21 de abr. de 2009

A nova moda da viola: ter diploma

SOCIEDADE
Universidade de São Paulo oferece curso superior em viola caipira

Tião Carreiro, Gedeão da Viola, Renato Andrade e até blues e rock. É raro não ter cantoria na Toca do Saci, república de Ribeirão Preto onde moram sete estudantes da USP. Quatro deles alunos do Bacharelado em Viola Caipira. Entre esses, Ighor Aguila e Thiago Rossi, que se formam no fim do ano e serão os dois primeiros diplomados do curso, criado em 2005.

“Cresci ouvindo Almir Sater e Renato Teixeira”, lembra Aguila. Ele tem 26 anos e se dedica ao instrumento desde os 18. “Dependendo do estado de espírito, tocamos de Tião Carreiro a rock-and-roll na viola”, conta Rossi, de 23 anos, violeiro há 9.

Ambos juram pelas cordas de suas violas que não tiveram resistência dos pais quando optaram por um curso tão inusitado. “Apesar de terem um receio quanto ao potencial retorno financeiro dessa minha escolha, eles me apoiaram bastante”, diz Aguila, filho de um engenheiro civil e de uma psicóloga. Após formado, ele pretende conciliar sua carreira de compositor com aulas particulares e pesquisas acadêmicas.

Músico e pesquisador, Ivan Vilela é o principal responsável pela idéia de levar um instrumento tão popular para os bancos universitários. “Deve ser o único curso superior de viola caipira no mundo”, afirma. “A viola tem um contexto social: aproxima pessoas que querem resgatar valores do campo, mesmo vivendo na cidade.” Mas Vilela não estava completamente satisfeito. Queria que as aulas fossem oferecidas na capital. “São Paulo foi o grande palco da migração. Tornou-se repositório da cultura caipira.”

Ele crê que na capital é maior o interesse pelo instrumento. Uma prova? “Há mais de 15 orquestras de viola caipira na região metropolitana”, estima. “Nos últimos 12 anos, foram lançados mais de 40 discos de viola instrumental no País.” É a verdadeira moda da viola.

No concurso vestibular para 2009, as duas vagas anuais de viola caipira já aparecem como sendo oferecidas pelo Departamento de Música da Escola de Comunicação e Artes, da Cidade Universitária, em São Paulo.

CAPITAL CAIPIRA
O maestro Rui Torneze, da Orquestra Paulistana de Viola Caipira, concorda com Vilela. “São Paulo é maior capital caipira do Brasil”, define, lembrando que a maioria dos 50 integrantes de seu grupo é paulistana. “Mas muitos são de famílias que vieram do interior.”

Fundada em 1997, a orquestra reúne violeiros do Centro de Educação Musical Tom Jobim e do Instituto São Gonçalo de Estudos Caipiras. “Todo mundo que toca aqui ou é aluno ou é professor”, simplifica Torneze. Aliás, o aprendizado é constante. “Costumo brincar que para se tornar violeiro é preciso estudar por 40 anos.” Com uma bela trilha sonora, cheia de ponteados e poesia.


Quinta-feira, 2 outubro de 2008

20 de abr. de 2009

"'Natália não sai do carro sem retocar o gloss"

ENTREVISTA
Daniela Stangherlin: mãe de miss infantil

Aos 5 anos, a gaúcha Natália Stangherlin venceu no dia 21, no Equador, o concurso Miss Niña Mundo. Sua mãe, Daniela, que na adolescência chegou a participar de concursos de beleza e comerciais de TV, é a principal incentivadora.

O que mudou após o título?
Tivemos proposta de comercial, com cachê de R$ 6 mil. Natália se tornou celebridade: aparece na TV, é reconhecida na rua. Para nós, ela é normal.

Quais os próximos passos?

Ela chegou ao topo, ganhou o máximo. Agora não pode participar de concurso de bairro. Se um dia surgir uma pontinha em uma novela, vou achar ótimo. Mas agora ela tem um ano para curtir esse título.

Ela tem noção do que ganhou?
Sim, Natália é muito madura e inteligente. Mostrei na internet o mapa-múndi a ela. Apontei para cada um dos países e disse que ela ganhou de todos.

