que
resultaria em sua morte


Domingo, 18 de outubro de 2009

27 de out. de 2009

Inexperiência de consórcio permitiu falha, diz ex-ministro

FRAUDE NO ENEM
Paulo Renato afirma que problemas de logística já vinham ocorrendo, até culminar no vazamento

Ministro da Educação entre 1995 e 2002 - sua gestão criou o Enem - e atual secretário de Estado da Educação de São Paulo, Paulo Renato Souza acredita que a inexperiência do consórcio que aplicaria a prova deste ano permitiu a falha de segurança e o vazamento.

"Problemas de logística vinham acontecendo. Começaram a chegar casos de alunos de classe média de tal bairro que teriam de fazer a prova em favelas", conta. "No meio de falhas assim, a segurança foi mais uma falha, grave, no esquema de logística." Para Paulo Renato, com a adoção do Enem nos critérios de seleção dos vestibulares das universidades federais "a prova passou a ter um valor econômico e social muito importante, aumentando a tentação da fraude".

Maria Helena Guimarães, ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo e diretora do Inep na gestão de Paulo Renato no ministério, também atribui ao caráter de processo seletivo do novo Enem os maiores riscos de vazamento. "O risco e a complexidade de aplicar uma prova assim não se devem tanto pelo tamanho e pela quantidade de estudantes inscritos, mas pela natureza dela, que mudou. Isso exige uma dinâmica e uma logística diferentes", afirma.

"Fraude pode acontecer em qualquer processo e deve ser investigada pela polícia. Mas temos de lembrar que, no caso deste Enem, tudo foi muito atropelado, muito rápido", diz.

Diretor do Colégio Etapa, o educador Carlos Bindi diz que tudo não passou de uma "catástrofe anunciada". "O que aconteceu era previsível. Uma prova de vestibular convencional envolve a vida acadêmica e a honra dos que participam da sua preparação", compara. "O Enem, não. Não existe a mesma obsessão com a segurança. Ninguém do MEC fica tomando conta da impressão, da distribuição. É uma decisão de gabinete."

A educadora Maria Inês Fini, coordenadora do grupo de autores da prova do Enem desde sua criação, em 1998, até 2002, afirma que ficou "muito chateada" com a notícia. "Em meu tempo, adotávamos procedimentos diferentes. Não existia, por exemplo, uma cópia da prova no MEC. Apenas três pessoas, eu e outros dois consultores, conheciam a íntegra do exame", relata ela.

Para o coordenador de Vestibular do Curso Anglo, Alberto Francisco do Nascimento, havia "gente demais mexendo na coisa". "Mas recebi a notícia com espanto e incredulidade", afirma.

em parceria com Simone Iwasso.


Sexta-feira, 2 de outubro de 2009

26 de out. de 2009

Museu da Língua Portuguesa ''invade'' a Estação da Luz

CULTURA
Mostra da instituição ficará em espaço por onde circulam 400 mil pessoas por dia

Uma instituição que não se encerra em suas portas; abraça o entorno. É o que pretende ser o badalado Museu da Língua Portuguesa a partir de hoje, com a abertura da exposição multimídia Omistériootempoempoesias, do artista plástico mineiro Cacau Brasil. Pela primeira vez, um evento do museu - correalizado por Cooperativa Cultural Brasileira, Poiesis e Toca Brasil - acontecerá fora de seu prédio. Bem pertinho, aliás. A mostra poderá ser conferida, até 25 de janeiro, pelas 400 mil pessoas que circulam diariamente pela Estação da Luz.

Transformada em túnel, uma das três passarelas da estação terá poesia, pintura, música, teatro e vídeo. Ao longo do percurso de 34 metros, o visitante encontrará 15 painéis, nos quais a poesia é sugerida por meio de signos inscritos com cores metálicas. "Espero que a arte seja uma descoberta para o público", vislumbra Brasil.

Textos poéticos estampam placas de acrílico e a experiência multimídia será enriquecida com sons, melodias e uma videoinstalação. "Quero sensibilizar, criar uma vivência", deseja ele.

Para completar, o público poderá assistir a uma performance cênica com cerca de 25 minutos de duração - de quartas a sextas, às 11h e às 13h; aos sábados e domingos, às 11h, às 12h, às 14h e às 15h - realizada por quatro atores e quatro músicos. "Preocupamo-nos em fazer uma ligação da mostra com o espaço arquitetônico da estação", explica o ator Alexandre Roit, diretor teatral da exposição. "Essa ocupação certamente vai propor um novo olhar para o ambiente, uma nova luz para a Luz."

Se depender da vontade dos diretores do Museu da Língua Portuguesa, Omistériootempoempoesias deve ser apenas o primeiro de muitos outros eventos organizados fora do espaço físico da instituição - que, sucesso de público, recebe uma média de mais de mil visitantes por dia. "Desde a concepção do museu, sonhamos com a ideia de que ele tivesse uma relação próxima com as pessoas que passam pela Luz", diz o poeta e crítico literário Frederico Barbosa, diretor da Poiesis - organização que administra a instituição. "Queremos que o museu "saia para fora" dele."

HISTÓRIA
A montagem da mostra é resultado de mais de dois anos de "maturação" - como conta Cacau Brasil. Ele havia realizado duas intervenções similares em Fortaleza (CE), onde mora. Uma delas, em uma galeria de arte; a outra, em uma unidade do Sesc. "Então recebi o convite do Museu da Língua Portuguesa e foi um longo tempo para conseguirmos viabilizar o projeto aqui em São Paulo", lembra ele, citando que foram necessários inúmeros estudos e autorizações.