É diferente de colegas na escola?
A única diferença é que ela é mais bonita. Mas se dá superbem. Os colegas a paparicam.

Ela é vaidosa?
Muito. Se estamos viajando e ela dorme no carro, não desce enquanto não penteia o cabelo e retoca o gloss. Se vai provar roupas e fica descabelada, pede um pente para se arrumar. Na bolsa, carrega gloss, perfume, seu celular pink e grampo para prender a faixa de miss.


Domingo, 21 de Setembro de 2008

19 de abr. de 2009

Carros 'envelopados' se espalham pela cidade

VIDA URBANA
Para publicidade em veículo, não há restrição de tamanho

Vem da ponta do lápis a alegria do empresário Fabricio Perez. Quando a Lei Cidade Limpa entrou em vigor na capital paulista, em setembro de 2006, sua empresa de adesivação de automóveis, no bairro da Saúde, fazia cerca de 45 trabalhos por mês. Hoje, são 60. De lá para cá, o número de funcionários aumentou 30% e o faturamento, 18%. “A nova legislação proibiu a adesivação publicitária, mas muitas empresas começaram a estampar o logotipo em toda a frota”, diz Perez.

Sim, essa artimanha vem sendo largamente utilizada. “Para anúncios indicativos em veículos, não há restrição de tamanho”, afirma a arquiteta e urbanista Regina Monteiro, diretora da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e coordenadora da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU). Ou seja: qualquer estabelecimento pode estampar o nome em seus carros, em letras garrafais e cores berrantes, que isso não configura propaganda.

E é nisso que se apóiam, para sobreviver, as empresas de adesivação. “O que mais tenho feito são frotas”, confirma Arthur Pellicciari Neto, dono de uma empresa do gênero. Personalizar – ou “envelopar”, como se diz – um carro não sai por menos de R$ 1,2 mil e consome de um a dois dias de trabalho.

Antes visíveis em dezenas de outdoors da cidade, desde o ano passado beldades em trajes mínimos podem ser apreciadas em um ônibus que circula levando funcionários de uma marca de lingeries. “Gastamos mais de R$ 8 mil para personalizar o veículo”, revela a diretora de Marketing da Hope, Sandra Chayo. Ela, aliás, concorda que a Lei Cidade Limpa deixou São Paulo mais bonita. “Só sinto porque nossos painéis eram um marco na cidade”, acredita.

Isso pode, segundo a CPPU. O problema é quando não se trata de um meio de transporte da empresa, mas sim está atrelado simplesmente a uma promoção ou serve só como divulgação. É o caso de uma lanchonete da cidade que desde quinta mantém um simpático fusquinha 68 – todo adesivado, claro! – circulando pelas ruas da capital. Se for flagrado, isso pode render multa de R$ 10 mil aos donos do estabelecimento.

Mas a arquiteta e urbanista Regina admite que é bem mais complicado fiscalizar veículos. “Acredito que ainda não tenha acontecido nenhuma multa. Apenas advertências”, afirma. A Secretaria Municipal das Subprefeituras não detalha se alguma das 2.705 penalidades aplicadas desde que a lei entrou em vigor puniu proprietários de carros envelopados.

Especializada em anúncios em táxis, a empresa onde o diretor de Marketing Daniel Duarte Savério trabalha perdeu 80% de seu faturamento de 2006 para cá. “Restaram as outras cidades nas quais já atuávamos”, diz. Anteriormente, um taxista embolsava de R$ 80 a R$ 150 por mês com a propaganda no carro. O preço variava conforme a área de circulação. “Os que são de pontos nos aeroportos ou próximos do Shopping Iguatemi, por exemplo, eram mais valorizados”, explica Savério. Agora, sua empresa tem desenvolvido material para ser divulgado internamente nos carros. Alguns já trazem displays com folhetos de propaganda.

NOS TRILHOS
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que chegou a envelopar vagões, aboliu de vez a propaganda exterior, para não desrespeitar a legislação. O Metrô, por sua vez, arrecadou R$ 2,3 bilhões no ano passado com anúncios em seus trens. Atualmente, 78 vagões estão envelopados. Mesmo percorrendo trechos na superfície – nos quais a propaganda pode ser vista da rua – não se trata de um desafio à legislação. “Antes de colocar qualquer publicidade, a companhia submete à aprovação da CPPU”, conta Regina.


Domingo, 24 de agosto de 2008

18 de abr. de 2009

De ônibus a pizzas, sobram anúncios

VIDA URBANA
TVs indoor viram novo filão publicitário e podem ser vistas até na famosa esquina da Ipiranga com a São João

Quando alguém fala em “sorte”, o publicitário português Antônio Trigo de Moraes rebate com o argumento de que se trata de “uma conjuntura favorável”. E seu balancete revela números favoráveis que lhe rendem um grande sorriso.

Em 2004, ele desembarcou em São Paulo como sócio da One Mídia, empresa que faz propaganda em caixas de pizza. A idéia – simples, banal – virou um achado quando a Prefeitura instituiu a Lei Cidade Limpa. “Aí foi bom, né?”, diz Moraes, todo animado, esperando um faturamento dobrado neste ano em relação a 2007.

A idéia das caixas publicitárias é de uma empresa alemã, para qual a One Mídia paga royalties. De acordo com pesquisas de mercado, a visibilidade é até maior do que as dos finados outdoors, uma vez que uma caixa de pizza fica cerca de 20 minutos sobre a mesa de jantar.

Na carteira da empresa, são 150 clientes, dos mais diferentes setores. Para anunciar, é preciso fechar um contrato de no mínimo 10 mil embalagens. “Temos clientes que pedem 100 mil caixas”, afirma o publicitário. Sua empresa mantém um cadastro com 1.500 pizzarias paulistanas. Colocam a propaganda nas mais indicadas para o perfil do anunciante. “Se vamos fazer caixa das Casas Bahia, procuramos pizzarias mais populares”, exemplifica.

No dia 27, a One Mídia obteve no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) os direitos exclusivos sobre o uso do modelo da publicidade em embalagens de pizza. A pizzaria não ganha dinheiro diretamente, mas recebe as caixas de graça – o que também é um negócio da China, uma vez que elas representam cerca de 15% do valor de custo da pizza.

“Quando falamos que queremos dobrar o faturamento do ano passado, não é ambição, mas realidade”, gaba-se Moraes. “O primeiro semestre normalmente é pior do que o segundo. Mesmo assim, superamos as previsões.” Eis a “conjuntura”.

TREM E METRÔ
Longe de serem criativos, os programetes têm lampejos até irritantes. Mas os passageiros das principais linhas de ônibus, trens e do metrô da capital paulista já se acostumaram a conferir curiosidades paulistanas, vídeos semi-amadores e publicidade (claro!) nos itinerários.

Atualmente, cerca de 1.100 ônibus do Município contam com os monitores – a frota total beira os 15 mil veículos. O mercado é dominado por três empresas de publicidade. A BusTV, mais antiga em operação, iniciou suas atividades em março do ano passado. Na época, apenas 140 ônibus, de 12 linhas, estavam equipados com a novidade – atualmente a empresa disponibiliza as telinhas em 350 veículos.

Na esteira do sucesso, surgiram a TVO, em outubro, e a BusMídia, em janeiro. A TVO foi a que mais cresceu – com 500 ônibus, de 80 linhas, detém metade do mercado paulistano. Com monitores em 250 ônibus de 13 linhas, a BusMídia sonha alto. “Queremos chegar a mil veículos até o fim deste ano”, afirma o publicitário Rodolfo Brunelli, um dos sócios.

Nos últimos 12 meses, a TV Trem, que pode ser vista nas plataformas da linha Osasco-Grajaú, exibiu anúncios de empresas como Pão de Açúcar e Casas Bahia. Até dezembro, a programação será estendida às linhas das zonas oeste e leste, com prestações de serviços. “Em um momento em que se fala muito sobre convergência das mídias, a TV Trem leva comunicação em um ambiente de informação e cultura para o dia-a-dia dos consumidores”, comenta Paulo Voltolino, diretor de convergência digital da agência DPZ. O Metrô também tem a sua rede – mantida pela empresa TV Minuto. São 5.280 monitores – 48 em cada composição – instalados em três linhas.