Posta em prática, concretizou o sonho antigo de expandir o museu para além de seus limites. "Desde a inauguração (da instituição), já pensávamos em levar eventos para fora", confirma Antonio Carlos Sartini, superintendente do Museu da Língua Portuguesa. "Costumo brincar que o Cacau está sendo nossa cobaia."

Uma cobaia sob medida, vale lembrar. Sartini frisa que, quando viu a montagem original do artista, em Fortaleza, teve a sensação de que era exatamente o que ele precisava para experimentar o espaço físico exterior ao museu. "Se o desafio era sair das nossas quatro paredes, uma instalação assim, sensorial, cumpre bem os objetivos", explica. "A mostra traz uma mistura interessante de experiências e seu resultado tem tudo a ver com a proposta de nosso museu."


Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

25 de out. de 2009

O centenário do prefeito das mil obras

MEMÓRIA
Missa lembra o legado urbanístico do engenheiro militar e político Faria Lima, nascido há 100 anos

Uma missa marcada para as 10 horas de hoje no tradicional Mosteiro de São Bento, centro da cidade, vai comemorar o centenário de nascimento do engenheiro militar e político José Vicente Faria Lima, morto em 1969, pouco tempo após encerrar seu mandato à frente da Prefeitura paulistana. O evento, no dia exato do aniversário de Faria Lima, é parte da série de homenagens prestadas a ele ao longo deste ano, organizadas por seu sobrinho, o economista e ex-deputado federal José Roberto Faria Lima.

Ainda neste mês, está previsto um passeio ciclístico na Avenida Brigadeiro Faria Lima - batizada com seu nome pouco depois de sua morte - e homenagens na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Em novembro, a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, deve exibir uma mostra de fotos em memória do brigadeiro. E está em processo de edição um livro, intitulado Faria Lima, com depoimentos laudatórios de 62 personalidades - na maioria, políticos e engenheiros. "A obra será distribuída a bibliotecas e instituições", adianta o sobrinho.

HISTÓRIA
Eleito com 463 mil votos, Faria Lima assumiu a Prefeitura de São Paulo em 1965, dono de um sólido currículo - engenheiro civil e aeronáutico, implantou o curso de Engenharia Aeronáutica na Escola Técnica do Exército; projetou e construiu o Parque Aeronáutico do Campo de Marte; foi secretário de Estado de Viação e Obras Públicas; presidiu o BNDES e a Vasp.

Assumiu uma São Paulo com muitos problemas estruturais - mais da metade da área urbana nem sequer tinha coleta de lixo; contavam-se 11 anos desde a instalação da última nova linha telefônica no sistema de 172 mil aparelhos; e faltavam vagas nos cemitérios. Para resolver tais problemas, decidiu descentralizar a administração pública, criando 12 regionais - modelo que deu origem às atuais subprefeituras. Também em sua gestão foram instituídas diversas secretarias, como a de Transportes e a de Serviços Municipais. "Era um prefeito muito hábil", diz o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). "Apesar de não se guiar por um plano geral de urbanismo, e ser criticado por isso, cercava-se de bons colaboradores e secretários para conseguir colocar suas obras em prática."

Obras que não foram poucas. Jornais da época estimam que Faria Lima tenha realizado mil intervenções de infraestrutura urbana. Entre elas, as Marginais do Tietê e do Pinheiros, as Avenidas Sumaré, Radial Leste, 23 de Maio e Rubem Berta, além do início do metrô. Inaugurou ainda 18 grandes viadutos e o Museu de Arte de São Paulo (Masp). "Não era de discursos, mas de ação", comenta seu sobrinho. "Fiscalizava pessoalmente os canteiros de obras, logo de madrugada, dirigindo seu fusca vermelho."

Seu comportamento workaholic era descrito em perfil publicado pelo Estado em 18 de março de 1969. "Ele quase sempre vai dormir às 2 da madrugada e nunca acorda depois das 5. Trabalha 30 dias por mês e tem uma saúde de ferro. Não fuma, não joga, bebe moderadamente", dizia o texto. A mesma reportagem lembra de sua paixão pelos animais - "na sua casa, chegou a ter, de uma só vez, 17 cães" - e sua pouca destreza na oratória - "gagueja quando fala em público". Quando prefeito, ficou um ano sem conseguir visitar sua fazenda de 200 alqueires, em Miguelópolis, interior paulista, onde criava gado gir e nelore.

Em sua despedida do poder, em 8 de abril de 1969, foi homenageado com milhares de rosas vermelhas. A ação, fruto da campanha "Uma rosa para Faria Lima", foi encabeçada por associações de amigos de bairro. "Ele foi o mais paulista dos cariocas", afirma seu sobrinho. "Vivi em São Paulo o dobro do tempo que fiquei no Rio. Adoro São Paulo", costumava repetir o brigadeiro.

Morreu de ataque cardíaco durante viagem à capital fluminense, em 4 de setembro de 1969. Trazido para São Paulo, foi velado em sua residência, no bairro de Santo Amaro, e enterrado no Cemitério do Campo Grande, em cerimônia acompanhada por 30 mil pessoas.


HOMENAGENS
Hoje, 10h: Missa solene no Mosteiro de São Bento
Dia 18 (data provável): Passeio ciclístico pela Avenida Brigadeiro Faria Lima
Dia 20, 19h: Sessão solene na Câmara Municipal
Dia 30, 19h: Sessão solene na Assembleia Legislativa do
Estado de São Paulo
Dia 9 de novembro (data provável): Abertura de mostra fotográfica na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, na Avenida Paulista
Sem data prevista: Lançamento do livro Faria Lima, com depoimentos de 62 personalidades sobre o brigadeiro. A obra deverá ser distribuída, gratuitamente, a bibliotecas e outras instituições


Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009