IDÉIA QUE NASCEU NA VILA
Desde 2003, freqüentadores de bares descolados se deparam com monitores de TV com programação própria. O CineBoteco, idéia de dois proprietários de casas da Vila Madalena, se expandiu e hoje já é encontrado em cem bares paulistanos. “A Lei Cidade Limpa deu um empurrãozinho ao nosso crescimento”, admite o jornalista Eduardo Rosemback, diretor comercial da empresa. “Hoje posso dizer que dobramos de tamanho a cada ano que passa.” Em média, o estabelecimento parceiro instala dois monitores. Mas há casos extremos, como a Esquina da MPB, recém-inaugurado espaço integrado ao clássico Bar Brahma, no centro. Num dos endereços mais famosos da cidade, 16 telinhas exibem o CineBoteco.

Especialistas acreditam que essa tendência é definitiva e acompanha o desenvolvimento tecnológico. “Na verdade, mesmo sem a Cidade Limpa a mídia indoor cresceria”, afirma o publicitário Ernesto Villela, diretor da Enox Indoor, empresa que cresce 200% por ano desde 2004 e promove campanhas para marcas como Bradesco, Drogasil e Unilever.

em parceria com Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli.


Domingo, 24 de agosto de 2008

17 de abr. de 2009

Propaganda troca outdoors por jeans e guardanapos

VIDA URBANA
Mídia indoor cresceu 40% desde a adoção da Lei Cidade Limpa; 80% do segmento tem sede em SP

São Paulo venceu as placas publicitárias. Mesmo assim, o publicitário Cristiano Tassinari Alves tem motivos de sobra para comemorar. Ele preside o conselho da Associação Brasileira de Mídia Indoor (Abramid) e enche a boca para divulgar que, após a Lei Cidade Limpa, o setor cresceu 40% em um ano.

Só em 2007, o segmento indoor abocanhou 4% dos R$ 26 bilhões do mercado publicitário nacional. Na capital paulista estão instaladas mais de 100 empresas do ramo – 80% do total brasileiro. E, se depender das previsões, todas podem preparar o champanhe. “Até 2010, esperamos ficar com 10% do bolo publicitário do País”, diz Alves.

De acordo com a Abramid, a rígida legislação provocou uma mudança no mercado. Metade das empresas de mídia exterior da cidade passou a desenvolver ações indoor. E o paulistano já percebeu – shoppings, aeroportos, bares, baladas, padarias e até farmácias foram tomadas por propagandas. “A principal diferença é que, enquanto o outdoor é muito massivo, o indoor é segmentado, seletivo”, diz a pesquisadora Ana Lucia Fugulin, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Para ela, isso permite uma menor dispersão de verbas publicitárias – uma vez que essas são canalizadas para um público dirigido. “O anunciante precisa conhecer melhor seus produtos e o público-alvo”, afirma. Quem não se adaptou fechou. “As empresas de outdoor que operavam somente na capital paulista deixaram de funcionar”, diz o presidente do Sindicato das Empresas de Publicidade Exterior (Sepex), o publicitário Luiz Fernando Rodovalho. “Trinta pararam, incluindo a minha.”

Mesmo que a Lei Cidade Limpa continue sendo seguida à risca após 1 ano e 8 meses de instalação, o dia-a-dia do paulistano continua sendo movido por marcas, mensagens e anúncios. Penduradas nas calças da TNG em vitrines de shoppings, há propagandas do cartão de crédito do Bradesco. Enquanto isso, dentro da academia, próximo da raia da piscina, o canal a cabo Telecine anuncia a reexibição do famigerado Duro de Matar. Já no descolado bar Salve Jorge, na Vila Madalena, o guardanapo divulga a água de coco em caixinha e faz até alerta sobre a lei seca.

em parceria com Diego Zanchetta.


Domingo, 24 de agosto de 2008

16 de abr. de 2009

Peças, móveis e o título de nobre. No leilão de Rothschild

SOCIEDADE
Barão põe à venda 230 preciosidades; dinheiro bancará projeto de revista

Pouca gente sabe, mas um ilustre membro da família Rothschild vive em São Paulo há 18 anos. O barão suíço Cyril Rudolf Maximilian von Goldschmidt-Rothschild, de 57 anos, mora em uma casa na Granja Viana, não quis saber de ser banqueiro e botou no martelo 230 preciosidades – parte do leilão ocorreria ontem, às 21 horas, parte está prevista para hoje.

Entre as peças, um par de cadeiras francesas feitas de carvalho em 1790, um tapete persa do século 19 e o cobiçado título de baronato. Mas por que se desfazer de tudo isso? São três os motivos, de acordo com o próprio barão. “Primeiro, a falta de dinheiro”, afirma, sem aceitar entrar em mais detalhes sobre a situação financeira. Outra razão – que, na verdade, é a causa da primeira – é o fato de ele acreditar ter sido muito roubado aqui no Brasil, por contadores e empresários com quem manteve negócios. O último é o mais prosaico dos motivos: “Gosto muito dos móveis e objetos de minha família, mas está um pouco apertado lá em casa.” Apertado? Qual o tamanho de sua casa, barão? “É uma casa normal.” Normal de que tamanho? “Não gosto muito de falar sobre isso.”

A discrição, aliás, é uma das marcas de Cyril. Ele admite que trocou a Europa pelo Brasil em busca do anonimato. “É pesado carregar o meu sobrenome.” No século 18, sua família fundou, na Alemanha, o Banco Rothschild, uma das instituições responsáveis pela consolidação do sistema financeiro moderno.

Cyril nunca é visto em badalações, mantém uma vida reservada e não aparece em colunas sociais. Sempre gostou de estudar relacionamentos. “Meu pai me deserdou porque eu preferi cursar Psicologia em vez de me tornar banqueiro”, conta. “Ele era uma pessoa muito dura.”

Em 1990, vivia em Paris, onde tinha uma agência de matrimônios. Conheceu a paulistana Márcia Marcelino e se mudou com ela para cá. Foi responsável porlançá-la na TV, já com o nome de Márcia Goldschmidt. Separam-se tempos depois. Desde 2005, é casado com a jornalista Carla Pisaroglo – que está grávida da primeira filha dele. Como se conheceram? “Pela internet”, revela. “Eu estava estudando as agências virtuais de relacionamento.”

O próximo projeto do barão terá a ajuda da jornalista. Será uma revista, que ele quer lançar em setembro, para tratar de seu tema preferido: relacionamentos amorosos. O sucesso do leilão dará fôlego financeiro para que a empreitada saia do papel. “Serão desde peças que não têm lance mínimo, como um par de copos de estanho, até outras cujo valor-base nem posso divulgar à imprensa, por razões de segurança”, diz a leiloeira Milu Molfi.

Entre essas, o cobiçado título de baronato, outorgado em 1907 por Wilhelm II, último kaiser alemão, ao bisavô de Cyril. Quem liga à empresa leiloeira e se apresenta como interessado na peça é informado que seu lance mínimo está afixado em R$ 500 mil.

Quinta-feira, 21 de agosto de 2008

15 de abr. de 2009

Entre resgates e tragédias, até partos

ESTRADAS
Em 2007, as 15 concessionárias do Estado prestaram 50,6 mil socorros OHL iniciou ontem atendimento nas Rodovias Régis e Fernão Dias

Eram 8 horas e a técnica em enfermagem Alceli de Oliveira havia acabado de chegar ao posto da SPVias em Alambari, no km 144,5 da Rodovia Raposo Tavares, para mais um dia de trabalho. Mas seu primeiro atendimento naquele 29 de abril de 2007 não foi nenhuma tragédia, como é comum acontecer – apenas no ano passado a concessionária efetuou 5,8 mil resgates a acidentados nos 516 quilômetros de estradas que administra. Em suas mãos, nasceria o pequeno Eduardo, filho da dona de casa Jocimara Rosa Martins, que estava sendo levada para fazer o parto em um hospital de Itapetininga. “Foi uma alegria fazer o parto”, lembra Alceli. “É uma história que repetirei para o resto da vida.”

Dos mais de 20 mil quilômetros de malha rodoviária estadual, apenas 3,5 mil têm administração privada. Os serviços de socorros médico e mecânico oferecidos pelas 15 concessionárias que atuam no Estado são uma contrapartida a quem utiliza as estradas e, para tanto, precisa pagar pedágio. Somadas todas as concessionárias, foram 50,6 mil atendimentos com ambulância no ano passado e 608 mil socorros mecânicos, de acordo com a Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp).

A oferta de assistência acaba beneficiando não só os motoristas e passageiros que trafegam pelas rodovias como também os moradores que vivem nas proximidades. “É comum que nos procurem, porque o atendimento é mais rápido que o oferecido pelos serviços públicos de saúde”, diz o motorista de resgate Jaime Ferreira, que há seis anos trabalha em rodovias – atualmente está na SPVias. Nesses casos, funcionários da concessionária precisam pedir autorização à direção da empresa antes de agir. “Na semana passada mesmo, atendemos um morador de um bairro rural em São Miguel Arcanjo, perto de Sorocaba”, conta Ferreira.

No caso do menino que nasceu na Rodovia Raposo Tavares, os profissionais da concessionária fizeram até uma visitinha no dia seguinte. Foram ao Hospital Regional de Itapetininga e levaram um kit de fraldas, talco e xampu ao recém-nascido. A Câmara Municipal de Sarapuí, cidade onde mora a mãe, Jocimara, homenageou os “parteiros” com uma moção de aplauso. Mas, geralmente, as histórias não têm um segundo capítulo. “Em nossa profissão, a gente tenta se desapegar das coisas”, afirma a técnica em enfermagem Alceli. “A maioria é tragédia. São muitos acidentes e, quando o trabalho acaba, preferimos esquecer.”

NOVA EMPRESA
Um fato como esse ocorre raramente. “A concessionária não nega o atendimento, mas nossa prioridade é socorrer o usuário da rodovia”, explica Eneo Palazzi, superintendente da Autopista Régis Bittencourt. A rodovia começou ontem seu serviço de auxílio aos motoristas, assim como as outras quatro sob concessão da OHL Brasil: Fernão Dias, BR-101 (da Ponte Rio-Niterói até a divisa com o Espírito Santo), BR-116 (de Curitiba até a divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul) e o corredor que liga Curitiba a Florianópolis (BR-101). Nos últimos seis meses, os socorros médico e mecânico vinham sendo realizados pela Polícia Rodoviária, Corpo de Bombeiros e guinchos particulares da região.

Entre meia-noite e 18 horas de ontem, primeiro dia de funcionamento, ocorreram 247 atendimentos nas cinco estradas. Desses, 25 foram acidentes. Só a Régis Bittencourt, conhecida como “rodovia da morte”, registrou 15, a maioria na Serra do Cafezal, próximo a Juquitiba, um trecho com pistas simples e onde 70% do movimento é de caminhões. A concessionária promete iniciar obras de duplicação no próximo ano. A expectativa é que sejam concluídas em 2012.

A empresa não revela quanto investiu no sistema de atendimento, cujos gastos estão incluídos no orçamento de R$ 776 milhões para este ano. Mas, para atender os 450 mil motoristas diários, o sistema conta com 66 ambulâncias, 55 guinchos e 42 viaturas para inspeção nas cinco estradas. Um total de 836 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos e resgatistas, ficarão à disposição de quem trafega pelas rodovias. Por enquanto, não é cobrado pedágio. Mas a tarifa deverá ser criada até o fim do ano. Já o sistema Anchieta-Imigrantes, administrado pela Ecovias há oito anos, realiza por mês 8 mil atendimentos mecânicos, 4 mil com guinchos e 420 socorros médicos.

NÚMEROS
27.874 acidentes nos 3.500 quilômetros de estradas paulistas sob concessão foram registrados no ano passado.
Resultaram em 741 mortes, diz a Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo. 4.148 é o total de cabines telefônicas nas rodovias sob concessão. Só na Via Dutra são 800.
621 câmeras monitoram as estradas do Estado.
R$ 934 milhões foi o total investido em 2007, segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias.
1.028 cabines fazem cobrança de pedágio no Estado – 174 são da AutoBan.

em parceria com Mônica Cardoso.


Sábado, 16 de agosto de 2008